Lembra-se dos mercadinhos populares das cidades do interior? As pessoas mais velhas, na certa, já viveram a experiência de ter um para chamar de seu. Os anos se passaram, e surgiram grandes supermercados, mas os mercadinhos estão de volta, mais versáteis e antenados.
A médica nutróloga Márcia Gonçalves da Rocha, de 44 anos, guarda a lembrança da infância de compras com os pais nos mercadinhos, principalmente os famosos baleiros que garantia a felicidade da criançada. “Ia junto com minha mãe e meus 8 irmãos, era uma bagunça, ficávamos ajudando a pegar os produtos e sempre saímos com uma sacolinha de papel pardo cheia de balas”, relembra.
Apesar de morar na Praia do Canto, Márcia se desloca até o mercadinho no bairro vizinho, Jardim da Penha. Sua preferência pelo local é pela comodidade e por achar desde os produtos tradicionais aos mais diferenciados. Salmão selvagem, pão sem glúten, chips de couve, frutas e verduras orgânicas costumam estar no seu carrinho. “Sinto-me acolhida com o carinho dos funcionários e também pelos donos que estão sempre no local”, conta.
O mercadinho frequentado por Márcia é a La Vendita que tem a proposta de oferecer um ambiente agradável e acolhedor que se diferencie das atividades corriqueiras do dia a dia que exigem pressa. O local oferece a opção de comprar o pãozinho do café da manhã, de tomar um suco funcional pós-academia ou o local para encontrar um amigo para o café. “A propostas é resgatar a ideia da vendinha que vendia de tudo nas antigas cidades do interior. Estamos em um momento de vida muito acelerado e precisamos retomar esse prazer”, disse Clarissa Zon, uma das sócias do local.
“Sinto-me acolhida com o carinho dos funcionários e também pelos donos, que estão sempre no local”
Segundo ela, a ideia foi resgatar tradição de sua família. Seu avô, imigrante italiano, vendia produtos no mercado direto de sua fazenda. “Dentro de uma vida corrida a gente acaba esquecendo essas lembranças. Meu avô é imigrante italiano e foi o primeiro a trazer produtos importados. Ele fazia a venda de produtos da propriedade e essa venda resgata essa história”, destaca.
PRODUTOS ORGÂNICOS
Outro segmento dos mercadinhos de bairro é a venda de produtos orgânicos. O empresário Lucas da Silva, 28 anos, percebeu que esse segmento estava em alta em São Paulo e inaugurou a “Quitandinha do Parque”, na Praia da Costa, em Vila Velha, com arquitetura bairrista. “É um mercado que só cresce. No início tivemos dificuldade de divulgar e hoje temos um público crescente. As pessoas procuram cada vez mais esse tipo de alimentação”, afirmou Lucas.
A estudante de nutrição Fernanda Rigo, 26 anos, também se lembra das vendinhas de sua infância. Ela costuma frequentar os mercadinhos na procura de produtos saudáveis . “Os grandes mercados estão aderindo a essa alimentação saudável, mas os eles vendem mais caro e com pouca variedade. Muitas vezes não é possível comprar a quantidade que a gente quer. O mercadinho que frequento dá para ir a pé e nele encontro as coisas que suprem minhas necessidades”, disse a estudante.
Os pequenos varejos alimentares, representados por minimercados, mercadinhos e armazéns, compõem um dos canais de vendas mais bem-sucedidos e promissores do varejo de autosserviço. Mesmo repaginados, eles oferecem a tão valorizada combinação entre praticidade e proximidade, tanto do ponto de vista geográfico como pensando na questão do atendimento e do relacionamento.
“É um novo conceito de conveniência, não um supermercado e frio. O nosso foco é ser pequeno e nosso diferencial é o atendimento. No supermercado você fica muito sozinho e estamos sempre próximos dos clientes que entra”, diz o empresário José Nilson, da Quitanda em Jardim Camburi.