A democracia se sustenta sobre um princípio essencial: o equilíbrio entre os Poderes. Mais do que um conceito, é condição concreta para a estabilidade institucional, a segurança jurídica e a confiança da sociedade. Quando esse equilíbrio se tensiona, o debate público deixa de ser apenas legítimo, torna-se necessário.
Nos últimos anos, essa discussão ganhou força no Brasil. Juristas, analistas e diversos setores passaram a questionar os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal. No Senado Federal, acompanhamos esse movimento com atenção e responsabilidade. O ponto não é enfraquecer a Corte, mas reafirmar que decisões judiciais devem estar ancoradas na Constituição e sujeitas ao devido escrutínio. Quando limites se tornam difusos, a segurança jurídica é afetada e, com ela, a confiança nas instituições.
Parte dessas discussões envolve decisões conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes. O debate é jurídico: questiona-se a aderência de determinadas medidas a princípios como o sistema acusatório, o devido processo legal e a imparcialidade do julgador. Entre os pontos levantados está a concentração de funções — investigação, determinação de medidas e julgamento — o que, segundo juristas, tensiona o modelo acusatório. Soma-se a instauração de inquéritos de ofício e a ausência de sorteio, alimentando o debate sobre o juiz natural.
Outro aspecto envolve medidas cautelares. A duração de prisões preventivas, especialmente sem denúncia em prazo adequado, tem gerado questionamentos sobre seus limites. A previsibilidade das decisões é pilar da democracia e não pode ser fragilizada.
No campo das liberdades, decisões que determinaram bloqueio de perfis também entraram no debate. Em alguns casos sob sigilo, levantam dúvidas quanto à compatibilidade com a vedação à censura prévia e com a liberdade de expressão.
O cenário se amplia com o caso envolvendo o ministro Dias Toffoli e o chamado Banco Master. Informações divulgadas apontam possíveis conexões entre estruturas financeiras investigadas e pessoas de seu círculo familiar. Em contextos assim, a necessidade de esclarecimento público rigoroso se impõe.
Esses elementos não podem ser ignorados. Com respeito à presunção de inocência, é necessário assegurar apuração transparente. A ausência de respostas claras fragiliza a confiança pública, ativo indispensável à estabilidade institucional.
Cabe ao Parlamento cumprir seu papel: zelar pelo equilíbrio entre os Poderes e pela integridade das instituições. Questionamentos consistentes exigem resposta dentro da legalidade; isso não fragiliza o Estado, mas fortalece sua credibilidade.
Do Senado Federal, seguirei acompanhando de forma permanente e responsável o funcionamento das instituições, guiado pelo compromisso com a democracia, com a Constituição e com o equilíbrio entre os Poderes. Isso implica também a defesa das garantias individuais, especialmente a liberdade de opinião, e a rejeição a qualquer prática que possa converter divergência política em instrumento de intimidação ou punição.
Democracias sólidas não temem o contraditório; elas o protegem.
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