Publicado em 28 de fevereiro de 2024 às 14:58
Quando se fala em menopausa, a primeira coisa que vem à mente é o declínio sexual. Mas esse processo, pelo qual todas as mulheres passam, não deve ser interpretado como tal — e, sim, como uma nova etapa a ser descoberta, um período de transição e autocuidado. >
Isso não significa que não seja interessante recorrer a tratamentos para manter a função sexual, como veremos a seguir.>
A menopausa, a interrupção do sangramento menstrual por um período contínuo de pelo menos doze meses, é causada pela redução dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio e a progesterona. Às vezes, ela também pode ser desencadeada precocemente por procedimentos médicos, como a remoção cirúrgica dos ovários ou a radioterapia na região pélvica.>
A alteração hormonal causa mudanças não apenas na anatomia genital, mas também a nível mental e emocional. Nos órgãos genitais, a perda de elasticidade e o ressecamento vaginal devido à redução do fluxo sanguíneo são evidentes. As mulheres podem observar essas alterações com a ajuda de um espelho.>
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Há também mudanças que não são detectáveis a olho nu. A microbiota da vagina, composta de microrganismos que protegem contra infecções, diminui e altera o pH vaginal, que é a principal causa de candidíase (infecção por fungos) de repetição.>
O desejo, ou a libido, também é afetado, provavelmente devido a dificuldades na penetração. Sintomas como ressecamento, irritação ou queimação formam um círculo vicioso de dor.>
Todas essas alterações e desconfortos genitais, juntamente aos distúrbios urinários, são chamados de “síndrome geniturinária da menopausa” — e prejudicam consideravelmente a qualidade de vida das mulheres envolvidas.>
Claro que não! O maior problema é a falta de tratamento, que exige conhecimento dos sintomas e do impacto na qualidade de vida das pessoas afetadas. Até este ano, os profissionais não dispunham de um questionário para avaliar os sintomas vaginais que causam distúrbios sexuais.>
Para atenuar esse problema, professoras da Faculdade de Fisioterapia e Enfermagem da Universidade Castilla-La Mancha (UCLM), na Espanha, elaboraram uma ferramenta de avaliação para medir as alterações na penetração vaginal. O objetivo é que os profissionais de saúde possam avaliar e oferecer tratamentos específicos para cada mulher individualmente.>
Vamos começar com alguns hábitos simples que podem ajudar a reverter os sintomas:>
Há também tratamentos não invasivos que estão provocando mudanças efetivas e de longo prazo na saúde sexual de mulheres na menopausa. Dois deles se destacam:>
Estudos recentes mostraram que o laser pode restaurar o epitélio vaginal, e também foram observadas melhoras na flora vaginal, o que favorece a redução do ressecamento. Há uma limitação, no entanto: no momento, seu alto custo impede que seja acessível a todas as mulheres.>
Essa técnica é menos invasiva do que o laser de CO₂ vaginal. Os resultados promissores desse tratamento, administrado por fisioterapeutas especializados em saúde pélvica, estão atualmente sendo estudados.>
Precisamos lembrar que a menopausa não é sinônimo de declínio na vida sexual. Conhecer os sintomas para elaborar tratamentos específicos é fundamental para nos permitir melhorá-la. De qualquer forma, essa fase da vida da mulher oferece a oportunidade de explorar novas formas de autocuidado e função sexual.>
*Claudia Andrea Quezada Bascuñán é aluna de doutorado da Universidade Castilla-La Mancha, na Espanha; Asunción Ferri Morales é professora na mesma instituição de ensino; e Cristina Lirio Romero é fisioterapeuta e pesquisadora de neurorreabilitação, também na Universidade Castilla-La Mancha.>
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