Publicado em 27 de dezembro de 2022 às 10:36
BRASÍLIA, DF - A equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discute reforçar a segurança do petista durante a cerimônia de posse, neste domingo (1º), após um bolsonarista tentar realizar um atentado com bomba no sábado (24).>
O debate ocorre em meio a uma escalada de tensão no gabinete de transição e com autoridades em Brasília, após episódios de violências e de teor golpistas com apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). A tentativa de atentado reforçou a preocupação do entorno do futuro mandatário.>
Aliados de Lula afirmam que a decisão sobre o carro que Lula desfilará, por exemplo, será tomada no próprio dia 1º por motivos de segurança. Hoje há dois cenários em estudo: um em que o petista estará no tradicional Rolls Royce conversível; outro em que fará o percurso num carro fechado e blindado.>
A decisão será avaliada de acordo com a situação de animosidade política e eventuais riscos mapeados no dia. Também será levado em consideração as condições climáticas, uma vez que há previsão de chuva em Brasília para o dia.>
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Outro ponto discutido é a participação ou não de Lula em algum show que ocorrerá na Esplanada dos Ministérios --são mais de 20 atrações confirmadas. Além da preocupação com a segurança do petista, também é levado em conta que isso poderá atrasar outros compromissos previstos da posse.>
O tema foi tratado em reunião onde foram repassados pontos de segurança do evento. O encontro ocorreu nesta segunda (26), no hotel em que Lula está hospedado na capital federal.>
Participaram o delegado Andrei Passos Rodrigues, futuro diretor-geral da Polícia Federal, Flávio Dino, futuro ministro da Justiça, José Múcio Monteiro, que comandará a Defesa, e o embaixador Fernando Igreja. O diplomata coordena o cerimonial da posse.>
Integrantes da equipe do petista estudam solicitar o aumento no efetivo de policiais militares trabalhando no dia 1º e ainda criar um protocolo mais ostensivo de revista do público.>
Nesta terça (27), Dino e Múcio irão se reunir pela manhã com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para falar sobre a posse. Segundo aliados, o encontro tem como pano de fundo analisar possível reforço de segurança do evento diante da tentativa do atentado no último sábado.>
No final de semana, George Washington de Oliveira Sousa colocou um explosivo dentro de um caminhão de combustível, cujo destino final era o Aeroporto de Brasília.>
Em depoimento à Polícia Civil do DF, ele disse que o objetivo era promover um "caos" que levaria à "decretação do estado de sítio no país" --o que, segundo George, poderia provocar a "intervenção das Forças Armadas".>
Fontes ligadas à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal afirmam que o plano de trabalho para o dia da posse é amplo e envolve a revista de todas as pessoas que entrarem na Esplanada dos Ministérios.>
Além disso, haverá ainda pontos com detectores de metais e policiamento ostensivo, com todo o efetivo da Polícia Militar disponível para atuar durante o evento.>
Por isso, apesar da tensão causada pelos apoiadores de Bolsonaro, as equipes de segurança acreditam que será possível garantir a tranquilidade do evento.>
Deve ocorrer nesta terça uma reunião de todas as forças de segurança envolvidas na posse para discutir o protocolo do evento e eventuais mudanças.>
No mesmo dia, o Comando Militar do Planalto vai fazer o primeiro ensaio da cerimônia, com foco no desfile em carro aberto e o momento após a assinatura do termo de posse. O ensaio final será na próxima sexta-feira (30).>
O plano de segurança também envolve a tentativa de encerrar os atos antidemocráticos que ocorrem em frente a quartéis militares.>
Integrantes do governo do Distrito Federal entraram em contato com o Exército nos últimos dois dias para pedir uma ação mais efetiva dos militares no caso dos manifestantes que estão acampados em frente ao Quartel-General da Força em Brasília.>
Generais ouvidos pela Folha, no entanto, afirmam que atuam em um plano de desmobilização, cujo foco é o desmonte de tendas e banheiros químicos até a próxima sexta (30). Os militares acreditam que, dessa forma, os apoiadores de Bolsonaro devem deixar o espaço.>
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