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Entenda o que é o TOC, transtorno vivido por Roberto Carlos

Especialista explica o que é o transtorno obsessivo-compulsivo, como ele se manifesta e os motivos que levaram ao agravamento de muitos casos durante a pandemia

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 15/04/2021 às 18h44
O cantor Roberto Carlos
O transtorno no cantor Roberto Carlos se manifestou nos rituais de limpeza e higienização e se agravou durante a pandemia. Crédito: Caio Girardi/Reprodução/Instagram @robertocarlosoficial

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo, conhecido popularmente como TOC, pode se apresentar de diferentes formas nas pessoas. O cantor Roberto Carlos relatou recentemente em entrevista que, no caso dele, o problema se manifestou em rituais de limpeza e higienização e se agravou durante a pandemia. O psiquiatra João Paulo Cirqueira, da Clínica Aube – Cuidados da Mente, explica que, para identificar o problema, é preciso observar se os sintomas são recorrentes e persistentes, dando uma sensação ruim no dia a dia e causando ansiedade ou sofrimento para o indivíduo.

É importante saber que a principal característica do TOC é a presença de crises recorrentes de obsessões e/ou compulsões. “Esse é um transtorno mental caracterizado pela presença de obsessões, que são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes. Um pensamento que invade e é repetido muitas vezes durante o dia pode ser considerado um pensamento obsessivo. Em muitos casos, há uma dinâmica de comportamentos compulsivos para aliviar ou neutralizar esses pensamentos. As compulsões são comportamentos repetidos ou hábitos mentais, como orar, contar ou repetir palavras em silêncio, que o indivíduo faz para neutralizar os pensamentos obsessivos”, esclarece o médico.

O TOC pode ser predominantemente de pensamentos obsessivos ou ruminações, que é quando a pessoa tem muita repetição de ideias e poucos rituais. Existe também o TOC predominantemente de atos compulsivos, isto é, de rituais obsessivos. E há o TOC de pensamentos e atos obsessivos mistos, que é o mais comum. “Quando o indivíduo tem pensamentos obsessivos sem uma estratégia de alívio, ele começa a ter sintomas ansiosos, exatamente porque não tem um ritual que o ajude a aliviar”, ressalta Cirqueira.

Os sintomas podem, em alguns casos, ser incapacitantes, atrapalhando a rotina da pessoa, causando danos nas relações sociais e de trabalho, resultando em atrasos para compromissos, por exemplo, ou até em machucados. Em casos mais leves, os sintomas existem, mas o transtorno não atrapalha a vida do paciente. Pode afetar tanto jovens quanto adultos, e pode se manifestar simultaneamente ao transtorno de ansiedade generalizada ou à depressão.

TOC e pandemia

Durante a pandemia, houve um aumento no número de casos e o agravamento de quadros clínicos de transtornos psiquiátricos em todo o mundo. Para quem sofre com o TOC, a ansiedade gerada pelo momento e o medo de se infectar ou de ver algum familiar infectado resultaram na piora dos sintomas obsessivo-compulsivos.

“Diante do cenário atual, somos impelidos ou direcionados para uma série de informações para nos protegermos de uma possível infecção. É razoável que o sujeito consiga fazer essa desinfecção e o pensamento de preocupação se neutralize”, comenta o psiquiatra. “O que seria um excesso? O sujeito ficar pensando o tempo todo naquilo, um pensamento obsessivo, sem conseguir relaxar, ou ficar o tempo inteiro repetindo, de forma disfuncional, o comportamento de higienização”, explica o médico.

João Paulo relata, ainda, que muitas pessoas têm pensamentos obsessivos de contaminação. “Um estudo recente mostra que houve um aumento no número de pacientes com TOC, e aqueles pacientes que já tinham o transtorno estão tendo recaídas ou pioras nos sintomas. O medo geral de ser contaminado, neste momento de pandemia, pode ampliar esses pensamentos obsessivos de quem tem TOC, assim como os cuidados e a importância dada à higiene pessoal podem ter um impacto negativo nos comportamentos repetitivos, que são as compulsões”.

É importante procurar e manter um acompanhamento psiquiátrico e psicológico regular. "Tanto para pacientes que já tinham o diagnóstico de TOC, quanto para a investigação, no caso de pessoas que se encontram em sofrimento, sem um diagnóstico apropriado”, conclui o médico.

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