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Paneleiras de Goiabeiras trabalhando nas panelas de barro
Paneleiras de Goiabeiras trabalhando nas panelas de barro. Crédito: Ricardo Medeiros

Todo capixaba tem que ter uma panela de barro

Ter uma panela de barro é ter história na mesa, é reconhecer a materialidade e imaterialidade desse patrimônio, é valorizar a nossa cultura

Tempo de leitura: 2min
Publicado em 04/12/2021 às 02h00
  • Vania Caus

    É artista plástica e professora, curadora e especialista na preservação do patrimônio

Há quase dez anos, o ofício das paneleiras foi registrado como Patrimônio Imaterial no Livro de Registro dos Saberes. A coleta do barro, o ir e vir das mãos, a queima da panela, tudo isso é exercitado na fabricação artesanal de panelas de barro, que foram eternizadas pelo Iphan como bem cultural em 2002.

Reconhecidas como legado tupi-guarani e Una2, as técnicas utilizadas foram apropriadas por colonos e descendentes de escravizados que vieram ocupar esse território. São filhas, netas, sobrinhas e vizinhas que, no convívio doméstico e comunitário, compartilham seus saberes e afetos, empregando famílias da região ao longo desses mais de 400 anos de ofício. Até hoje as panelas continuam sendo modeladas manualmente, ainda usam o barro do Vale do Mulembá, a queima é a céu aberto e a tintura ainda é do açoite de tanino. Recursos, métodos, linguagens, suportes, lutas e respostas tão centenárias e tão contemporâneas!

É por isso que ter a panela de barro em casa é compromisso capixaba. Como diz a grande poetisa Elisa Lucinda, "todo capixaba tem um pouco de beija flor no bico e uma panela de barro no peito”. Efetivamente, todo capixaba precisa manter viva a chama das tradições culturais que orgulha o nosso povo. Ter uma panela de barro é ter história na mesa, é reconhecer a materialidade e imaterialidade desse patrimônio, é valorizar a nossa cultura.

Foi assim, unindo as ondas do movimento repetitivo para produção da simetria ovular com um acervo de pesquisa sobre a perpetuação das culturas e tradições capixabas, que concebi um monumento inclusivo de homenagem a essas mulheres. Tendo um olhar afetivo para o ofício e agradecido para as mulheres protagonistas que sustentam suas famílias ao conservar tradições.

Compreendo que celebrar esse ofício é imortalizá-lo nos registros da cultura, nas moquecas do almoço, nos monumentos da cidade. Mas, além disso, celebrar este ofício é também lutar pela promoção de políticas públicas para aquelas que o mantêm vivo.

Em tempo, espero vê-los na 26ª edição da tradicional Festa das Paneleiras de Goiabeiras, neste final de semana, valorizando a nossa cultura, investindo nestas trabalhadoras e debatendo por reconhecimento das tradições capixabas.

26ª FESTA DAS PANELEIRAS DE GOIABEIRAS

  • Quando: 3 a 5 de dezembro
  • Onde: Galpão das Paneleiras – Rua Silvana Rosa, Goiabeiras - Vitória
  • Horário:  sábado, das 12h às 23h, e domingo, das 12h às 22h

Sábado - 04/12

  • 13h - Trio Miopia
  • 16h - Dany Machado
  • 19h - Grupo Responsa (Samba raiz)
  • 21h - Banda Via Aérea (Sertanejo e pop)

Domingo - 05/12

  • 12h - Os 3 Elementos (chorinho)
  • 14h - Banda Movimento (Axé Retro)
  • 16h - Banda Samba Diverso (Samba e pagode)
  • 18h - Testinha (Axé e Pop)
  • 20h - Banda Bandara Music

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