Quase toda quinta-feira temos conversado sobre os meandros das redes sociais em diversos contextos, sobretudo, na política, neste ano eleitoral. Hoje, trago um tema que enche e esvazia egos, a popularidade digital e a popularidade real – o paradoxo entre os dois extremos.
Sabemos muito bem do contexto da eleição anterior. Fala-se até de uma eleição de rede social, ou digital, que culminou com a vitória do atual presidente e dos atuais parlamentares. Todos sabem do seu esforço e dedicação diária nas redes sociais para comunicar, convencer e conversar com seus seguidores.
Hoje, já se fala que Bolsonaro possui um rebanho bastante engajado nas redes sociais, é umas das lideranças políticas com mais seguidores nas redes quando comparado com os demais candidatos à presidência, por exemplo. Interlocutores do presidente dizem que ele utiliza as redes como um termômetro para medir seus pesos e suas palavras, seus comportamentos, reações, e daí por diante. Parece não haver dúvida de que temos um presidente conectado as redes sociais e a seu grupo, mas e conectado ao mundo real?
Esse tema nos coloca diante de um paradoxo, sem medo de errar. Há quem seja um fenômeno nas redes, mas no mundo real não é conhecido ou reconhecido por todos. Isso acontece com artistas, “personalidades”. As redes sociais não estão formatadas para a realidade, para a diversidade, para as diferenças, mas para aquilo que nos conecta com nós mesmos a partir dos nossos interesses, a partir daquilo que curtimos e que, por ora, nos identificamos. Bauman já dizia das bolhas. E qual o maior perigo dessa ou dessas bolhas? Acreditar que elas são o suprassumo da minha fama e da minha popularidade.
Hoje, tudo o que circula nas redes sociais tem fisionomia de verdade, razão pela qual vemos tantos com os olhos fitos na popularidade de uma liderança política nas redes que não aceitam se questionar quando colocados em xeque com as pesquisas eleitorais (por exemplo) que podem sim ser questionadas, mas ao mesmo tempo podem ser uma fotografia da realidade da real popularidade.
Logo, logo, chega outubro, e a discussão que estamos abrindo hoje pode não fazer sentido ao primeiro olhar, mas ela se manterá aberta e por diversos motivos poderemos pautá-la com ainda mais envergadura quando as urnas forem abertas. Precisamos distinguir popularidade com a realidade. As duas podem sim fazer sentido, mas também podem não fazer. Acreditar que as redes estão bombando e que elas são termômetro para nutrir o desejo e as convicções pode ser apenas uma justificativa para não se encontrar com a frustração lá na frente.
As redes são instrumentos, são eficazes, são canais, são mídias, são espaços, mas nem tudo que reluz como digital é real.