Publicado em 2 de julho de 2021 às 14:25
O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) e o ex-prefeito de São Paulo e candidato à presidência em 2018, Fernando Haddad (PT), entraram com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para obrigar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), a analisar um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro apresentado ao parlamento há mais de um ano, no dia 21 de maio de 2020. >
Os políticos apontam inércia do presidente da Câmara "diante da recusa em exercer o juízo de admissibilidade sumário que lhe compete sobre a denúncia por crime de responsabilidade". Falcão e Haddad apontam que o papel de Lira é restrito à conferência dos requisitos formais de admissibilidade da denúncia de crime de responsabilidade, sem "adentrar ao mérito das alegações formuladas ou mesmo às suas condições intrínsecas de procedibilidade".>
"O presidente da Câmara dos Deputados promove desvio de finalidade nítido, no exercício passivo de atribuições cogentes vinculadas a funções de desempenho obrigatório. Trata-se, portanto, da atitude afrontosa aos atributos do cargo que ocupa, além de constituir um rematado abuso de poder, ensejador do presente mandado de segurança", alegam.>
O pedido de impeachment citado pelos petistas, engavetado há mais de um ano, foi apresentado à Câmara na esteira da participação do presidente em ato com faixas pedindo o fechamento do Congresso e do STF, além da volta do Ato Institucional nº5 (AI-5), o mais duro da ditadura, em frente ao quartel-general do Exército. Os atos antidemocráticos resultaram até em inquérito no STF.>
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No entanto, tal denúncia por crime de responsabilidade não é a única mencionada no mandado de segurança enviado ao STF. Falcão e Haddad argumentam que, mesmo após a apresentação de mais de uma centena de pedidos de impedimento, o presidente Jair Bolsonaro segue a cometer atos "incontestavelmente tipificados" como crimes de responsabilidade.>
Nessa linha, os políticos apontam "severo prejuízo" decorrente da "inação" do presidente da Câmara, "ao impedir o trâmite da denúncia por crimes de responsabilidade e o livre exercício do direito parlamentar de deliberação", deixando de emitir qualquer posicionamento a respeito da denúncia apresentada em maio do ano passado.>
De acordo com os petistas, além da falta de pronunciamento sobre os pedidos de impeachment, Lira tem dado declarações que "sinalizam que a falta de impulsionamento à denúncia deve-se ao seu posicionamento pessoal contrário ao impeachment". Uma das declarações citadas pelos petistas em tal sentido está relacionada ao "superpedido" de impeachment apresentado nesta semana ao Congresso.>
"Tais assertivas consistem em verdadeiro pronunciamento antecipado de mérito e sinalizam que o Impetrado, a pretexto de realizar uma análise minudente do pedido, busca obstaculizar o processamento das denúncias, por não concordar com o seu teor", argumentam.>
Já há pedido semelhante ao dos políticos em tramitação no Supremo, feito pelos advogados Thiago Santos Aguiar de Pádua e José Rossini Campos do Couto Corrêa. Em maio, o ministro do STF Kassio Nunes Marques negou o mandado de segurança que a dupla impetrou há cerca de um ano, com pedido para que o Supremo obrigasse o presidente da Câmara a avaliar um pedido de impeachment contra Bolsonaro.>
Os advogados decidiram insistir no processo e pediram que o caso seja enviado ao Plenário da Corte e que os ministros fixem "prazo razoável" para a análise de denúncia por crime de responsabilidade contra o Presidente da República.>
A reportagem busca contato com o presidente da Câmara. O espaço está aberto para manifestações.>
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