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Solidariedade

Tintas ganham novos destinos em projeto de revitalização

O projeto Cores Solidárias usa tintas que iriam pro lixo para revitalizar espaços públicos em cidades do sul do Espírito Santo

Publicado em 08 de Dezembro de 2020 às 17:46

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 dez 2020 às 17:46
Equipe Casa das Tintas
Equipe da empresa Casa das Tintas, responsável pelo projeto Cores Solidárias Crédito: Wellington Gama
É comum andar pelas cidades e não perceber mais as cores ao redor. A pressa de ir e vir faz tudo parecer cinza. Até que alguém resolva mudar o cenário e colocar cor em algo que estava apagado. É exatamente isso que uma empresa de tintas, de Cachoeiro de Itapemirim, faz há dez anos.
O projeto Cores Solidárias é uma oportunidade de dar uma cara nova a espaços públicos usando tintas que seriam descartadas. O trabalho é muito simples, a empresa recebe de volta dos clientes e doadores, o resto de tinta que tenha sobrado das obras. Eles, então, armazenam as tintas e escolhem um dos projetos que tenha solicitado a ação para pintar.
“Aprimoramos a ideia de ser sustentável. Vamos juntando tudo, e por isso, não tem uma cor definida. Depois conseguimos utilizar fazendo ações sociais, como pinturas de escolas, lar de idosos e escadarias”, disse o empresário e um dos idealizadores do projeto, Paulo Afonso.
Wellington Gama
O projeto Cores Solidárias formando belas obras de artes através da reutilização das tintas Crédito: Wellington Gama
A obra, segundo Afonso, é escolhida de acordo com a quantidade de tintas que eles têm. Quanto maior a quantidade, maior é o projeto escolhido para ser revitalizado e ganhar novas cores. Porém, para fazer cada vez mais a quantidade de tintas doadas serem em maior quantidade, a loja faz parceria com um profissional fundamental: os pintores!
Um desses profissionais que abraçou o projeto foi o Valdinei Guimarães, pintor há 18 anos, já perdeu as contas de quantas paredes receberam vida nova sob suas mão habilidosas.E faz questão, de toda obra que é convidado para trabalhar, de falar sobre o Cores Solidária.
“Achei a idéia bacana demais, conversei com todos que me contratavam e falei do projeto que usava as tintas que não iriam mais ter uso, para ajudar outros locais públicos. A gente não obriga ninguém a devolver, mas conscientiza”, conta o pintor. Essa conversa, na maioria das vezes, dá certo!
Meio Ambiente
E quando esse papo rende, e as tintas são doadas, evita que o destino seja poluir o meio-ambiente. “Eu não fazia o descarte, deixava o que sobrava na casa das pessoas, não tenho dimensão do que elas faziam com esse resto, mas sei que era descartado, na maior parte das vezes, na pia, tanque e até no bueiro”, disse Valdinei.
Pintura da área interna do lar de idosos
Engajamento da comunidade no projeto Cores Solidárias Crédito: Wellington Gama
No entanto, essa prática de descarte incorreto é muito prejudicial ao meio-ambiente, uma vez que essas tintas são feitas de compostos químicos que podem acabar infiltrando no solo e parar nos lençóis freáticos. “Quando você joga essa tinta no solo, ela pode ir nos lençóis freáticos, mas quando vai pra rede de esgoto, ela ela aumenta o teor de poluentes químicos na água”, explicou a bióloga, Cíntia Teixeira.
Mudança
Ao passar pela avenida Aristides Campos - uma das mais movimentadas de Cachoeiro -na altura do bairro Zumbi, o mais populoso da cidade, uma escada colorida chama a atenção. Antes do projeto, a escada estava sem vida e sem cor, como conta a dona de casa, Ilza Brito, que mora no bairro há 18 anos e usa a escadaria diariamente.
“Ela estava toda cheia de ressaltos, quebrada, não era bonita como está agora! Ficou muita linda, quem passa vê que está diferente! Dá uma vontade de subir e descer, toda hora! Gente, eu amo cores, a natureza, a cor traz vida”, ressalta a moradora.
O projeto mudou a cara de diversos locais em Cachoeiro de Itapemirim, Alegre e Mimoso do Sul. “A maior satisfação do projeto é ver na íntegra o trabalho realizado, a satisfação e o envolvimento da população, pois cor leva alegria...é impossível ver em um mundo sem cor”, finaliza Paulo.

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