A partir de 2021, a saúde pública de Vitória passou por um processo acelerado de reorganização, impulsionado pela necessidade de resposta à maior crise sanitária da história recente e pela adoção de uma agenda estruturada de modernização, ampliação do acesso e qualificação dos serviços.
O primeiro grande desafio foi a pandemia da Covid-19. Em um cenário de alta pressão sobre os sistemas públicos, a capital estruturou uma estratégia de vacinação baseada na ampliação de pontos de atendimento, logística integrada e uso intensivo de tecnologia.
O resultado foi uma rápida elevação das coberturas vacinais, em um curto intervalo de tempo, posicionando Vitória como referência nacional na condução da campanha e atraindo inclusive pessoas de outros estados em busca de atendimento ágil, fenômeno que ficou conhecido nacionalmente como “turismo da vacina”.
A experiência adquirida durante esse período funcionou como catalisador para mudanças mais amplas. A reorganização do sistema, aliada ao fortalecimento da gestão e ao planejamento orientado por dados e evidências, permitiu avançar na ampliação da oferta de serviços e na redução de gargalos históricos da rede municipal de saúde.
Os reflexos desse movimento passaram a ser observados nos indicadores. No Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Vitória alcançou a primeira colocação entre todas as capitais do Brasil no pilar Acesso à Saúde, após subir 18 colocações. No pilar Qualidade da Saúde, a capital obteve um resultado inédito ao ocupar o primeiro lugar do Brasil no indicador de mortalidade materna, sem registro de óbitos.
Entre 2021 e 2025, a ampliação da oferta de consultas e exames especializados foi um dos eixos centrais da política pública. Nesse período, cerca de dois milhões de procedimentos foram incorporados à rede municipal, incluindo exames de alta complexidade.
Esse esforço permitiu eliminar filas acumuladas ao longo dos anos e reorganizar o fluxo de atendimento. Atualmente, 98% dos atendimentos especializados são agendados em até 100 dias, atendendo parâmetros definidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A oftalmologia foi uma das áreas que receberam atenção prioritária. Em 2021, mais de 12 mil estudantes da rede municipal aguardavam consulta especializada. Com o programa Olhar Vitória, a triagem visual é realizada diretamente nas escolas, com acompanhamento oftalmológico e entrega gratuita de óculos. A iniciativa eliminou a fila existente e contribuiu para melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento infantil.
A atenção básica também foi ampliada para se adequar às necessidades da população. Seis unidades de saúde passaram a funcionar em regime estendido, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados, das 7h às 19h. A medida ampliou o acesso, reduziu a pressão sobre serviços de urgência e aproximou o cuidado da rotina das famílias.
Na infraestrutura, a rede municipal entrou em um novo ciclo de expansão. Estão em andamento as obras da primeira Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vitória, além das unidades de saúde de Santo Antônio, Grande Vitória e Bairro República, com previsão de inauguração das duas primeiras no primeiro trimestre de 2026.
Também avançam a duplicação da Unidade de Saúde de Jardim Camburi e a implantação do Centro de Referência de Atendimento ao Idoso, na Ilha de Santa Maria, ambos com entrega prevista para março deste ano. As novas unidades nos bairros Forte São João e Consolação, sendo que esta última já teve o edital lançado, e ainda está previsto um CAPS Infantil, ampliando a cobertura territorial e a capacidade de atendimento.
A política de saúde adotada a partir de 2021 também incorporou ações de cuidado integral e proteção social. A Casa Rosa passou a fortalecer o atendimento a mulheres e famílias em situação de violência. Outro avanço foi a implantação da Unidade de Acolhimento Transitório, vinculada ao Caps AD, serviço pioneiro no Espírito Santo, que oferece acolhimento residencial provisório, 24 horas por dia, a pessoas em situação de vulnerabilidade com uso problemático de álcool e outras drogas. Com duas unidades e 30 vagas, a iniciativa amplia o cuidado em saúde mental e a possibilidade de reinserção social.
A modernização da gestão foi acompanhada por investimentos expressivos em tecnologia. Mais de R$ 50 milhões foram destinados à informatização das equipes, fiscalização sanitária digital, uso de drones no combate ao Aedes aegypti e implantação do Painel de Medicamentos.
Também foi criado um novo canal digital integrado à Rede Bem-Estar, com uma assistente virtual baseada em inteligência artificial. A Vitória permite confirmar e desmarcar consultas, avaliar serviços e acessar informações de saúde, ampliando a comunicação com a população por meio de ferramentas amplamente utilizadas no cotidiano.
Esses avanços foram sustentados por equilíbrio fiscal e ampliação do investimento público. Em 2025, Vitória aplicou 17,68% da receita própria em ações e serviços públicos de saúde, com gasto per capita de R$ 1.613,34, acima do mínimo constitucional.
Os resultados observados desde 2021 refletem uma gestão orientada por dados e evidências, ampliação do acesso, modernização da rede e responsabilidade social e fiscal.
Mais do que responder a uma crise sanitária, a saúde pública de Vitória passou a operar em um novo patamar, com foco contínuo no cuidado, empatia e respeito com as pessoas e na melhoria da qualidade de vida da população.
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.