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Quebra-pedra: 8 benefícios da planta que será utilizada pelo SUS

Quebra-pedra: 8 benefícios da planta que será utilizada pelo SUS

Ela tem potencial para prevenir pedras nos rins e na vesícula, melhorar a saúde hepática e aliviar a constipação

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 17:29

A quebra-pedra é uma planta com propriedades medicinais (Imagem: Lukman Nurrohim | Shutterstock)
A quebra-pedra é uma planta com propriedades medicinais Crédito: Imagem: Lukman Nurrohim | Shutterstock

Encontrada em diversos habitats tropicais, a quebra-pedra ( Phyllanthus niruri ) carrega diversos relatos sobre sua aplicação prática no cuidado da saúde. É uma planta medicinal com potencial para prevenir pedras nos rins e na vesícula, melhorar a saúde hepática e aliviar a constipação, graças à sua composição que inclui flavonoides, ligninas e triterpenos, responsáveis por propriedades antioxidantes e hepatoprotetoras.

O Brasil produzirá o primeiro fitoterápico industrializado a partir da planta quebra-pedra, que é tradicionalmente usada para auxiliar no tratamento de distúrbios urinários. A produção seguirá os protocolos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) firmou acordo com a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) para o desenvolvimento do medicamento, além de acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Segundo a Fiocruz, primeiro será feita a produção de lotes para estudos de estabilidade. Depois, os resultados devem ser submetidos à Anvisa. Só então, o medicamento poderá ser fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), etapa estimada em até dois anos.

A seguir, confira 8 benefícios da erva quebra-pedra e como usá-la!

1. Redução de cálculos renais

A quebra-pedra é conhecida por sua ação antilitíase, ou seja, sua capacidade de reduzir a formação de cálculos renais . Segundo a tese de doutorado de Nidia Denise Pucci, “Efeitos do Phyllanthus niruri em parâmetros metabólicos de portadores de litíase urinária”, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a ingestão do chá por 15 semanas reduziu significativamente o número de cálculos nos pacientes analisados.

Conforme o Anexo I da RDC Anvisa N° 10, de 9 de março de 2010, da resolução que dispõe sobre a notificação de drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dá outras providências, a infusão da planta pode ser usada para ajudar no tratamento de litíase renal, por auxiliar na eliminação de cálculos renais pequenos.

2. Prevenção da hipercalciúria e hiperuricosúria

Ainda conforme o estudo “Efeitos do Phyllanthus niruri em parâmetros metabólicos de portadores de litíase urinária”, o uso da erva é eficaz na prevenção de condições como hipercalciúria (excesso de cálcio na urina ) e hiperuricosúria (excesso de ácido úrico na urina). Essas condições estão diretamente associadas à formação de cálculos urinários, e a quebra-pedra atua equilibrando os níveis metabólicos, reduzindo os fatores de risco.

3. Eficácia no combate à leishmaniose cutânea

No estudo “Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida”, publicado na revista Planta Medica , pesquisadores da Unicamp investigaram os efeitos da quebra-pedra na leishmaniose cutânea, doença infecciosa e não contagiosa que causa úlceras na pele e mucosas.

O estudo demonstrou que as lignanas presentes na planta agem reduzindo a capacidade energética do protozoário Leishmania amazonensis , principal causador da doença. Além disso, os compostos mostraram baixa citotoxicidade para células humanas, tornando a planta uma opção promissora para tratamentos alternativos e menos tóxicos.

4. Potencial terapêutico na doença de Chagas

O mesmo estudo publicado pela Planta Medica identificou que as lignanas extraídas da quebra-pedra apresentam ação relevante contra o Trypanosoma cruzi , protozoário responsável pela doença de Chagas. As substâncias interferem no metabolismo do parasita sem causar danos significativos às células do hospedeiro, o que é crucial considerando a alta toxicidade de medicamentos convencionais. Essa descoberta representa um avanço no desenvolvimento de alternativas terapêuticas mais seguras e eficazes.

