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Menos Estado e mais digitalização = mais autonomia das pessoas

Pensemos, por exemplo, no sistema financeiro: novas empresas surgiram no mercado prestando microsserviços, que eram todos acumulados pelos grandes bancos. Um avanço

Publicado em 22/06/2022 às 15h14
Aparelho de telefone celular smartphone
Smartphone é necessário para quase tudo. Crédito: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Pare para pensar em quanta coisa mudou à nossa volta em pouquíssimo tempo. Há 20 anos, durante minha infância, não existia GPS. Pelo menos, não comercialmente. Meu avô sabia de cor o nome de todas as ruas do bairro em que morava, perpendiculares e paralelas. A orientação para chegar em algum lugar era: “Conhece a esquina daquela padaria? Pois bem. Passe três ruas, vire à direita e chegará ao destino, que fica em frente a um edifício com vidro azul”.

Hoje simplesmente abrimos o nosso smartphone, conectado à internet (que ainda é 4G – não por muito tempo!), googlamos o nome do local (sim, um novo verbo, que faz referência à empresa líder em organização da informação mundial on-line) e, em pouco mais de três segundos, temos toda a rota traçada em nossas mãos. Pare para pensar na liberdade que ganhamos com essa invenção tecnológica: hoje é fácil se deslocar para qualquer lugar.

Ao que se tem notícia, a tecnologia que possibilitou o surgimento do GPS (Global Positioning System, em inglês) demorou aproximadamente 35 anos para tornar-se utilizável e funcional, tendo sido concluída em 1995. Curiosamente, foi o mesmo ano em que Bill Gates, fundador da Microsoft, foi alvo de gargalhadas em um programa televisivo explicando o potencial de mudança provocado pela internet.

Pouco antes, em 1990, iniciou-se a popularização dos dispositivos móveis conhecidos como celulares. Em 2007, dois fenômenos aconteceram: o lançamento do Google Street View, mapeamento por satélite com imagens 360º em que os usuários podiam caminhar virtualmente pelos endereços, e o lançamento do iPhone, smartphone de Steve Jobs que revolucionou toda a nossa relação com aparelhos celulares.

Nessa época, não era incomum ouvir críticas como: “Para que isso tudo? Eu preciso de celular somente para fazer ligação”. Após 13 anos do lançamento do iPhone, o mundo inteiro parou diante do surgimento de um vírus altamente contagioso. Coisa de filme de ficção científica que virou realidade para 8 bilhões de pessoas do mundo em poucos meses.

E a gente passou a precisar do smartphone para quase tudo. Até os mais saudosistas do passado não podiam ir ao mercado e precisaram se render às compras on-line. Só no Brasil, 81% da população tem acesso à internet, quase 175 milhões de pessoas. Não é nenhum exagero dizer que todo esse cenário, que evolui em ritmo exponencial, mudou por completo as relações sociais, as instituições, os hábitos de consumo e a forma como entendemos o Estado.

Pensemos, por exemplo, no sistema financeiro. Na Renascimento (século XIV), as trocas mercantis começaram a se intensificar, momento em que se fez necessária a organização e guarda de moedas em locais chamados bancos. No nosso país, colonizado a partir de 1530, tivemos a fundação do primeiro banco, o Banco do Brasil, em 1808, uma instituição pública que sobrevive há mais de 200 anos. Só aproximadamente 100 anos após a fundação do Banco do Brasil começaram a surgir os primeiros bancos privados, empresas comandadas por empresários, sem pertencer ao Estado.

Ainda assim, por ser um mercado altamente regulamentado, com forte ingerência do Estado, o cenário há poucos anos era de cinco grandes bancos dominando o setor, praticando altas taxas e prestando um serviço muitas vezes ineficiente. Após um movimento de rompimento de restrições regulatórias, novas empresas surgiram no mercado prestando microsserviços financeiros, que eram todos acumulados pelos grandes bancos.

Uma empresa conseguiu uma solução eficiente em empréstimos com taxas altamente competitivas e trazendo grandes facilidades. Outra resolveu o problema dos pagamentos e facilitou as transações entre pessoas. Esse movimento ocasionou mudanças também nos grandes bancos que foram provocados a se movimentar e digitalizar. De acordo com o Banco Central, 18.302 agências bancárias fechadas até o final de 2021. O ano de 2021 terminou também com o maior banco da América Latina sendo 100% digital, sem qualquer agência ou interação presencial.

Na história recente, é possível observar algo similar acontecendo com as criptomoedas. Em 2008, curiosamente um ano depois do lançamento do iPhone, surgiu o Bitcoin. Nesse momento, pouco se ouvia falar sobre o assunto e a moeda digital era avaliada em menos de 1 centavo. Após 14 anos, um Bitcoin vale em torno de 158 mil reais. Trata-se uma moeda que só existe em ambiente virtual, possui uma quantidade limitada e não está sujeita a nenhuma administração central.

Esses exemplos são sinais claros da evolução do Estado, que deixa cada vez mais de ser o centro da solução, nesse caso, financeira. E essa mudança perpassa pelo digital, um ambiente amplo, com poucos limites práticos e sem barreiras físicas. Menos Estado somado a mais digitalização é igual a um indivíduo com cada vez mais autonomia de escolha. É o futuro.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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