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É presidente da Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais)

O olhar de longo prazo para o setor de rochas naturais

O Brasil é atualmente o quarto maior produtor mundial e o quinto maior exportador de rochas naturais, tendo o Espírito Santo papel de destaque e sendo seguido no ranking por Minas Gerais e Ceará

  • Tales Machado É presidente da Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais)
Publicado em 26/02/2026 às 13h14

A história do setor de rochas naturais está profundamente conectada ao desenvolvimento do Brasil. O que começou no chão das pedreiras, com trabalho manual e visão empreendedora, transformou-se em uma das cadeias produtivas mais organizadas e internacionalizadas da indústria do país.

Com cerca de um século de evolução na forma como é conhecido hoje, o segmento percorreu uma trajetória marcada por organização, tecnologia e abertura de mercados. Desde os primeiros registros de extração industrial nas décadas de 1920 e 1930 até a consolidação do polo do sul do Espírito Santo a partir de 1957, a atividade ganhou escala e visão empresarial. O mármore branco extraído na região, inclusive, ajudou a erguer Brasília.

Ao longo das décadas, o setor de rochas naturais incorporou inovação, levou profissionalização para os processos e ampliou sua presença internacional. O amadurecimento resultou na criação de entidades estratégicas e, posteriormente, na consolidação da Centrorochas, que hoje reúne mais de 470 empresas em 17 estados, e possui atuação também internacional, graças à assinatura do convênio setorial com a ApexBrasil.

Os resultados desse planejamento de longo prazo são expressivos. O Brasil é atualmente o quarto maior produtor mundial e o quinto maior exportador de rochas naturais, tendo o Espírito Santo papel de destaque e sendo seguido no ranking por Minas Gerais e Ceará.

O setor gera cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos e mantém uma das balanças comerciais mais positivas da indústria nacional. Um outro dado reforça o potencial da atividade: o Brasil possui a maior diversidade geológica do planeta, com mais de 1.200 variedades de rochas catalogadas.

Em 2025, um marco histórico: US$ 1,5 bilhão em exportações frente a US$ 45 milhões em importações, com superávit superior a US$ 1,4 bilhão. Foram alcançados 132 países e os Estados Unidos seguem como principal destino. Mesmo diante de tensões comerciais internacionais, o setor demonstrou resiliência, agindo de forma organizada na diplomacia empresarial perante autoridades nacionais e americanas.

Chapas de rochas ornamentais produzidas no Espírito Santo
Chapas de rochas. Crédito: Sindirochas/Divulgação

O olhar é de futuro. Projetos como o Brazilian Natural Stone Hub, nos Emirados Árabes Unidos, reforçam a estratégia de posicionamento global com foco em valor agregado, inteligência de mercado e construção de reputação internacional.

Como meta, o setor pretende atingir US$ 3 bilhões em exportações até 2030. Para isso, alguns desafios precisam ser enfrentados: maior agilidade e previsibilidade no licenciamento mineral e ambiental; investimentos em infraestrutura logística; modernização das regras de transporte; e a inclusão do Sul do Espírito Santo na área de abrangência da Sudene, ampliando a competitividade regional.

O setor de rochas naturais cresceu com união institucional, visão estratégica e capacidade de adaptação. E é com esse olhar de longo prazo que continuará contribuindo para o desenvolvimento do Brasil.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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