ASSINE
Raissa tinha no sorriso fácil uma de suas marcas registradas
Raissa tinha no sorriso fácil uma de suas marcas registradas. Crédito: Redes sociais

Assassinada com um tiro, Raíssa organizou última festa da família

A adolescente de 15 anos foi morta pelo ex-namorado, no dia 24 de abril, na casa de um tio em Cariacica

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 29/04/2021 às 19h50

A filha mais velha do pai e o dengo da avó, Raissa da Silva Souza era uma garota muito extrovertida. Criada em Flexal, Cariacica, a menina de 15 anos adorava dançar. Tanto que colocou a família toda para balançar as 'cadeiras' no último Natal. Realmente foi o último evento festivo para Raissa, pois ela foi assassinada com um tiro na cabeça no último dia 24 de abril.

A adolescente foi alvo da ira de um namorado que insistia em não aceitar a escolha de Raissa em não namorá-lo mais. O crime aconteceu na casa do tio da menina, em Vila Prudêncio, Cariacica. E até hoje não se tem uma solução. 

Sempre divertida quando criança, Raissa adorava dançar as músicas da moda. Animava a todos com as cantorias e passava grande parte do tempo se divertindo com os cavalos da família antes de entrar na adolescência. "Ela ia muito na minha casa, era doce e cheia de sorrisos. Cresceu no bairro, mas há quatro anos os pais se mudaram para Vila Velha, com os dois irmãos mais novos de Raissa", conta a avó, Glória de Castro, 55 anos, estudante de serviço social.

FUTURA POLICIAL

E quando crescesse? "Ah, ela falava que quando fosse adulta seria policial, pois as mulheres policiais impunham respeito, segundo ela. Minha neta sonhou e não conseguiu realizar", lamentou a avó. 

Aluna aplicada no colégio, a diversidade de coisas que Raissa gostava de fazer era imensa. Até curso de fotografia a adolescente fez para fazer fotos das amigas. 

Raissa da Silva Souza, 15 anos, foi morta em Cariacica
Raissa da Silva Souza, 15 anos, namorada. Crédito: Rede Social

O NAMORO

O sonho e a vida de Raissa acabaram quando ela chegou na adolescência, a tão famosa fase das experimentações. Entre idas e vindas para Flexal, onde morava a irmã mais velha de Raissa e a maioria dos tios, primos e a avó, a  menina cruzou com o um morador do bairro, Guilherme Mamede.  Logo depois de completar 14 anos, Raissa engatou no namoro não bem visto pela família. 

Raissa vivia circulando de moto com o namorado, muitas vezes sem usar capacete e em alta velocidade pelas ruas de Flexal. O visual mudou, novos vícios e já não frequentava mais a escola. Até dos pais e dos parentes a menina se afastou.  

Gloria de Castro

Avó de Raissa

"Era uma moça muito bonita, educada e comportada. As lembranças serão sempre dela pequena e se divertindo. É o que sobrou pra gente. Minha neta só tinha 15 anos e ainda tanto a aprender pela vida a frente. Mas acabou tudo"

Entre altos e baixos no relacionamento, as poucas vezes que Raissa se reuniu com a família teve que abrir mão da presença do namorado. Já que não era uma relação vista com bons olhos pelos parentes, ela evitava. No Natal, porém, a garota do sorriso fácil  organizou uma confraternização que contou com muita música, pais, tios, primos e até a vovó dançando muito e se divertindo. 

PERDÃO

No dia 23 de janeiro, Raissa reencontrou a família, mas dessa vez em razão da tristeza. Um tio havia sido assassinado dentro de casa a tiros, em Flexal. No velório do tio, a adolescente chegou acompanhada pelo namorado e pediu permissão à avó para ele entrar também no local.

"Eu jamais diria não. Raissa me deu um abraço e pediu perdão. Disse 'vó, me perdoe pela vida torta que estou levando', e chorou. Ela estava chocada com a perda do tio. Eu disse para ela só procurar ficar bem, pois era uma fase de adolescente rebelde", relembra a avó. 

O que Dona Glória não sabia é que três meses depois daquele abraço da neta, a estaria enterrando também assassinada. 

Raissa da Silva Souza, 15 anos, assassinada em Vila Prudêncio, Cariacica
Raissa da Silva Souza, 15 anos, assassinada em Vila Prudêncio . Crédito: Rede Social

O CRIME

A morte de Raissa é tratada como feminicídio e a polícia tem como principal suspeito o ex-namorado com quem a adolescente havia terminado o relacionamento um dia antes. Após ameaças via áudio e vídeo, ele encontrou Raissa na casa dos pais de onde a tirou chorosa e terminou morta. 

O caso ainda está sendo apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), mas ainda sem respostas para os parentes que temem uma outra tragédia. 

"Ela era uma moça muito bonita, educada e comportada. As  lembranças serão sempre dela pequena ou se divertindo na piscina, jogando bola, toda alegre. É o que sobrou pra gente que fica carregando no peito essa dor de nunca mais vê-la. Minha neta só tinha 15 anos e ainda tanto a aprender pela vida a frente. Mas acabou tudo", desabafou a avó.

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.