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Parto natural está em alta, e garante muitos benefícios para gestantes

O parto natural está tão em alta que tem surgido no mercado espaços especializados para acompanhar a mulher do início ao fim da gravidez

Publicado em 03/05/2019 às 13h55

“Dar à luz”. Essa expressão que pode ser traduzida como “trazer à luz o que estava no escuro”, é mais associada a um dos momentos mais importantes da vida de uma mulher: o nascimento de um filho. Durante muitos anos, grande parte das mães optaram ou eram submetidas a cesarianas, mas hoje - ainda bem – o parto natural está em alta. Tanto que tem surgido no mercado espaços especializados em acompanhar a mulher, desde o início da gestação para que não haja imprevistos.

Letícia e Thais, da GestaVida. Crédito: Thiago Sarnaglia
Letícia e Thais, da GestaVida. Crédito: Thiago Sarnaglia

A fisioterapeuta Letícia Rios é uma das proprietárias da Gesta Vida, um desses locais de preparação para o momento do parto, com serviços de orientação, apoio e assistência às gestantes. “Oferecemos o acompanhamento do parto, serviços de apoio a desconfortos, como acupuntura, osteopatia, e serviços manuais, além de cursos, e rodas de conversa”, conta Letícia.

Ela criou a GestaVida com Thais Ramos - também fisioterapeuta - há 4 anos, mas esclarece que as duas já atuam na área há mais de 10. “Hoje estão sendo incentivadas outras formas de nascer, já que o parto está deixando de ser visto como um sofrimento”, afirma. Os serviços oferecidos pela empresa são contratados pela gestante, que pode escolher desde fazer apenas um curso até o acompanhamento completo do parto.

Flávia e Patrícia, da Gestar: atenção total à gestante. Crédito: Pluma Filmes
Flávia e Patrícia, da Gestar: atenção total à gestante. Crédito: Pluma Filmes

Trabalhando com a mesma proposta há um ano e meio, a Gestar tem a educadora perinatal e doula Flávia Mattos e a obstetra Patrícia Fueri como fundadoras, além de uma equipe que reúne profissionais de diversas áreas, envolvidos com a assistência da gestação e parto humanizado.

De maneira geral, algumas dúvidas ainda surgem quando citamos o parto humanizado. “O conceito de parto humanizado não diz respeito a via de nascimento, podendo ser um parto normal ou uma cesárea, o importante é que a mulher tenha assistência e seus desejos respeitados”, detalha Flavia.

“Ou seja, o nascimento pode ser em casa ou no hospital, natural ou com intervenções, o que importa é que a mulher seja a protagonista do seu parto”, afirma Patrícia.

De acordo com elas, há uma equipe de assistência multidisciplinar que precisa trabalhar de forma harmônica com a gestante. Equipe e gestante precisam ter a mesma linha de raciocínio, que, no caso da Gestar, é o parto humanizado”, contam Flávia e Patrícia.

Na empresa as gestantes contam com a obstetra, e a educadora perinatal, e ainda serviços associados como, ultrassom, pilates, pediatra, e nutricionista. Além de metodologias para a preparação mental, como Gentlebirth (que reúne técnicas de hipnose), Mindfulness (meditação), dentre outras, todas voltadas para uma experiência positiva de parto, gestação e parentalidade.

IMPREVISTOS

Mas é bom que fique claro: mesmo com um trabalho de equipe para que tudo corra perfeitamente, as vezes o parto natural não acontece, por uma série de motivos, e todos os especialistas são unânimes em dizer: a gestante precisa se preparar para que essa frustração não estrague um momento tão importante, como a chegada de um filho em casa.

“Ela deve respeitar os limites do próprio corpo, e o do bebê para que não haja riscos. Alguns fatores como pressão alta, contrações altas, aumento da frequência cardíaca, e descolamento de placenta podem ocorrer, e estes são vistos como motivos para que se realize uma cesariana”, explica a obstetra Neide Boldrini. “Outros motivos também podem vir associados ao sofrimento fetal, que é o momento em que o bebê começa a ter complicações” acrescenta.

Com cerca de 20 anos de experiência na área, a médica pontua que muitas mulheres tanto da rede pública quanto privada, tem buscado mais aos partos naturais. “Desde quando comecei a atuar na área até agora já mudou bastante, as mulheres estão mais conscientes e mais pacientes, e na medida do possível os hospitais estão se adaptando e dando mais assistência”, declara.

Entra as muitas vantagens desse tipo de parto está a rapidez na recuperação da mãe. “Na cesárea temos, além do parto, a cirurgia em que cortam-se várias camadas de tecidos da mulher e ainda o útero. Enquanto no parto natural, a mulher tem uma recuperação mais rápida, e a capacidade de cuidar do bebê logo é muito maior”, esclarece a médica.

