Sair
Assine
Entrar

Cultura

Festas na Rua da Lama devem entrar para calendário da cidade?

Projeto de lei aprovado por vereadores pretende regularizar a realização de eventos às terças, quintas e sábados no famoso point de Jardim da Penha, em Vitória, mas moradores são contrários

Publicado em 02 de Agosto de 2019 às 13:57

Publicado em 

02 ago 2019 às 13:57
Projeto de lei aprovado na Câmara dos Vereadores regulamenta festa na Rua da Lama Crédito: Amarildo
 
É PRECISO ENTENDER A RUA COMO UM PONTO TURÍSTICO
Diogo Cypriano é empresário e produtor cultural
Desde 2008, estou à frente do Birita Casa de Cocktail, sempre na Rua da Lama. Nesses 11 anos, sempre percebi um descaso com a rua, basta ver como é o Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto, e como é o trecho de bares na Avenida Anísio Fernandes Coelho, em Jardim da Penha. Sempre incentivei a música ao vivo no bar, mas foi a partir de dezembro de 2014, quando idealizei o Som de Fogueira, com a ideia de focar e valorizar a música autoral, que eu percebi a vocação cultural do local.
Com ajuda da opinião pública e uma dedicação enorme dos músicos capixabas, conseguimos trazer um holofote para a rua, mas dessa vez de forma positiva. Aumentamos o diálogo com a Prefeitura de Vitória e, graças ao apoio do então vereador Fabrício Gandini, conseguimos levar para as edições de terças-feiras fiscalização, fechamento da rua, policiamento e estrutura para os músicos se apresentarem.
Com a ideia de aproveitar o case de sucesso do Som de Fogueira e organizar de forma harmônica a ocupação da Rua da Lama, tentei mostrar aos vereadores, que são os representantes da cidade, a importância de se antecipar e regulamentar os eventos no local. O vereador Vinícius Simões entendeu a oportunidade e protocolou o Projeto de Lei que coloca as festas na Rua da Lama no calendário oficial de eventos da cidade.
Basta olhar para exemplos como a Lapa (RJ) ou a Vila Madalena (SP), locais que foram transformados com cultura, urbanização e gastronomia
Até então ninguém queria debater o assunto Rua da Lama, mas era unânime que o tema causava ruído e a imagem era ruim. Agora que surgiu uma oportunidade ímpar de mudança e transformação da rua em um potencial local turístico e cultural, aparecem várias pessoas dando opiniões, mas sem realizar nenhuma ação.
No dia 22 de julho, participei da audiência pública da Associação de Moradores de Jardim da Penha, a fim de debater o tema e explicar a intenção do projeto de lei, mas foi nítido que estava em um ambiente político ocupado por oportunistas, querendo jogar a população contra os produtores culturais e comerciantes. Foi lamentável e um desserviço para a sociedade esse encontro. Moradores induzidos a simplesmente falar mal, sem oferecer nenhuma proposta melhor, atacaram frequentadores da Rua da Lama como se fossem marginais e questionaram a necessidade de mais eventos culturais.
Esse questionamento foi derrubado quando fiz uma só pergunta para eles: quem são seus ídolos da música capixaba? Nesse momento, houve um silêncio. Enfim, não precisamos inventar um novo modelo, basta olhar para exemplos como o Brooklyn (NY), a Lapa (RJ) ou a Vila Madalena (SP), locais que são referências e foram transformados com cultura, urbanização e gastronomia.
Eu acredito muito no potencial da Rua da Lama, mas é preciso entender a rua como um ponto turístico da capital do Espírito Santo. E sobre fechar um bloco da rua para pedestre, olhemos para a Times Square, em Nova York, ou a Lincoln Road, em Miami, exemplos claros de como isso pode dar certo. Acho que precisamos parar de ter esse sentimento provinciano e colocar de vez Vitória como uma das melhores cidade para se viver.
EFEITOS NEGATIVOS SUPLANTAM OS POSITIVOS
Peterson Pimentel é coordenador Geral da Associação de Moradores de Jardim da Penha
Eventos culturais são sempre bem-vindos! Desde que não tragam transtornos e gerem desconfortos a outrem, não é mesmo? Para que isso aconteça, faz-se necessário o debate construtivo na busca de consenso, ações planejadas e boa convivência.
Nesse contexto, a Associação de Moradores de Jardim da Penha (AMJAP) foi mediadora de uma reunião realizada no dia 22 de julho, com os vários setores interessados – produtores culturais, frequentadores, moradores e comerciantes da Rua da Lama, famoso “point” do bairro de Jardim da Penha, em Vitória.
O encontro também reuniu representante da Polícia Militar, o secretário Municipal do Meio Ambiente, Luiz Emanuel Zouain da Rocha, e o vice-prefeito, Sérgio Sá Freitas, analisando as medidas a serem tomadas frente a propositura de projeto de lei de autoria do vereador Vinícius Simões, também presente ao evento, para inserir no Calendário Oficial de Eventos de Vitória o evento “Na Lama” onde foi possível, com clareza e transparência, apresentar vários visões da rua.
Transtornos trazidos com trânsito, com a dificuldade de locomoção e com a insegurança gerada são prejudiciais ao bem-estar das pessoas
Para os moradores da rua, é latente os dissabores com o excesso de barulho e a sujeira deixada pelos frequentadores do local, localizado em trecho da Avenida Anísio Fernandes Coelho. Para os comerciantes, o uso indevido do espaço e mesmo o vandalismo de alguns depredam e sujam seus pontos comerciais, contabilizando ao final significativo prejuízo.
Para os já citados e para os demais moradores ou frequentadores do bairro, os transtornos trazidos com o grande fluxo de trânsito, com a dificuldade de locomoção na área e com a insegurança gerada são prejudiciais ao bem-estar das pessoas. Para outros agentes e órgãos envolvidos, as ações necessárias, pertinentes à saúde, à segurança, ao controle, à organização e ao apoio, são comprometidas devido ao grande número de frequentadores, mesmo com avanço da Prefeitura de Vitória na multa de R$ 6.500,00 ao proprietário do veículo com som alto.
Frente ao exposto, ao final do encontro decidiu-se pela composição de uma comissão com representantes dos setores interessados para uma discussão mais ampliada do tema, buscando uma solução que atenda a todos de forma responsável e respeitando em primeiro lugar os moradores, sem contudo perder a visão da importância de realização de eventos culturais que possam atrair público e movimentar a economia.
Dessa forma, pelo posicionamento obtido na citada reunião, o encaminhamento da Associação de Moradores é para solicitar ao prefeito Luciano Rezende o veto ao projeto de lei, pois sem determinados estudos e ações efetivas, os efeitos negativos suplantam em muito algum ponto positivo que porventura exista. No momento, a realização de eventos na Rua da Lama, por seu porte e precária infraestrutura, pelos incômodos e transtornos trazidos aos moradores, são diametralmente contrários aos interesses da comunidade.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Serra x Vilavelhense, pela Copa Espírito Santo 2026
Vilavelhense vira, derrota o Serra e entra no G-4 da Copa Espírito Santo
Imagem de destaque
Dia das Mães: como surgiu a comemoração no Brasil e por que a data varia no mundo
Alemão do Forró faz desabafo após ônibus da produção ser alvo de tentativa de roubo
Alemão do Forró faz desabafo após ônibus de sua equipe ser alvo de tentativa de furto

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados