Publicado em 27 de setembro de 2023 às 19:15
Em sua última sessão como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Rosa Weber afirmou nesta quarta-feira (27) que o ataque golpista de 8 de janeiro jamais pode se repetir, mas deve ser lembrado também como propulsor do fortalecimento do Estado democrático de Direito.>
"[Deve ser lembrado] diante da união e resposta imediata e firme dos Poderes constituídos à vilania praticada e na contramão do que pretendera aquela horda hostil", afirmou Rosa, em discurso no final da sessão do Supremo.>
"A resistência, a resiliência e a solidariedade ficaram estampadas na metáfora da travessia da Praça dos Três Poderes, do Planalto ao Supremo — o mais atingido pelo vilanismo", lembrou, quando integrantes do Supremo, do Planalto e Congresso andaram de um prédio a outro após os ataques.>
"Todos nós simbolicamente de mãos dadas, desviando das pedras, dos cacos de vidros, dos cartuchos de bala de borracha que abarrotavam o chão da praça", afirmou.>
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Em seu discurso, Rosa também destacou a resolução do CNJ que aprovou a criação de uma regra de alternância de gênero no preenchimento de vagas para a segunda instância do Judiciário.>
A ministra passará o comando do Supremo nesta quinta-feira (28) para Luís Roberto Barroso, cuja previsão é de que ele fique à frente da corte e do CNJ até 2025.>
Ela completa 75 anos na próxima segunda-feira (2), idade limite para a aposentadoria de magistrados.>
Aos demais ministros, ela entregou um relatório de gestão de 289 páginas no qual afirma que o Supremo tem "o olhar fixo na constante dignificação da nossa sociedade democrática" e "permanece firme, vigilante e resiliente na defesa dos valores democráticos e pela concretização das promessas civilizatórias da Constituição da República.">
Durante toda a sessão desta quarta, os ministros do Supremo fizeram elogios à presidente e destacaram o seu papel na condução da corte no último ano.>
Rosa assumiu o Supremo em setembro do ano passado, ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com as relações estremecidas entre a corte e o Palácio do Planalto.>
Ao fazer seu primeiro discurso como presidente do STF, a ministra afirmou, sob aplausos, que não se pode cogitar o descumprimento de ordens judiciais — o que Bolsonaro já havia ameaçado fazer em seu embate com ministros da corte.>
"De descumprimento de ordens judiciais sequer se cogite em um Estado democrático de Direito", disse Rosa.>
Ela também estava à frente do Supremo durante os ataques golpistas de 8 de janeiro. Apesar da destruição da sede do tribunal, o plenário da corte já estava reformado em 1º de fevereiro, para a sessão de abertura do ano do Judiciário.>
À época, a presidente do Supremo fez um discurso com recados aos golpistas que depredaram as sedes dos três Poderes em 8 de janeiro, a quem chamou de "inimigos da liberdade", prometeu responsabilizar a todos e disse que a democracia "permanece inabalável".>
"Possuídos de ódio irracional, quase patológico, os vândalos, com total desapreço pela república e imbuídos da ousadia da ignorância, destroçaram bens públicos sujeitos a proteção especial, como os tombados pelo patrimônio histórico, mobiliário, tapetes e obras de arte", disse.>
Pouco antes de terminar a presidência de Rosa, as primeiras ações contra os réus de 8 de janeiro começaram a ser julgados e condenados, tanto no plenário físico quanto no virtual.>
Na gestão de Rosa, também foi aprovada uma emenda no regimento interno do STF que impôs um prazo para a devolução de pedidos de vista (mais tempo para análise de processos) e que também restringiu as decisões individuais dos ministros.>
A ministra destacou essa emenda como um dos méritos da sua gestão no relatório de gestão.>
"Fixou-se o prazo de 90 dias para a devolução dos autos conclusos para vista, com liberação automática para a continuação do julgamento após vencido esse prazo. Essa importante iniciativa resultou em considerável redução do acervo dos processos de controle concentrado", afirma no documento.>
Por outro lado, na perspectiva da concretização do princípio do colegiado, virtude do Estado Democrático de Direito, as alterações promovidas pela Emenda Regimental 58/2022 resultaram no incremento do número de processos julgados pelo plenário no primeiro semestre de 2023 em comparação com todo o ano de 2022, em nítido reforço à colegialidade e à eficiência do processo decisório", afirmou.>
A ministra ainda disse que uma das suas principais realizações foi o lançamento da primeira Constituição brasileira traduzida para a língua indígena Nheengatu, conhecida como o Tupi moderno.>
"A Constituição Cidadã em Nheengatu constitui instrumento significativo de preservação das culturas indígenas e de inclusão dos povos originários em direção à igualdade substantiva preconizada como direito de todos os cidadãos", concluiu.>
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