PREPARO PSICOLÓGICO É IMPORTANTE

Durante a gestação, é importante lembrar também da preparação psicológica, pois o parto é um momento único e singular para cada gestante. “A mulher não sabe o que ela vai viver, por mais que se diga, não é possível medir aquele momento”, pontua a psicóloga Claudia Murta. “É uma integração física e psíquica, já que diversos sentimentos podem vir naquele momento, como o medo e a angústia por exemplo, que podem interferir negativamente na hora do parto. E por isso se dá a preparação psicológica, trabalhando esses diversos sentimentos gradualmente, para que na hora a gestante consiga lidar com aquilo” acrescenta Cláudia.

Alessandra Dapper foi acompanhada por uma equipe durante o seu parto, que foi humanizado e em casa. Crédito: Laíza Stange
Alessandra Dapper foi acompanhada por uma equipe durante o seu parto, que foi humanizado e em casa. Crédito: Laíza Stange

GESTANTES BUSCAM A REALIZAÇÃO DE UM SONHO

A química Alessandra Dapper é mãe de dois meninos, um de 4 anos e outro de 8 meses, e conta que em sua segunda gravidez optou pelo parto natural domiciliar. “O meu primeiro parto foi o normal, e sofri violência obstétrica, pois o médico me obrigou a ter anestesia. Por isso, durante a minha segunda gestação busquei por uma doula e uma equipe que respeitasse o que eu realmente queria”, conta ela, que deu à luz pela segunda vez ao pequeno Lucas.

Alessandra Dapper foi acompanhada por uma equipe durante o seu parto, que foi humanizado e em casa. Crédito: Laíza Stange
Alessandra Dapper foi acompanhada por uma equipe durante o seu parto, que foi humanizado e em casa. Crédito: Laíza Stange

Por ter uma gravidez de baixo risco, e estar saudável, ela escolheu o parto domiciliar, que foi rápido, e durou cerca de 3 horas. “Quando comecei a sentir as contrações chamei a doula juntamente com a equipe. A ideia era ter o parto na banheira, porém como foi um parto muito rápido nem deu tempo”, conta. Ela diz também que em nenhum momento sentiu medo quanto ao parto ser casa, já que tinha confiança total na equipe. “O meu maior medo era acabar indo ao hospital, mas sabia que isso era só em caso emergencial”, complementa.

Após ler muito sobre o tema durante sua preparação para o parto, e frequentar muitos encontros, Alessandra se apaixonou pelo assunto e diz que vai fazer curso de doula. “O parto domiciliar era o meu grande sonho, me preparei muito psicológicamente para o momento, e hoje me apaixonei por isso”, finaliza.

Camila Wagner se preparou para um parto natural no hospital, mas teve que optar pela analgesia. "O importante foi ter minhas vontades respeitadas". Crédito: Arquivo Pessoal
Camila Wagner se preparou para um parto natural no hospital, mas teve que optar pela analgesia. "O importante foi ter minhas vontades respeitadas". Crédito: Arquivo Pessoal

ANALGESIA

Apesar de toda a preparação, o momento do nascimento nunca é igual. A enfermeira Camila Wagner conta que se preparou para um parto natural no hospital, mas em um momento teve que optar pela analgesia. Mesmo assim, ela afirma que o importante no processo foi ter as suas vontades respeitadas, e seu parto ser a sua maneira.

Camila Wagner se preparou para um parto natural no hospital, mas teve que optar pela analgesia. "O importante foi ter minhas vontades respeitadas". Crédito: Arquivo Pessoal
Camila Wagner se preparou para um parto natural no hospital, mas teve que optar pela analgesia. "O importante foi ter minhas vontades respeitadas". Crédito: Arquivo Pessoal

“Sempre pensei no parto natural porque li muito sobre as vantagens, e os benefícios para mim e para a minha bebê. Não queria a cirurgia da cesariana, mas acima de tudo queria que me respeitassem. E ter minha filha na situação que eu tive, respeitando aquilo que eu acreditava, foi melhor do que todas as conquistas da minha vida”, salientou Camila, que deu á luz a pequena Valentina, hoje com 4 meses de idade.

Sobre o processo, ela conta que fez exercícios na bola e caminhou pelo hospital para aliviar a dor das contrações. Após o nascimento, a pequena Valentina foi direto para os seus braços e foi amamentada na primeira hora, fato considerado muito importante para ela. “Meu parto foi na banqueta, fiz 4 forças e a Valentina nasceu, tudo muito tranquilo. Logo depois ela veio para o meu colo e ficou mais de uma hora, meu esposo foi quem cortou o cordão umbilical, e ela não saiu do quarto em momento nenhum”.

Camila explica que a apesar de ter tido uma laceração e precisar de pontos, sua recuperação foi rápida. “Nem parecia que eu tinha tido uma bebê”, brinca. Ela também avalia que três pontos foram imprescindíveis para a sua boa recuperação: atividades físicas na praia, acompanhamento nutricional, e o Mindfulness para concentração.

Miguel fez cursos para estar preparado para  acompanhar o parto de sua mulher, Joice. Crédito: Aline Valadares
Miguel fez cursos para estar preparado para acompanhar o parto de sua mulher, Joice. Crédito: Aline Valadares

É IMPORTANTE CONTAR COM ALGUÉM ESPECIAL 

A consultora de vendas Joice Matos está a espera de Benício, e com seus 9 meses de gestação, ela se prepara para o parto natural. “A cesárea nunca foi uma opção, mas infelizmente não podemos descartá-la. Me cerquei de pessoas preparadas e de confiança, a começar pela escolha da médica. O acompanhamento, a segurança, a confiança e o preparo voltados para o parto humanizado, que esse profissional irá traçar durante o pré-natal, fazem toda diferença”, explícita Joice.

Ela frequenta um espaço voltado à saúde da vida materna, onde é acompanhada por uma fisioterapeutas/doulas, que a prepara através de exercícios específicos para gestantes, treinamentos de respiração e massagem perineal. Além disso, participa de rodas de conversa com diversos temas voltados para a gestação, amamentação e puerpério. E tem mais: a consultora também se prepara lendo e estudando sobre a gestação e suas fases, frequentando cursos, e fazendo atividades físicas. “No início da gestação fiz quatro meses de musculação; depois, dois meses de caminhada, e agora, hidroginástica. Acho que é muito importante entendermos o que está acontecendo com o nosso corpo durante essa grande transformação que é o gestar”, avalia.

Além de todos os benefícios que espera ter com o parto natural, ela também acha importante esse respeito ao momento certo do nascer, ou seja, quando o bebê estiver, de fato, preparado. “O bebê nascerá no dia em que escolher como seu, e assim todo corpo estará conectado e saberá que chegou o grande momento”, pontua.

PARCEIROS

Durante a gestação é imprescindível que a futura mamãe cuide de sua saúde e bem-estar, e ter a companhia de alguém de confiança também faz toda diferença nesse momento. O farmacêutico Miguel Angelo Frizzera é casado com Joice e também está se preparando para o momento através de leituras, cursos, e exercícios em que auxilia a esposa. “Já fui em aulas de parto, e ajudo a Joice com exercícios todos os dias em casa”, diz o futuro papai.

Ele ainda esclarece que toda essa preparação fortalece os laços entre o casal e o bebê, e garante que está se preparando para passar tranquilidade a esposa. “Na hora creio que a emoção vai ser grande, mas vou conseguir superar, e tudo correrá bem”, garante ele.

A fisioterapeuta Letícia Rios, da Gesta Vida, explica que esses parceiros devem passar confiança e tranquilidade para as gestantes, já que estão ali para apoiá-las e viver uma experiência única. “É importante ter alguém de vínculo com a mulher, pois isso ajuda no alívio da dor, na liberação de hormônios, e entre outros fatores positivos durante o momento do parto”, afirma.

Laíza costuma captar momentos únicos, como neste clique durante o parto de Ludimila Gonçalves. Crédito: Laíza Stange
Laíza costuma captar momentos únicos, como neste clique durante o parto de Ludimila Gonçalves. Crédito: Laíza Stange

MOMENTO PODE SER ETERNIZADO

O parto é um momento de emoção, que pode ser eternizado através de fotografias e documentários. A fotógrafa Laíza Stange começou por acaso no ramo há 3 anos, após fotografar o nascimento do bebê de um casal de amigos. “Eles me ligaram quando estava próximo da data do parto perguntando se eu topava, contei que nunca havia feito aquilo, mas só experimentando pra saber. Foi a experiência mais transformadora da minha vida. Cheguei lá por volta de 23h, e o bebê nasceu às 4h14. Chorei muito na hora, e chorei o dia inteiro depois quando voltei ao meu trabalho. Entendi ali que era isso que deveria fazer da minha vida. Saí da empresa que eu estava, criei minhas páginas nas redes sociais, e começaram a vir um trabalho atrás do outro”, conta a fotógrafa.

Sobre a preparação para esses momentos, Laíza explica é preciso ficar de plantão aguardando o contato da família quanto aos primeiros sinais do bebê. “Quando a mulher entra em trabalho de parto ativo, eu vou para a casa da família ou direto para o hospital para começar a registrar”, esclarece. Ela declara que trabalhar com emoções é algo motivador. “Aqueles registros têm valor eterno, e eu imagino cada bebê de hoje daqui alguns anos revendo aqueles registros e vendo como foi amado e querido, desde os primeiros minutos de vida”, acrescenta Laíza.

A fotógrafa explica que durante o parto não é possível fotografar poses, ou escolher cenários. Por isso é preciso registrar os momentos de forma real. “Você registra o que está acontecendo ali, de forma natural. E isso é o mais bonito e encantador, é o que torna as fotos mais vivas e palpáveis”, finaliza.

 

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