Publicado em 23 de junho de 2021 às 17:25
Presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou nesta quarta-feira (23) que as denúncias de pressão para a liberação da importação da vacina Covaxin e a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro tenha tido conhecimento da situação talvez seja a denúncia mais grave recebida até aqui pela comissão. >
Aziz também disse que é "preocupante", caso o chefe do Executivo tenha tomado conhecimento da denúncia mas não pedido a abertura de uma investigação. O presidente da CPI disse que questionou à Polícia Federal se a corporação abriu ou não uma apuração sobre isso. >
O caso em torno das suspeita da compra da Covaxin pelo governo Bolsonaro foi revelado na Folha de S.Paulo na sexta-feira passada (18), com a divulgação do teor do depoimento do servidor Luís Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde. >
Ele disse em oitiva no Ministério Público Federal que recebeu uma pressão "atípica" para agilizar a liberação da vacina indiana, desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech. >
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Miranda também afirmou que seus superiores também pediram para que ele obtivesse a "exceção da exceção" junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a liberação da imunização. >
A Covaxin entrou no radar da CPI da Covid, que suspeita de favorecimento do governo federal ao imunizante. A vacina é a mais cara de todas as adquiridas pelo Brasil, ao custo de R$ 80 a dose. >
Os senadores também apontam que o contrato de R$ 1,6 bilhão foi fechado em tempo recorde, principalmente se comparado com a lentidão na negociação com a Pfizer e com o Instituto Butantan. >
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o irmão do servidor da Saúde, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), afirmou que Bolsonaro foi alertado por eles e recebeu documentos sobre suspeitas na compra da Covaxin. >
Omar Aziz afirmou que a comissão precisa tomar muito cuidado durante a apuração. >
Aziz disse ter ouvido uma "versão" do tema por via do deputado Luís Miranda e que a comissão agora vai aos fatos. No entanto disse que a situação representa talvez a informação mais impactante que a comissão já teve contato desde o início das atividades. >
"Temos que ter muito cuidado porque talvez tenha sido a denúncia mais grave que a CPI recebeu. Por isso que eu preciso ter muita cautela, muita paciência e não passar a carroça na frente dos bois", afirmou. >
O presidente da CPI também afirmou que a comissão pretende apurar a fala do deputado Luís Miranda segundo a qual pode ter havido pagamentos de propina nas negociações do contrato para a compra da Covaxin, negociado pelo Ministério com uma empresa intermediária, a brasileira Precisa Medicamentos. >
A comissão já investiga um possível favorecimento à empresa. "Se tudo aquilo que ele [deputado Luis Miranda] disse for verdade ou parte for verdade, são gravíssimas as acusações, inclusive sobre a questão do pixuleco. O Pazuello, no dia que estava saindo, ele fala por que foi demitido. Ele disse que ele foi demitido, que o Pazuello foi demitido porque não aceitava corrupção", disse o senador. >
Aziz também disse que solicitou ao delegado da Polícia Federal cedido para a comissão que peça aos diretores da corporação informações sobre eventual abertura de inquérito para apurar as denúncias que teriam sido levadas ao presidente. >
"Eu pedi uma informação do diretor-geral da Polícia Federal se houve o pedido para investigar a compra da Covaxin. Se o presidente ligou para o diretor-geral da Polícia Federal e disse: "Ó, tem uma denúncia aqui feita pelo deputado Luís Miranda e pelo irmão dele e a gente quer saber se realmente tocaram essa investigação'.">
"É uma coisa natural. O presidente, se foi comunicado e tomou providência, ótimo. Se não tomou providências, é preocupante", completou o presidente da CPI do Senado. >
O servidor Luís Ricardo Miranda e seu irmão, o deputado Luís Miranda, vão prestar depoimento na CPI na tarde desta sexta-feira (25). Os requerimentos de convite foram aprovados em sessão nesta quarta-feira. >
Na mesma sessão, os senadores também aprovaram a convocação do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador de Logística de Insumos Estratégicos em Saúde e homem de confiança do ex-ministro Eduardo Pazuello. >
No depoimento ao Ministério Público Federal, divulgado pela Folha de S.Paulo, o servidor apontou que Lial Marinho era um dos focos de pressão para liberar a importação da Covaxin. >
1ª reunião (20.11) >
É feita a primeira reunião técnica no Ministério da Saúde sobre a aquisição da vacina indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech. >
Comitiva (06.01) >
Embaixador brasileiro em Nova Déli, na Índia, recebe uma comitiva da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas. Um dos representantes é Francisco Maximiano, presidente da Precisa Medicamentos. A missão visita a Bharat Biotech. >
Carta ao 1º ministro (08.01) >
O presidente Jair Bolsonaro envia carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e afirma que, no programa brasileiro de imunização, estão as vacinas da Bharat Biotech. >
Ofício (18.01) >
Ministério envia ofício a presidente da Precisa informando querer dar início a tratativas comerciais para aquisição de lotes. >
Contrato assinado (25.02) >
Contrato é assinado entre Ministério da Saúde e Precisa Medicamentos para a aquisição de 20 milhões de doses. >
Nova viagem (05.03) >
Maximiano faz nova viagem à Índia. É recebido outra vez na Embaixada do Brasil em Nova Déli. O empresário fala em 32 milhões de doses contratadas pelo Ministério da Saúde. >
Pedido rejeitado (31.03) >
Anvisa rejeita pedido de importação de doses formulado pelo ministério, por falta de documentos básicos por parte da empresa responsável. >
No mesmo dia, um servidor de área estratégica do Ministério da Saúde presta depoimento ao MPF em que relata pressão atípica para importação das doses, inclusive com ingerência de superiores junto à Anvisa. >
Fim do prazo (06.05) >
Acaba o prazo estipulado em contrato para a entrega dos 20 milhões de doses. Nenhuma dose chegou ao Brasil. >
Pedido aprovado (04.06) >
Anvisa aprova pedido de importação de doses, mas com restrições, diante da necessidade de estudos extras de efetividade. Nenhuma dose chegou ao Brasil. >
Indícios de crime (16.06) >
MPF aponta indícios de crime no contrato e envia investigação para ofício que cuida de combate à corrupção. >
Raio-x: >
Valor do contrato: R$ 1,61 bilhão >
Doses a serem entregues: 20 milhões >
Valor individual da dose: US$ 15 (R$ 80,70) >
Preço das doses de outras vacinas contratadas: >
Sputnik V: R$ 69,36 >
Coronavac: R$ 58,20 >
Pfizer: US$ 10 (R$ 56,30) >
Janssen: US$ 10 (R$ 56,30) >
AstraZeneca/Oxford: US$ 3,16 (R$ 19,87) >
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