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De Iconha a Moçambique, a marca da prosperidade do livre mercado

Um ambiente de negócios favorável, com liberdade de atuação, é capaz de engrenar o mercado de forma a incentivar empreendedores em qualquer lugar e em qualquer época

Publicado em 18/11/2020 às 09h01
Iconha, Sul do Espírito Santo
Iconha, Sul do Espírito Santo. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

Quantas vezes não paramos diante de um monumento tão perfeito ou vivemos uma situação tão maravilhosa que nos faz perguntar: como nós chegamos até aqui? Olhar para a história das coisas nos permite ver o quanto a vontade e a garra de cada revolucionário foi fundamental para os avanços. Mas como identificar ou até mesmo diferenciar os revolucionários dos demais e quais são as condições necessárias para que eles, de fato, consigam se desenvolver?

A liberdade para negociar e fazer trocas entre si de forma voluntária é o que chamamos de livre mercado. Por mais fora da curva que uma pessoa seja, dificilmente construir algo não passará por ter o apoio de outras pessoas. Por isso, o processo de criar terá, em seu meio, a negociação e a troca entre indivíduos mutuamente interessados. Novamente, basta olhar para a história para entender o quanto as negociações foram um fator importante para o desenvolvimento de cidades e regiões.

Um bom exemplo de um ambiente de livre mercado é o desenvolvimento da região Sul do Espírito Santo. Em 1880, a localidade de Iconha ainda era um local pouco explorado e foi nessa época que se destacaram as ações de Duarte e Beiriz. Juntos, os dois compraram terras e desenvolveram o comércio local, levando para a região muitas famílias italianas interessadas em seguir suas vidas, mesmo em troca de mínimas condições de trabalho e prosperidade.

O interesse de cada um proporcionou um ambiente de trocas e aquecimento do mercado local, e assim, em 1904, Iconha se tornou a sede administrativa da região, fruto do avanço e do seu desenvolvimento extraordinário.

Avanços como esse também podem ser feitos em um curto espaço de tempo e em escalas menores. Em 2015, morei em Moçambique, em uma região bem interiorana e pouco desenvolvida em vários aspectos. Um mês após me mudar, descobri que existia uma única academia de musculação no local e, mais surpresa ainda, eu fiquei em saber que o instrutor e dono da academia era o Otavio, um amigo da faculdade.

Otávio se interessava por exercícios e procurava por conta própria aprender para desenvolvimento pessoal. Tudo o que aprendeu foi via internet e, com o tempo, algumas pessoas que notaram seu progresso começaram a pagar por uma orientação. Com esse dinheiro ele investiu em equipamentos e montou de fato a sua academia. Verdade seja dita, Otávio não era formalmente treinado para a função, porém, ainda assim era a pessoa mais instruída do local e conseguia ensinar e levar informação para uma região a um preço acessível aos locais.

A busca por realização dos sonhos individuais tem como resultado de fácil visualização o ganho pessoal. Porém, uma das suas facetas não tão obvias é que, de certa forma, quando uma pessoa arrisca a desenvolver ou conquistar algo, ela alavanca consigo as pessoas a sua volta que também são beneficiadas pelos efeitos colaterais de suas ações.

Por mais que Duarte e Beiriz tenham prosperado em seus negócios, toda a população da região passou a ter também comércio próprio e outros recursos que elevaram sua qualidade de vida, de uma forma geral.

Similarmente, embora Otávio tenha se beneficiado financeiramente, a ponto de conseguir recursos para montar a academia de musculação, a população local passou a ter um instrutor físico ao qual recorrer. Desse modo, ter um ambiente de negócio favorável, com liberdade de atuação, é capaz de engrenar o mercado de forma a incentivar empreendedores e, dessa forma, satisfazer e suprir cada vez mais a necessidade da população.

A autora é associada I do Líderes do Amanhã

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