Publicado em 2 de setembro de 2025 às 15:16
O advogado Jair Alves Pereira, que representa o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, negou nesta terça-feira (2) uma suposta coação ao ex-braço-direito do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a celebração de sua delação premiada no bojo da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.>
Declaração foi feita durante a sustentação oral do tenente-coronel no primeiro dia de julgamento na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a trama golpista. >
O advogado lembrou de mensagens em que Cid divulgadas pela revista Veja em que o delator citava a Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. >
"Isso aqui não é coação. O Mauro Cid está reclamando da posição do delegado, isso é direito. E cumpre fazermos uma pergunta aqui: qual é a versão que constou nos autos? A versão do Mauro Cid ou do delegado? Qual versão prevaleceu? Dizer que isso é ser coagido, com todas as vênias, seria acadêmico", disse. >
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A defesa de Cid espera que os advogados dos demais réus ataquem a delação premiada do militar com vistas a tentar derrubar as alegações contra Bolsonaro e aliados. Em resposta, Pereira destacou que a validade da delação de Cid foi reiterada em "mais de uma oportunidade".>
Ainda com relação aos áudios, Pereira chegou a brincar com Moraes, destacando que, nas mensagens divulgadas pela Veja, Cid também citava o relator da ação penal. Moraes sorriu. "Vossa excelência deve estar acostumado com isso", disse o advogado. "Se o ministro Alexandre de Moraes tivesse declarado minha prisão também teria reclamado dele e isso não sairia no jornal", afirmou, destacando que os áudios vazados em "nenhum momento" tratam do teor da delação premiada do militar.>
Uma eventual anulação da delação premiada prejudicaria Cid, que corre risco de perder os benefícios firmados em acordo com a PF. Mas a PGR sustenta que a delação foi apenas um ponto de partida para as provas e, por isso, o processo no Supremo não seria encerrado. Há suspeitas de que ele teria utilizado um perfil falso no Instagram para manter contato com a defesa de outro réu, o que configuraria um descumprimento das medidas cautelares.>
A defesa, no entanto, contesta os argumentos levados pelos demais réus sobre tais conversas. O principal questionamento é quanto à ata que teria sido apresentada pelo advogado Eduardo Kuntz, que defende Marcelo Câmara (réu do núcleo 2 da ação penal do golpe). Os advogados de Cid dizem que o documento não é válido.>
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