Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 21:02
BRASÍLIA - A servidora do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que fez a segunda denúncia contra o ministro Marco Buzzi contou ter sofrido episódios de assédio por quase três anos, de 2023 ao fim de 2025. O depoimento dela foi corroborado por ao menos dois outros servidores, segundo apurou a Folha de S.Paulo.>
A transcrição das declarações dadas por ela foi encaminhada aos ministros do STJ. A denunciante também entregou gravações. Diante do teor do relato, na terça (10) se deu a decisão pelo afastamento do magistrado.>
O ministro tem negado todas as acusações. Na segunda (9), afirmou em mensagem a colegas que provará sua inocência. Também disse estar "muito impactado" e jamais ter adotado "conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura".>
Funcionária terceirizada, a servidora relata ter sofrido assédio em vários ambientes do gabinete de Buzzi, incluindo na sala do próprio ministro, além de espaço de depósito, corredor e biblioteca.>
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A funcionária trabalhava como secretária e disse ter estranhado o comportamento do magistrado de criar situações para estar a sós com ela, mesmo que não fosse, por exemplo, uma assessora jurídica.>
A mulher era também a primeira a chegar ao gabinete, o que também resultou em mais episódios nos quais estava sozinha na companhia do ministro.>
Durante o depoimento, ela chorou em vários momentos e contou ter adoecido com a pressão e o estresse emocional do sofrimento pelo assédio. As abordagens teriam começado com elogios e evoluíram para toques, não consentidos e cada vez mais persistentes, e apertões.>
O relatório lido na sessão que definiu pelo afastamento foi apresentado pelo decano, ministro Francisco Falcão, presidente da comissão responsável pela condução da sindicância. Ele substituiu a ministra Isabel Gallotti, que se declarou impedida devido a laços familiares com Buzzi.>
Além de Falcão, compõem o grupo outros dois homens – os ministros Raul Araújo e Antonio Carlos Ferreira.>
A primeira acusação contra o magistrado tinha sido feita em janeiro pela filha de um casal de amigos dele, que narra ter sido agarrada durante um banho de mar.>
Depois da notícia do primeiro caso, na semana passada, o clima no STJ já era ruim. Ministros relataram à Folha indignação e horror em relação ao relato. Desde então, alguns magistrados falavam sobre possível afastamento e aposentadoria compulsória. Como a Folha mostrou, a segunda denúncia selou esse entendimento.>
Na terça, a defesa do ministro afirmou que, se formou "um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório". "[A defesa] Aponta, por fim, que já estão sendo colhidas as contraprovas que permitirão, ao fim, a análise serena e racional dos fatos", disseram os advogados, em nota.>
O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, suspendeu a apuração que corria no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) até que o STJ conclua a sindicância interna. Ambos os procedimentos têm natureza administrativa e poderiam se sobrepor.>
O ministro enviou à corte todas as provas colhidas até o momento, inclusive as íntegras dos depoimentos.>
O STJ voltará a deliberar sobre o futuro do magistrado ao fim dos trabalhos da sindicância. Isso acontecerá em uma sessão do plenário no dia 10 de março. A tendência é que a investigação resulte na aposentadoria compulsória do magistrado. Para que isso aconteça, são necessários, no mínimo, 22 votos. A votação é secreta.>
Os processos administrativos têm como consequência mais grave a aposentadoria compulsória. Nesse cenário, Buzzi perderia o cargo de ministro, mas continuaria recebendo seus proventos.>
Pela gravidade da conduta, o ministro receberia essa penalidade ou suspensão caso comprovado o ato. Abaixo disso, ele poderia sofrer advertência ou censura, caso seja entendido que a postura dele foi menos grave.>
Já uma condenação no Supremo pelo crime de importunação sexual poderia levar à prisão e à perda da remuneração.>
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