Publicado em 2 de setembro de 2025 às 10:01
BRASÍLIA - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (2) que a "impunidade, a omissão e a covardia não são caminhos para a pacificação". Segundo ele, ainda, não faltará coragem ao STF ou aos seus integrantes para lidar com tentativas de golpe de Estado. >
Moraes fez a fala antes de começar a leitura do relatório da ação penal sobre a trama golpista nesta manhã, como primeira etapa para o julgamento que vai definir o destino de Jair Bolsonaro e outros sete réus e marca a história da corte.>
"A pacificação do país depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições, não havendo possibilidade de se confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento, que significa impunidade e desrespeito à Constituição federal. E mais: significa incentivo a novas tentativas de golpe de Estado", disse.>
O relatório em um processo judicial resume e descreve as principais informações da ação, incluindo argumentos das partes, provas apresentadas, fatos relevantes e o andamento do caso, como forma de contextualizar o caso e dar transparência a ele.>
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Neste ponto, não é usual que o juiz emita suas posições sobre os crimes em análise. Moraes só dará seu voto depois de ouvir a PGR (Procuradoria-Geral da República) e as defesas dos oito réus. A depender do andamento das sessões, é possível que a manifestação de mérito do relator seja dada apenas na próxima semana.>
Aspectos como o ineditismo dos crimes em discussão e o estilo e a velocidade impostos pelo relator na condução do processo fazem com que o caso marque a história da corte.>
Os componentes práticos, como o volume de materiais reunidos — os dados somam cerca de 80 terabytes — ou o esquema de segurança elaborado para as datas de sessões, também representam pontos fora da curva, mesmo na comparação com outros casos rumorosos.>
Desde o início do processo, o ministro tomou decisões que foram questionadas e conduziu com velocidade a para evitar que o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fosse contaminado pelo calendário eleitoral de 2026.>
A denúncia da PGR foi apresentada em 18 de fevereiro. Em março, a Primeira Turma da corte analisou e recebeu a acusação e deu início à tramitação da ação penal.>
Em 2 de junho, o ministro terminou as oitivas das testemunhas do núcleo e, já no encerramento da sessão, marcou para a semana seguinte os interrogatórios dos réus.>
Em um dos pontos de crítica, ele foi apontado como suspeito para relatar e julgar o processo, por ser apontado nas investigações como um possível alvo da organização criminosa.>
Outra forte discordância estava na demora do envio da íntegra do material apreendido pela Polícia Federal aos advogados envolvidos no processo.>
Os advogados de Braga Netto acusaram Moraes de ser parcial e violar prerrogativas da advocacia. "Sua suspeição decorre do fato de a denúncia apontá-lo como a pessoa que seria vitimada pelos denunciados, sendo natural e evidente a contaminação subjetiva do julgador", dizem nas alegações finais.>
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