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Preta Gil: entenda o que é recidiva de câncer com metástase

Preta Gil: entenda o que é recidiva de câncer com metástase

Quando o câncer retorna e se espalha para outras partes do corpo, é chamado de recidiva com metástase, uma das formas de reativação tumoral

Publicado em 21 de julho de 2025 às 15:37

Preta Gil
Preta Gil faleceu vítima de um câncer de intestino Crédito: Reprodução @pretagil

Em agosto de 2024 a cantora Preta Gil contou que o câncer tinha voltado em quatro locais diferentes do corpo: dois linfonodos, uma metástase que fica no peritônio e uma lesão no ureter. Ela descobriu após fazer exames de rotina. 

"Eu tive um câncer no intestino que eu tratei, me curei dele, fui liberada pelos médicos completamente para seguir uma vida perto da normalidade. Estava indo muito bem na minha reabilitação e tenho exames periódicos para serem feitos enquanto estiver em remissão. Remissão é um período de cinco anos em que o câncer pode voltar. O meu câncer voltou". O retorno do câncer após um tratamento é chamado de recidiva. A cantora faleceu neste domingo

A oncologista  Juliana Alvarenga explica que a recidiva do câncer ocorre por uma série de mecanismos biológicos e clínicos, como a presença de doença residual microscópica, heterogeneidade tumoral, resistência às terapias instituídas e o microambiente tumoral. "Ela resulta da persistência ou reemergência de células tumorais viáveis após o tratamento inicial, que não foram completamente eliminadas. Essas células podem permanecer em estado de latência por meses ou anos antes de voltarem a proliferar".

A médica conta que após o tratamento inicial, algumas células tumorais residuais podem permanecer em estado quiescente, resistindo a terapias. "Essas células podem sofrer reativação e proliferação. Se houver disseminação sistêmica, ocorre a metástase, com colonização de órgãos distantes como pulmões, fígado, ossos ou cérebro".

A recidiva com metástase é, portanto, o termo usado quando acontece o retorno do câncer após um período de remissão clínica ou radiológica, ou seja, após período sem evidência de doença, associada à presença de focos secundários tumorais à distância, caracterizando um estágio metastático da doença.

Entenda os fatores

Em muitos casos, a doença pode retornar e, por vezes, com maior agressividade. “Esse retorno é conhecido como recidiva. Quando o câncer retorna e se espalha para outras partes do corpo, falamos em recidiva com metástase, uma das formas de reativação tumoral”, explica Camila Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita.

A médica argumenta que a recidiva acontece quando, após um período de remissão, células cancerígenas reaparecem no mesmo local (recidiva local), próximo ao tumor original (regional) ou em órgão distantes (à distância), caracterizando uma metástase.

De acordo com Camila Cezana, a recidiva indica que células cancerígenas sobreviveram ao tratamento inicial e conseguiram migrar para outros tecidos, como ossos, fígado, cérebro e pulmões. 

Nesse momento, o tratamento torna-se mais desafiador e as chances de cura costumam ser menores

Camila Cezana

Oncologista

Há vários fatores que contribuem para que a recidiva ocorra. “Há situações em que pequenas células cancerosas sobrevivem aos tratamentos como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia e permanecem dormentes no organismo por meses ou até anos. No entanto, com o passar do tempo, podem reativar”, esclarece a médica.

A médica diz que o objetivo sempre é erradicar as células malignas. "Mas algumas são mais resistentes aos tratamentos e outras se alojam em locais onde a terapia convencional possui certa dificuldade em chegar”, diz. Razões como o tipo de tumor, estágio no diagnóstico, resposta inicial ao tratamento e características genéticas do câncer também interferem na chance da doença voltar.

Tipos de recidiva do câncer

Existem diferentes tipos de recidiva do câncer, classificados principalmente com base na localização da recorrência em relação ao tumor original.

Recidiva local, que se define pela recorrência da doença que ocorre no mesmo local ou muito próximo do local onde o tumor primário se originou. 

Recidiva regional que ocorre nos linfonodos ou tecidos adjacentes à área original do tumor, mas não exatamente no mesmo local. 

Recidiva à distância (metastática) que ocorre quando o câncer retorna em órgãos ou locais distantes do tumor primário.

Pacientes oncológicos são monitorados de tempos em tempos por meio de exames de imagens e de sangue, a depender do protocolo. São nesses momentos que a recidiva costuma ser identificada em tomografias, ressonâncias magnéticas, PET scans, consultas clínicas e exames de sangue. “Os sinais da recidiva, por muitas vezes, são silenciosos. Daí a importância dos exames periódicos para revelar alterações antes que os sintomas apareçam. E, quando presentes, variam de acordo com a localização da metástase. Há quem sinta dores ósseas, tosses crônicas, perda de peso sem causa aparente, fadiga intensa”, observa Camila Cezana.

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