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Mulher que fez uso de caneta emagrecedora falsificada está internada em estado grave em MG

Mulher que fez uso de caneta emagrecedora falsificada está internada em estado grave em MG

Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, usou um medicamento para emagrecer vendido de forma ilegal, que foi administrado sem prescrição médica

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 16:01

Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, está internada em estado grave após fazer uso de caneta emagrecedora
Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, está internada em estado grave após fazer uso de caneta emagrecedora Crédito: Reprodução/Instagram

Uma mulher que fez uso de uma caneta emgracedora de origem paraguaia está internada em estado grave desde dezembro no HC-UFMG (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais), em Belo Horizonte. Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, usou um medicamento para emagrecer vendido de forma ilegal, que foi administrado sem prescrição médica. De acordo com a família da auxiliar administrativa, em entrevista ao G1, o atendimento inicial foi feito no Hospital João XXIII. Ela estava com dor abdominal e foi comprovada a intoxicação medicamentosa. Segundo a reportagem, Kellen foi então transferida para o HC-UFMG. O quadro evoluiu para problemas neurológicos e possível desenvolvimento de uma síndrome que compromete a musculatura, os movimentos do corpo, a fala e o funcionamento de órgãos.

No Instagram, uma das filhas de Kellen escreveu que a mãe teve 16 convulsões, foi entubada e traqueostomizada. A reportagem entrou em contato com o HC-UFMG, que respondeu que não irá divulgar informações sobre a paciente.

Flávia Coimbra, diretora da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), diz que o uso de medicamentos que não possuem aprovação pelas entidades sanitárias e são utilizados sem prescrição médica adequada representam um risco muito grande para a saúde. "Pode haver efeitos colaterais relacionados com doses inadequadas, hiperglicemia, e outros eventos adversos como contaminação, infecções graves, infecções generalizadas e agravamento das doenças que a pessoa já tinha", diz. Ela afirma que a utilização de medicamentos fora dos padrões regulatórios, sem prescrição médica, é fortemente desencorajada.

O endocrinologista Rodrigo Lamounier, membro da diretoria da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), diz que os riscos são imponderáveis, já que em um medicamento de origem desconhecida não é possível dizer o que tem na formulação. "Tanto a própria molécula, que não é aquela que foi patenteada e testada, como os excipientes, como eventuais contaminantes podem trazer riscos imunológicos para as pessoas, também de contaminação, já que o medicamento é injetável", afirma, complementando que a dosagem também é um risco desse medicamento, pois não há uma padronização clara.

Lamounier reforça que médicos não podem vender medicamentos, apenas prescrevê-los. "O risco do uso desses medicamentos sem indicação médica é, naturalmente, como todo medicamento. Tudo tem risco e, portanto, tem que ser acompanhado."

Anvisa proíbe tirzepatida das marcas Synedica e TG

Nesta quarta (21), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a apreensão e proibição da tirzepatida das marcas Synedica e TG. A medida vale também para a retatrutida de todas as marcas e lotes. As resoluções publicadas também se referem aos produtos T.G. 5, Lipoless, Lipoless Eticos, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar.

"Os produtos foram fabricados por empresas desconhecidas e estão sendo anunciados e vendidos através de perfis no Instagram sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa", afirma a agência, em nota. "Por se tratar de produtos irregulares de origem desconhecida, não há nenhuma garantia sobre o seu conteúdo ou qualidade. Por isso, não devem ser usados em nenhuma hipótese."

A Anvisa proíbe a fabricação, a distribuição, a importação, a comercialização, a propaganda e o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 que não tenham registro sanitário na agência. Nesses casos, a importação também é proibida --a importação de medicamentos sem registro no Brasil só é feita em caráter excepcional com cumprimento de requisitos.

A prefeitura de Belo Horizonte, cidade em que Kellen está internada, diz que a Vigilância Sanitária realiza a fiscalização de estabelecimentos que comercializam ou aplicam medicamentos, verificando o cumprimento da legislação vigente, afirmando que penalidades podem ser aplicadas em casos de irregularidades. "Foram recebidas duas denúncias relacionadas ao manejo em local indevido", diz a prefeitura, em nota. "A Vigilância Sanitária realizou vistorias nos dois estabelecimentos: um deles foi multado por fracionamento indevido de medicação e no outro não foram encontradas irregularidades."

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