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Operação prende integrantes de facções que disputam territórios em SP

Operação prende integrantes de facções que disputam territórios em SP

Ao menos quatro pessoas foram presas, e há mandados de prisão contra 26 investigados

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 15:25

Espingarda, revólver, dinheiro em espécie e cheques apreendidos durante a Operação Keravnos
Espingarda, revólver, dinheiro em espécie e cheques apreendidos durante a Operação Keravnos Crédito: Divulgação/Polícia Militar

Investigações do Ministério Público de São Paulo, registros de apreensões de drogas e casos de homicídio apontam que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) travam disputas por território no interior paulista e no litoral. Nesta quinta-feira (29), o núcleo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Piracicaba e a Polícia Militar deflagraram uma operação para prender integrantes das duas facções na região.

Ao menos quatro pessoas foram presas, e há mandados de prisão contra 26 investigados nos municípios de como Piracicaba, Rio Claro, Santa Bárbara D'Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho, Limeira, Ibiúna e Hortolândia foram cumpridos -as prisões ocorreram nos últimos três municípios. Segundo o Ministério Público, lideranças investigadas na operação estão "envolvidas em uma violenta disputa territorial nas regiões de Araras, Piracicaba, Rio Claro e Limeira". Além disso, confrontos entre PCC e CV também foram registrados no ano passadona região do Vale do Paraíba, área de divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro.

As investigações na região de Piracicaba "revelaram que o conflito entre as facções escalou significativamente após o CV tentar ocupar pontos de venda de entorpecentes anteriormente dominados pelo PCC, instaurando um estado de guerra urbana na região", disse a Promotoria, em nota. A série de crimes teria começado em 2022. Batizada de Keravnos, a operação tem como principal objetivo a apreensão de armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que possam fornecer provas adicionais sobre a organização interna e os planos das facções.

As prisões ocorreram sem confrontos com a polícia, segundo a PM. "Todos eles são integrantes de facções criminosas, alguns deles com grande relevância dentro do crime organizado", disse o coronel Cleotheos Sabino, responsável pelo Comando de Policiamento do Interior 9 (CPI-9), em entrevista coletiva. "Inclusive o alvo que foi preso em Hortolândia [é] um dos principais envolvidos em crimes ultraviolentos num passado bastante recente."

O líder citado pelo comandante é conhecido como "Jet" e é integrante do PCC. Ao longo do ano passado, a região de Rio Claro teve uma série de assassinatos em meio à disputa entre integrantes do PCC e de um grupo criminoso local. Promotores suspeitam que o grupo local de traficantes recebia armamentos do CV.

Confronto no Litoral norte

Os investigadores também apuram a suspeita de que as duas facções tenham entrado em confronto direto em Ubatuba, no litoral norte, segundo autoridades. Dois homens foram mortos no dia 10 de dezembro durante um ataque a tiros a um carro no bairro Camburi. Em Paraty, município fluminense vizinho a Ubatuba, há relatos de aumento da presença do CV. Além de dominar o tráfico de drogas local, integrantes da facção dominam praias, trilhas e estacionamentos, como mostrou reportagem da Folha.

O grupo também tentou impor taxas de acesso às praias da região costeira. O confronto em Ubatuba teria ocorrido no contexto desse avanço da facção fluminense na região. As disputas travadas ali seriam motivadas pelo no porto de São Sebastião, no litoral paulista, o mais próximo de Ubatuba e Paraty.

No dia 10 de janeiro, uma operação da PM e da Polícia Civil contra integrante do CV prendeu oito pessoas em Bananal, município paulista que faz divisa com o Rio de Janeiro, também na região do Vale do Paraíba. Um dos presos portava 30 microtubos com cocaína, segundo a PM.

Segundo o promotor Alexandre Castilho, do núcleo do Gaeco no Vale do Paraíba, há uma percepção de que o PCC passou a priorizar o tráfico internacional de drogas e deixou de dar prioridade ao controle de pontos de venda de drogas --ao menos por um breve período. Isso teria levado a uma ofensiva do CV e de outros grupos criminosos pelo controle do tráfico na região.

"Essa é uma questão muito dinâmica. O pessoal se assustou um pouco com esse plano de expansão do Comando Vermelho", disse o promotor à Folha. "Acho que o PCC, se largou as biqueiras há um tempo, está retomando e voltando a operar em algumas localidades."

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