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É CEO da Globalsys

Vitória e o desafio de sustentar a inteligência urbana

Vitória deu um passo decisivo ao ocupar o primeiro lugar. O próximo desafio é provar que ser inteligente vai além do reconhecimento em rankings

  • Thiago Molino É CEO da Globalsys
Publicado em 24/09/2025 às 14h13

O anúncio de que Vitória lidera, pela primeira vez, o ranking Connected Smart Cities é um marco para o Espírito Santo e para o Brasil. Em um estudo que avaliou mais de cinco mil municípios, a capital capixaba não apenas superou Florianópolis, que vinha ocupando a primeira posição, como também mostrou que cidades médias podem assumir protagonismo no cenário nacional de inovação urbana.

Mas, se a conquista merece ser celebrada, ela também exige reflexão. Estar no topo do ranking é resultado de um conjunto de iniciativas em mobilidade, tecnologia, governança e sustentabilidade. No entanto, a manutenção dessa posição depende da capacidade de transformar indicadores em políticas consistentes e duradouras.

A novidade trazida pelo estudo em 2025 — a plataforma Plancity, que oferece aos gestores acesso interativo e estratégico aos dados — evidencia um ponto crucial: inteligência urbana não é estática. Trata-se de um processo contínuo de gestão e monitoramento. Ter as ferramentas à disposição é importante, mas a diferença está na governança: como os dados são interpretados, quais decisões são tomadas e de que forma se garante que a inovação seja inclusiva.

Do ponto de vista empresarial, rankings como este reforçam a importância da colaboração entre setor público e privado. Nenhuma cidade se torna inteligente sozinha. A integração de tecnologias, soluções digitais e novos modelos de gestão só acontece quando há um ecossistema aberto ao diálogo e à experimentação.

Vitória agora carrega a responsabilidade de ser referência. O destaque nacional pode atrair investimentos, talentos e novas oportunidades de negócios, mas também aumenta a cobrança por resultados. O verdadeiro teste será transformar essa visibilidade em um ciclo sustentável de desenvolvimento, que alcance todos os cidadãos e não apenas setores específicos da economia.

No cenário do Connected Smart Cities, que este ano reúne oito mil participantes, a mensagem é clara: o futuro das cidades será moldado pela capacidade de reinventar processos, criar ambientes mais resilientes e equilibrar crescimento econômico com qualidade de vida.

Vitória deu um passo decisivo ao ocupar o primeiro lugar. O próximo desafio é provar que ser inteligente vai além do reconhecimento em rankings — é ser capaz de garantir que inovação, governança e cidadania caminhem juntas, todos os dias.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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