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Pressão política: governabilidade guia processo de escolha para MEC

Com a saída de Decotelli, o governo federal articula a nomeação de seu quarto ministro da Educação; desgaste com as falsidades do currículo dobraram as cautelas do governo com o tema

Publicado em 01/07/2020 às 19h16
Ministério da Educação (MEC)  avalia punição a estudantes com mau desempenho
Ministério da Educação (MEC), em Brasília. Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

Preocupações com a governabilidade e estabilidade do governo Jair Bolsonaro têm guiado as discussões sobre a escolha do próximo ministro da Educação. A capacidade de liderar a política educacional do país está em segundo plano.

Com a saída de Carlos Alberto Decotelli, o governo federal articula a nomeação de seu quarto ministro da Educação. O desgaste com as falsidades do currículo de Decotelli, precedido pelas turbulências com Abraham Weintraub, dobraram as cautelas do governo com o tema.

Continuam ativas disputas entre alas militar e ideológica do governo para emplacar o ministro. Mas os nomes dos cotados têm sido escrutinados internamente mas também com parlamentares e com Judiciário, mais especificamente com o STF (Supremo Tribunal Federal).

Aumentou ainda a pressão política, exercida por parlamentares, por um nome de credibilidade, que encerre a crise constante na pasta iniciada desde o início do governo com o ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez.

A nomeação do novo ministro era esperada para ocorrer com rapidez. Mas, de acordo com interlocutores envolvidos no processo, o momento tem sido de composição de apoios e a definição deve ocorrer até sexta-feira (3).

Assim que Decotelli confirmou seu pedido de demissão, na terça-feira (30), o atual reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Anderson Ribeiro Correia, surgiu como o nome mais forte entre os cotados para assumir. E ainda continua.

Correia tem o apoio tanto de integrantes da cúpula militar como do núcleo ideológico. A bancada do PSL já disse ao presidente que o apoia, assim como líderes do centrão.

A única condição estabelecida é que ele mantenha o comando do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) com o centrão, como já ocorre atualmente.

O próprio Anderson já indicou a manutenção do assessor especial do MEC Sérgio Sant'Ana, ligado ao Abraham Weintraub. O nome de Sant'Ana era defendido por seguidores do escritor Olavo de Carvalho, de quem ele é admirador.

Segundo assessores palacianos, o presidente pretende sondar a opinião tanto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quanto do presidente do STF, Dias Toffoli, antes de anunciar o nome. Uma forma de evitar alguém que crie uma nova crise política.

O núcleo militar ainda considera o nome do professor Marcus Vinicius Rodrigues, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) nos primeiros meses do governo Bolsonaro. O fato de Rodrigues ser cearense, o que seria um aceno ao Nordeste, tem sido usado por quem defende Rodrigues.

Forte cotado antes do anúncio de Decotelli, o nome do secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, voltou a circular. Ele fez chegar ao Planalto que ainda estaria à disposição, mesmo preterido na semana passada, e já realizou contatos com o governo nesta semana.

Também estariam no páreo o professor Gilberto Garcia, ex-presidente do CNE (Conselho Nacional de Educação), e o atual presidente da Capes, Benedito Aguiar.

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