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É economista chefe do IBEF-ES

Um teste decisivo para a economia brasileira em 2026

Um ponto sensível é evitar que o calendário eleitoral contamine a agenda econômica

  • Felipe Storch Damasceno É economista chefe do IBEF-ES
Publicado em 16/01/2026 às 10h00

O ano de 2026 se desenha como um teste decisivo para a economia brasileira. O país entra neste ciclo com desafios conhecidos, como juros ainda elevados, necessidade de consolidação fiscal, transição da reforma tributária e pressões típicas do ambiente político-eleitoral.

Ao mesmo tempo, há oportunidades relevantes para reorganizar expectativas, destravar investimentos e construir uma trajetória de crescimento mais sustentável, baseada em produtividade e previsibilidade institucional.

O cumprimento rigoroso da meta fiscal é peça central desse processo. Mais do que alcançar um resultado contábil, trata-se de preservar a credibilidade do arcabouço fiscal como âncora de confiança. Quando regras são flexibilizadas de forma recorrente, o mercado passa a exigir prêmios de risco mais elevados, encarecendo o crédito, pressionando o câmbio e reduzindo o investimento produtivo. Em 2026, o ajuste fiscal precisará combinar disciplina com qualidade do gasto público, priorizando eficiência e retorno econômico e social.

Outro ponto sensível é evitar que o calendário eleitoral contamine a agenda econômica. Medidas de curto prazo, adotadas sem base permanente de financiamento, costumam gerar efeitos adversos posteriores, como inflação mais alta, juros elevados e deterioração fiscal. Preservar a autonomia técnica das instituições econômicas e manter foco em decisões estruturais será fundamental para sustentar crescimento e estabilidade.

No campo externo, a busca por um acordo comercial equilibrado com os Estados Unidos permanece estratégica. Mais do que reduções tarifárias pontuais, o ganho está na previsibilidade regulatória, na integração em cadeias globais de valor e na sinalização de maturidade institucional, fatores que favorecem investimentos de longo prazo. Para estados exportadores, como o Espírito Santo, esse avanço tem impacto direto sobre competitividade e geração de renda.

A produtividade precisa ocupar o centro da estratégia de crescimento. Economias que crescem apenas pelo estímulo à demanda tendem a enfrentar inflação quando a oferta não acompanha. Ganhos de produtividade exigem investimentos em tecnologia, infraestrutura, capital humano, ambiente regulatório e gestão. É esse caminho que permite salários reais mais altos sem pressionar preços, ampliando o crescimento potencial do país.

Produtividade no país
Produtividade no país. Crédito: Pixabay

Nesse contexto, a inteligência artificial surge como instrumento estratégico. Além de reduzir dependências externas e riscos associados a embargos tecnológicos, a IA pode acelerar ganhos de eficiência em setores como indústria, logística, agronegócio, serviços e gestão pública.

Em um país com dificuldades históricas para avançar rapidamente na formação educacional de ponta, a adoção intensiva de IA e inovação aplicada pode gerar ganhos imediatos de escala e produtividade, complementando a agenda educacional de longo prazo.

Para o Espírito Santo, um ambiente macroeconômico mais estável tende a potencializar vantagens já existentes, como vocação logística, base exportadora diversificada e planejamento de longo prazo, exemplificado pelo Plano ES 500 Anos. A combinação entre disciplina fiscal, produtividade, integração comercial e inovação será determinante para transformar a estabilidade em crescimento sustentável, com geração de renda e empregos qualificados.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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