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Mulher internada após usar caneta emagrecedora teve dores no corpo e enjoo

Mulher internada após usar caneta emagrecedora teve dores no corpo e enjoo

Kellen Oliveira Bretas Antunes foi diagnosticada com Guillain-Barré após usar canetas emagrecedoras sem recomendação médica

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 13:24

Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, está internada em estado grave após fazer uso de caneta emagrecedora
Kellen Oliveira Bretas Antunes, 42, está internada em estado grave após fazer uso de caneta emagrecedora Crédito: Reprodução/Instagram

Uma das filhas de Kellen Antunes, 42, diagnosticada com Guillain-Barré após usar canetas emagrecedoras sem recomendação médica, mostrou nas redes sociais as mensagens que a mãe enviou antes de ser hospitalizada. Em 14 de dezembro a mulher disse que foi ao médico porque estava com muita dor no corpo. "De madrugada comecei a sentir dor no corpo e nariz entupiu. Custei a dormir de novo", disse Kellen em mensagem à filha Millena.

À filha, Kellen também disse que chegou ao hospital desidratada e tomou duas bolsas de soro. Ela também fez exames de sangue, urina e uma tomografia, segundo o relato publicado nas redes sociais. A jovem perguntou se a mãe contou aos médicos que estava aplicando a caneta emagrecedora e ela respondeu que sim. "Eu tinha que tomar amanhã, mas não vou mais. Deus me livre, estou passando muito mal", disse Kellen.

A mulher disse estar desconfiada de que o problema poderia "ser dengue, ou outra coisa". Mesmo assim, foi liberada a voltar para casa após a passagem pelo hospital. Em mensagens enviadas em ao menos três dias diferentes, a mulher conta à filha que está passando por atendimentos médicos.

A última mensagem enviada à filha antes da internação foi escrita pelo marido de Kellen, informando que a mulher perdeu o movimento das pernas. "Ela não melhorou da questão do sangue na urina e de ontem para cá ela começou a perder os movimentos das pernas. Não consegue mais ficar sentada sozinha", disse o homem.

Outra filha de Kellen disse que informações falsas sobre o caso têm circulado e pediu que parem. "Jamais eu vou falar que a medicação do Paraguai é ruim. Eu não sei (...) Parem de ficar inventando coisas absurdas e culpando a minha mãe. Agora não é hora de achar culpados e agora a gente está focado na recuperação da minha mãe", relatou Dhulia Antunes, em uma gravação publicada no Instagram.

Relembre o caso

A auxiliar administrativa Kellen Antunes foi internada em Belo Horizonte após usar canetas emagrecedoras vindas do Paraguai. Ela foi internada no hospital em dezembro após usar o medicamento sem prescrição médica. O quadro da mulher evoluiu para problemas neurológicos após a internação. A suspeita é que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, além da fala e o funcionamento de órgãos.

Nenhum medicamento pode ser comercializado no Brasil com orientações ou bula em língua estrangeira, segundo a Anvisa. A venda desses produtos, conforme divulgado em novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, implica em riscos como dificuldade de compreensão para o paciente e erros de administração. "Casos eventuais de falsificação, adulteração ou produto clandestino fogem à governabilidade brasileira, uma vez que o produto está sob regulação de outros países", afirma a Anvisa, em nota.

Remédios sem registro no Brasil só podem ser importados de forma excepcional e para uso exclusivamente pessoal. Mesmo assim, demanda prescrição médica e o cumprimento de requisitos adicionais, conforme a Anvisa. "Porém, nos casos em que a Anvisa publica proibição específica, a importação, por qualquer modalidade, também fica suspensa", esclareceu.

O órgão proibiu a venda de "canetas emagrecedoras" em novembro. Naquele mês, a Anvisa publicou resoluções proibindo a fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e o uso de alguns medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. "São medicamentos sem registro sanitário na Agência, ou seja, que não tiveram a qualidade, eficácia e segurança de uso avaliadas no Brasil", divulgou à época.

As proibições se aplicam a cinco produtos. São eles T.G. 5; Lipoless; Lipoless Eticos; Tirzazep Royal Pharmaceuticals; e T.G. Indufar. "As medidas [de proibição] foram motivadas pelo aumento das evidências de propaganda e comercialização irregulares das chamadas canetas emagrecedoras, inclusive na internet, o que é proibido para medicamentos no Brasil, (...) a fim de proteger a saúde da população", informou ainda a agência.

Sobre a síndrome de Guillain-Barré

Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune -em que o sistema imunológico começa a atacar partes do corpo. O quadro tem como característica uma piora aguda e progressiva e, depois, uma melhora. Entre os principais sintomas da síndrome estão dores pelo corpo, fraqueza muscular ou paralisia total dos membros. Também podem ser observadas sensação de dormência e queimação nos pés e pernas que, depois, pode subir até braços e mãos. Outros sinais que podem aparecer são: sonolência, confusão mental, visão dupla, tremores, entre outros.

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