Publicado em 9 de setembro de 2022 às 15:12
O delegado Allan Turnowski, que chefiou a Polícia Civil do Rio de Janeiro até março, foi preso nesta sexta-feira (9) sob suspeita de colaborar com contraventores do jogo do bicho.>
De acordo com investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, Turnowski é acusado de receber propina da contravenção.>
Também foi alvo de busca e apreensão o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, ex-chefe do Departamento-Geral de Homicídios. Ele é candidato a deputado estadual pelo Podemos.>
O advogado de Turnowski, Fernando Drumond, afirmou que irá se posicionar quando tiver acesso ao processo.>
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A defesa de Antônio Ricardo declarou que "não há nenhum envolvimento dele em atos criminosos vinculados com contraventores do jogo ilegal".>
"Após 23 anos combatendo o crime, sem nenhuma mácula em sua vida profissional, a defesa esclarece que respeita o trabalho realizado, porém não condiz com a realidade. O fato será esclarecido e sua inocência será comprovada", afirmou a advogada Adriana Glauco, em nota.>
A Polícia Civil afirmou, em nota, que ainda não recebeu a denúncia, mas disse que foi na atual gestão "que os três chefes das principais facções da contravenção, Rogério Andrade, Bernardo Bello e José Caruzzo Escafura, o 'Piruinha', foram investigados e tiveram os pedidos de prisão solicitados à Justiça".>
Turnowski foi secretário da Polícia Civil da gestão Cláudio Castro (PL), mas deixou o cargo para se candidatar a deputado federal pelo PL. Uma de suas bandeiras de campanha era a operação feita no Jacarezinho em maio de 2021, em que 27 pessoas foram mortas pela polícia - o número de vítimas da favela integrava o número de urna do delegado.>
A ação é um desdobramento da investigação contra o delegado Marcelo Demétrio, preso há um ano sob acusação de cobrança de propina a lojistas de Petrópolis. Os 12 celulares apreendidos com o policial, porém, ampliaram as suspeitas contra ele, incluindo envolvimento com o bicheiro Rogério Andrade e vazamento de informações do caso Marielle.>
Em maio deste ano, o inspetor Vinicius de Lima Gomez, ligado a Turnowski, também foi alvo na Operação Calígula sob suspeita de atuar em favor do bicheiro. De acordo com denúncia do Ministério Público, o agente "ostenta uma peculiar proximidade tanto com os supostos criminosos atuantes no estado do Rio de Janeiro, quanto com agentes públicos que ocuparam o alto escalão da Polícia Civil fluminense".>
"No material probatório, há um volume relevante e muito significativo de dados que confere plausibilidade à afirmação do MP de que o denunciado Vinícius é personagem emblemático, especialmente porque flutua com peculiar destreza entre os dois polos de uma conturbada e inexplicável relação de proximidade existente entre a polícia e o crime organizado", diz trecho da denúncia.>
Um dos acusados nesta operação é o ex-PM Ronnie Lessa , acusado de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes. A apuração teve como objetivo desarticular um esquema para proteger uma organização criminosa especializada em jogos de azar. Rogério Andrade também foi alvo de mandado de prisão nesta operação, e ficou foragido por três meses.>
Lessa e Turnowski trabalharam juntos. O ex-PM atuou com adido na Polícia Civil em delegacias especializadas de roubo de cargas e armas.>
A proximidade entre os dois aparece em mensagens encontradas no celular de Lessa após sua prisão, em março de 2019, enviadas por Vinicius Gomez.>
"Estou com Allan, te mandou um abraço", diz Gomez a Lessa, em diálogo ocorrido dois meses após a morte da vereadora. Lessa ainda não havia sido preso pelo crime. O ex-PM responde: "Ok, manda outro para ele".>
Em suas redes sociais, contudo, Turnowski divulgava ações da polícia contra bicheiro. Em maio deste ano, ele compartilhou notícia sobre a decretação de prisão contra Rogério Andrade e Bernardo Bello, outro conhecido contraventor da capital.>
Turnowski construiu sua carreira na Polícia Civil com "perfil operacional", na defesa de confronto com facções criminosas.>
Ele já havia chefiado a Polícia Civil entre 2009 e 2011, na gestão Sérgio Cabral. Ele deixou o cargo na ocasião após ser indiciado sob suspeita de vazar informações de uma operação da Polícia Federal a um inspetor alvo da apuração. O caso, porém, foi arquivado a pedido do Ministério Público.>
Após amargar certo ostracismo na corporação, retomou o prestígio até ser nomeado novamente para a chefia da corporação por Cláudio Castro, assim que o governador assumiu definitivamente o cargo após o impeachment de Wilson Witzel.>
No último 7 de Setembro, Turnowski participou do ato de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) na praia de Copacabana. O delegado tem forte ligação com o senador Flávio Bolsonaro (PL), visto como um dos fiadores de sua nomeação ao cargo no governo fluminense.>
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