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Além da prevenção: alimentação pode ser aliada na luta contra o câncer de próstata

Pesquisas indicam que o estilo de vida pode aumentar ou diminuir os riscos de doenças degenerativas; os alimentos, porém, não impedem ou curam a doença

Rede Gazeta
Publicado em 11/11/2020 às 05h00
Atualizado em 11/11/2020 às 05h01
novembro azul. câncer de próstata
novembro azul. câncer de próstata. Crédito: Shutterstock

Passado o mês de outubro, que encampou a mensagem da prevenção, dos cuidados e riscos do câncer de mama, novembro chega com proposta parecida. As campanhas que aparecem no mês, intitulado “novembro azul”, trazem à tona o assunto do câncer de próstata. Mas se engana quem acha que os cuidados que devem ser tomados com relação à doença se limitam aos exames de rotina.

A prevenção a vários tipos de doença, não somente os cânceres, pode começar muito antes dos exames e das consultas médicas. O estilo de vida que a pessoa leva pode ser decisivo na proliferação ou não de um câncer. E a alimentação é parte vital deste estilo de vida, ocupando espaço importante nos debates de médicos e nutricionistas sobre prevenção de doenças.

Segundo o “Guia alimentar para a população brasileira”, os alimentos in natura são os mais indicados na prevenção de câncer. O guia, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) afirma que uma alimentação equilibrada é parte importante de um estilo de vida que possa ser considerado saudável.

O que vai no prato pode ser um grande aliado na luta contra diversas doenças, e o câncer de próstata é uma delas. A nutricionista Roberta Larica explica que a dieta mais comum no Ocidente contém alimentos que não têm, em sua composição, valor nutricional relevante para a saúde. “São alimentos processados, açúcar, sal, pesticidas, alimentos modificados, carboidratos de alto índice glicêmico, com baixo valor nutricional, baixo teor de fibras e pouca água”, explica a nutricionista.

Há, ainda, outros fatores envolvidos no estilo de vida que podem contribuir para que o sistema imunológico fique mais vulnerável. O uso de medicamentos em excesso, poluição, fumo, sedentarismo e álcool favorecem, segundo a nutricionista, a presença de inflamação e acidez. Tudo isso compõe um ambiente propício para o desenvolvimento de doenças degenerativas.

O guia alimentar para a população brasileira considera alimentos in natura aqueles com o mínimo de interferência externa possível, como arroz, feijão, mandioca, batata, legumes e verduras de hortifruti, por exemplo. Os legumes em solução de água e sal, vinagre ou em conserva devem ser evitados, segundo o documento, pela grande quantidade de sódio presente nas composições.

Os alimentos naturais vencem os alimentos ultraprocessados quando se fala em prevenção de doenças. A falta de fibras nos alimentos mais “artificiais” é prejudicial para a saúde. As fibras e vitaminas são essenciais para diminuir o risco de cânceres.

Além disso, verduras e legumes oferecem vários tipos de antioxidantes, que também são importantes para a prevenção do câncer e de outras doenças. O guia do Ministério da Saúde aponta as verduras e legumes, inclusive, como alternativa às carnes vermelhas. Segundo estudos, o excesso de carnes vermelhas, ricas em gordura saturada, pode aumentar o risco de câncer de intestino e doenças cardiovasculares.

DIAGNÓSTICO PRECOCE AINDA É O MELHOR CAMINHO

Dados do Instituto Nacional do Câncer apontam que o câncer de próstata é o tipo da doença mais registrado em 2020, com mais de 65 mil casos relatados. O câncer de próstata foi, ainda, o segundo que mais causou mortes em homens no Brasil no ano de 2018, com quase 16 mil óbitos.

Os cuidados que se deve tomar para prevenção do câncer de próstata são divulgados ano após ano e, ainda assim, as notificações de novos casos continuam ocupando as primeiras posições dos rankings do câncer no Brasil.

O urologista Henrique Tótola explica que, ainda que todos os homens estejam sujeitos a ter a doença, o diagnóstico precoce do câncer na próstata ainda é o melhor caminho para um tratamento satisfatório. “Quanto maior a idade, maior o risco. Sabemos também que pacientes com fatores de risco como familiares com câncer de próstata, obesidade e/ou raça negra, têm que tomar ainda mais cuidado e procurar atendimento mais cedo”, explica o médico.

55%

dos homens acima de 40 anos deixaram de fazer alguma consulta ou tratamento médico em função do surto da Covid-19. Além disso, apenas 33% dos entrevistados relataram que vão regularmente ao urologista e 3% disseram que não iriam em um especialista da área de jeito nenhum.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) realizou estudo que aponta que os cuidados com a saúde masculina pioraram na pandemia. Segundo a instituição, 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de fazer alguma consulta ou tratamento médico em função do surto da Covid-19. Além disso, apenas 33% dos entrevistados relataram que vão regularmente ao urologista e 3% disseram que não iriam em um especialista da área de jeito nenhum.

Henrique Tótola explica que, culturalmente, os homens têm um mau hábito de não cuidar bem da saúde, e no caso do câncer de próstata, isso é um fator de grande risco. “O câncer de próstata é a segunda maior causa de mortalidade de origem oncológica no homem e, considerando que o tratamento nas fases iniciais alcança taxas de cura de até 90%, precisamos fazer diagnóstico mais precoce possível. Por isso é necessário procurar um urologista de sua confiança para realizar o exame preventivo”.

O recado do urologista vai ao encontro do que diz a nutricionista Roberta Larica. Ao comentar sobre os cuidados com a saúde, afirma que o sinal de alerta só se acende depois que a doença já foi detectada. “Acredito que a grande maioria dos homens busca a nutrição como aliada quando a saúde já deu um sinal vermelho. Precisamos conscientizar de que a prevenção começa pela mudança nos nossos hábitos de vida ao longo dos anos, e é o melhor caminho”, afirma a nutricionista.

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