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Francis Gome Ferrari, 37 anos, grávida de oito meses. Francis foi contratada como executiva de uma distribuidora de medicamentos quando estava no início da gestação
Francis Gome Ferrari, 37 anos, grávida de oito meses. Francis foi contratada como executiva de uma distribuidora de medicamentos quando estava no início da gestação. Crédito: Carlos Alberto

Francis conseguiu o que muitas não alcançam: ser contratada grávida

Ela descobriu a gestação aos dois meses quando participava de um processo seletivo para o cargo de diretora. Segundo a executiva, maternidade nunca foi obstáculo para a carreira

Publicado em 04/10/2020 às 07h30
Atualizado em 20/10/2020 às 12h10

No mercado de trabalho, a contratação de mulheres grávidas era algo incomum ou mesmo raro. Mas muitas empresas estão mudando esse paradigma e vendo que essas profissionais têm talento de sobra e que a gestação não é critério para produtividade.

Francis Gomes Ferrari, de 37 anos, é um exemplo de uma mãe que conseguiu se destacar no processo seletivo, mesmo esperando um filho. Durante a disputa por uma vaga, ela descobriu que estava no segundo mês de gravidez, e mesmo anunciando aos recrutadores sobre sua condição e concorrendo com homens, ela ficou com o cargo.

Ela foi contratada como diretora administrativa financeira da Millenium Comercial, empresa que atua na distribuição de medicamentos. A seleção começou em fevereiro e suas atividades na companhia começaram em maio. Hoje, a executiva está com oito meses de gestação.

“Logo que descobri a gravidez, informei à organização. O cargo executivo exigem um nível muito alto de dedicação e eu não sabia como a empresa receberia essa informação. O assunto foi recebido de maneira muito natural, o que diz muito sobre a postura da companhia na gestão de pessoas”, comenta.

Para ela, que mantém intensa a rotina de trabalho, não há diferenças na entrega de resultados entre homens e mulheres no mercado. “Sempre trabalhei como executiva e estava preparada para assumir o cargo. Se mulher e estar grávida não é empecilho para ter um bom desempenho”, diz.

A trajetória profissional de Francis sempre foi dedicada à área de finanças e controladoria e na carreira executiva. Ela é formada em Administração, tem dois MBAs, em Controladoria e Gestão Empresarial, é mestranda em Administração e mãe de uma menina de 5 anos. 

“Ter um filho nunca foi uma objeção para eu estudar e trabalhar. A mulher não pode deixar de se permitir vencer na carreira por conta da maternidade. Lidei sempre de forma tranquila com essa relação familiar. Acredito que o segredo em balancear a família com a carreira está diretamente ligado a um planejamento muito bem desenvolvido. Tudo vai depender da forma com que a pessoa vai lidar com todos esses compromissos. A gente só dá importância a isso quando é mãe. As dificuldades devem ser utilizadas como um ponto positivo, bem como os desafios devem ser transformados em força e oportunidades”, avalia.

Segundo Francis, uma carreira bem-sucedida deve ser traçada com estudo e planejamento, sempre se guiando pelos objetivos.

Francis Gomes Ferrari

Diretora Administrativa Financeira

"Atuei sempre em cargos de liderança, em ambientes muito masculinos, mas isso também nunca foi impedimento. Em todos os processo seletivos que participei, disputei a posição com homens, mas nem por isso deixei de ser mulher, de ir trabalhar maquiada, entre outras coisas. Se você tem um bom posicionamento, não importa ser do sexo masculino ou feminino"

A base familiar da executiva sempre lhe ensinou que se ela queria mudar sua realidade, essa mudança viria através do estudo e da dedicação.

“Trabalho desde os 15 anos. Minha mãe me instruiu a não depender de ninguém, só de mim mesma, e por isso, sempre corri atrás do que eu acreditava. Quando as pessoas pensam em cargos de executivos, logo deduzem que esses profissionais vieram de família rica, o que não era o meu caso. Estudei em escola pública e isso nunca foi objeção para que eu pudesse alcançar as coisas”, destaca.

Como executiva, ela cobra a entrega de resultados e costuma incentivar a equipe, sem passar a mão na cabeça de ninguém. Daqui a cinco anos, ela que estar ainda mais focada no desenvolvimento da companhia, com ética acima de tudo, com dedicação e trazendo com ela uma equipe de alta performance.

HABILIDADES

Com a abertura do processo seletivo da empresa, Francis foi a única mulher na disputa das vagas e foi a que mais se destacou entre todos os candidatos, por ser considerada a mais qualificada para assumir a função.

“Em momento nenhum a gravidez dela foi um fator para eliminá-la da seleção. Ela foi a que mais se destacou entre os concorrentes porque tinha habilidades e as competências dela eram as ideais para o perfil do cargo. Temos muito que aprender com a executiva, porque ela nos trouxe experiências diferentes, o que vai resultar em desenvolvimento e oportunidade para a organização e para as pessoas que trabalham com ela. Francis é dedicada e um exemplo para homens e mulheres”, afirma o gerente de Recursos Humanos da Millenium, Luiz Felipe da Silva.

A diretora comercial da Rhopen, Cátia Horsts, aponta que muitas empresas estão passando por estruturação nas práticas de RH e na contratação de executivos de diversas áreas. As companhias têm feito um reposicionamento da cultura das organizações. Segundo Cátia, houve um trabalho para mudar a visão dos executivos e acionistas para que eles enxergassem o que realmente importa, que sãos as habilidades e competência, independentemente do sexo.

“A mulher não pode deixar de ser quem ela é - mãe, esposa e profissional - para ocupar o seu espaço no mercado de trabalho. As empresas precisam entender que, às vezes, essa colaboradora vai precisar se ausentar para atender às necessidades familiares. As empresas precisam confiar na capacidade de entrega dessas profissionais. Elas se sentirão devedoras naquilo que lhes foi confiado e o nível de comprometimento só vai aumentar ”, afirma.

Na opinião da diretora técnica da Rhopen, Jaciara Pinheiro, no mundo dos negócios, assim como em outras esferas da nossa sociedade, a figura masculina ainda é predominante. Para ela, essa é uma característica da nossa cultura e a luta pela equidade de gênero no trabalho é longa e diária.

Em casos das posições executivas, muitas empresas de renome nacional e internacional estão promovendo mulheres em cargos de liderança e divulgando essas iniciativas para o mercado. As organizações se preocupam, no entanto, que isso seja visto apenas como uma ação de marketing.

“De qualquer forma, isso representa avanços claros na luta pela equidade. Devem ser observadas pelo viés da competência, produtividade e capacidade de gestão. Em alguns segmentos, historicamente dominados pelos homens, a mulher vem avançando. O principal benefício da inserção da mulher em quadros de liderança é a promoção a diversidade de ideias e da criatividade na solução de problemas e a busca de novos caminhos para o crescimento da sociedade”, comenta.

Jaciara ressalta que mulheres e homens vão apresentar estilos diferentes de liderança. Cada estilo, segundo ela, tem o seu valor, precisa ter as mesmas oportunidades e ser avaliado de acordo com os mesmos princípios.

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