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Publicado em 22 de novembro de 2023 às 18:32
Nas últimas semanas, a onda de calor deixou (e ainda deixa) os termômetros 5°C acima da média em todo o Espírito Santo. Mas a temperatura extrema não é sentida igualmente por todos os moradores. Nas comunidades, o teto das casas esquentam, não há ventiladores e, debaixo de um sol escaldante, os moradores precisam subir e descer os morros. Além disso, ainda lidam com a falta d'água constantemente. >
Para essas pessoas, falta o básico e as casas são construídas em regiões periféricas do jeito que dá, sem planejamento e "ventilação cruzada" - termo que os arquitetos utilizam para definir a forma como o vento entra e refresca a residência. >
A respiração ofegante e o suor são sensações frequentes da autônoma Márcia Helena Carias. O sol forte castiga, mas o problema não é só esse. Todo dia, ao menos quatro vezes, ela precisa subir e descer para voltar para casa no Morro do Romão, em Vitória.>
Márcia Helena Carias
Autônoma
Entre os malabarismos para driblar o calor, está ficar fora de casa. Ela e os filhos estão provisoriamente na casa da irmã - que é mais fresca.>
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Calor tem de sobra, o que falta para muitas famílias é o básico: vento.>
“Muito calor, tem vezes que preciso abrir a porta da geladeira e deixar aberta para dar uma refrescada. É calor demais, o ventilador não dá conta. A poeira é muito forte também”, afirmou o assistente de logística Leonardo Vasconcelos Dias.>
Para diminuir os contrastes entre bairros da periferia e outras localidades, o arquiteto e urbanista, Alexandre Ricardo Nicolau, está organizando um projeto de assistência técnica habitacional para reformar algumas residências. O bairro escolhido para iniciar o projeto é Jaburuna, em Vila Velha.>
“As melhorias habitacionais vão focar em algumas questões específicas, como ventilação, adequar parte elétrica, impermeabilizar vazamentos, construção de banheiros, vamos buscar parcerias com lojas e empresas para viabilizar esse trabalho”, explicou Alexandre Ricardo Nicolau.>
A casa da dona Francisca Batista dos Santos é uma das primeiras avaliadas por Alexandre. Uma única janela tem a missão de refrescar a casa. “Quando não está ventando, é uma quentura que ninguém aguenta”, afirma.>
Mudanças, mesmo que simples, podem mudar o cenário de muitas casas. Para o arquiteto, alterar a realidade dessas famílias pode transformar toda a sociedade.>
Alexandre Ricardo Nicolau
Arquiteto e urbanistaO projeto de Alexandre ainda está no início. Para fazer triagem, ele conversa com os moradores das residências, pois as casas precisam passar por interdição. O morador precisa entender e aceitar. Para angariar os fundos, ele vai buscar parcerias com iniciativas privadas. >
Operações que podem significar uma vida mais digna. Para fazer com que para muitos moradores, o dia azul representa um dia bonito, não mais um dos vários problemas enfrentados.>
“Quando se fala de calor e de infraestrutura, os moradores tentam resolver nem que seja colocando uma piscina provisória, uma caixa d’água, banho de mangueira. Quando não falta água, é outro problema grave que as favelas enfrentam. E a gente busca esse campo da orientação, porque o poder público precisa atuar nesses casos. Como promover o melhor ambiente para essas famílias? No caso de temperaturas elevadas, estamos falando de situações extremamente adversas que essas famílias enfrentam”, afirmou Gabriel Nadipeh, presidente da Central Única das Favelas (Cufa).>
Com informações do repórter João Brito, da TV Gazeta>
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