O chá de quebra-pedra tem compostos bioativos antioxidantes, que ajudam a proteger contra danos causados por radicais livres (Imagem: Luis Echeverri Urrea | Shutterstock)
O chá de quebra-pedra tem compostos bioativos antioxidantes, que ajudam a proteger contra danos causados por radicais livres Crédito: Imagem: Luis Echeverri Urrea | Shutterstock

5. Propriedades antioxidantes e protetoras celulares

O estudo “Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida”, mostrou que os compostos bioativos isolados da quebra-pedra, como flavonoides e polifenóis, têm papel antioxidante, que protegem as células contra danos causados por radicais livres. Essa propriedade pode se mostrar particularmente importante no contexto de doenças parasitárias, pois ajuda a mitigar os danos inflamatórios gerados pelas infecções.

6. Potencial antibacteriano e ação contra microrganismos

Além dos benefícios já conhecidos, a quebra-pedra também apresenta potencial antibacteriano. De acordo com o estudo “Molecular docking analysis of bioactive compounds from Phyllanthus niruri reveals potential antiviral and antibacterial activity” , disponível na National Library of Medicine (NLM) , análises computacionais indicaram que compostos bioativos da planta têm capacidade de se ligar a alvos bacterianos e virais, sugerindo uma possível ação antimicrobiana.

Esse efeito foi reforçado por evidências experimentais do estudo “Evaluation of antibacterial activity of aqueous and methanolic extracts of Phyllanthus niruri” , que demonstrou que extratos da planta, especialmente das folhas, inibiram o crescimento de bactérias como Staphylococcus aureus — incluindo cepas resistentes à meticilina (MRSA) — e Bacillus cereus , em testes in vitro. Os pesquisadores associam essa atividade à presença de flavonoides, taninos e compostos fenólicos, apontando a quebra-pedra como uma fonte promissora de compostos naturais com ação antibacteriana.

7. Tem ação diurética

A quebra-pedra tem ação diurética, ou seja, ajuda a aumentar a produção de urina pelo organismo. Esse efeito favorece a eliminação de líquidos e toxinas acumuladas, contribuindo para o bom funcionamento dos rins e do trato urinário. Ao estimular a diurese, a planta pode auxiliar na redução do inchaço e na limpeza natural das vias urinárias, sendo tradicionalmente utilizada como apoio em cuidados relacionados à saúde renal.

8. Pode ajudar na digestão

A quebra-pedra pode ajudar na digestão, pois seus compostos naturais estimulam o funcionamento do sistema digestivo. O consumo da planta é tradicionalmente associado ao alívio de desconfortos como sensação de estufamento, gases e digestão lenta. Além disso, ela pode favorecer a produção de secreções digestivas, contribuindo para uma digestão mais leve e eficiente após as refeições.

Como usar a erva quebra-pedra

Conforme a Cartilha das Plantas Medicinais da Política Intersetorial de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Rio Grande do Sul, a infusão da quebra-pedra é recomendada para uso oral em pessoas acima de 12 anos. Para preparar, utilize 1 colher de sopa das partes aéreas secas da planta em 150 ml de água fervente. Deixe repousar por 10 a 15 minutos e consuma duas a três vezes ao dia.

Além da infusão, o chá com as partes secas da quebra-pedra é uma das formas mais comuns de consumo. Este preparo é simples e mantém as propriedades diuréticas, antioxidantes e hepatoprotetoras da planta. Para fazer, adicione 1 colher de sopa da erva seca em 200 ml de água, leve ao fogo até ferver, desligue e deixe em infusão por cerca de 10 minutos. A bebida deve ser consumida em pequenas porções ao longo do dia, sempre com moderação e sob orientação médica, especialmente para evitar possíveis efeitos colaterais.

Atenção às contraindicações

O uso da quebra-pedra é contraindicado em casos de insuficiência renal grave, devido ao risco de sobrecarga nos rins. Além disso, o consumo prolongado ou em doses inadequadas pode causar desequilíbrios eletrolíticos, manifestados por sintomas como fraqueza e tontura. Grupos como crianças pequenas, gestantes, lactantes e idosos devem evitar o uso da planta sem avaliação profissional.

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