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O divino e sua obra: Ilha das Caieiras, em Vitória,  e o Mestre Álvaro, na Serra:  a partir da percepção e da interação com o físico real, Sagrilo foi capaz de transformar e gerar uma imagem poética Sagrilo
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Obra de Sagrilo está registrada na memória afetiva e cotidiana dos capixabas

A fotografia foi a ferramenta utilizada por ele para expressar a paisagem contemporânea e a ambivalência do seu cotidiano, capaz de gerar maravilhas, híbridos de natureza e cultura

Publicado em

19 jun 2021 às 02:00
Foto
O divino e sua obra: Ilha das Caieiras, em Vitória,  e o Mestre Álvaro, na Serra:  a partir da percepção e da interação com o físico real, Sagrilo foi capaz de transformar e gerar uma imagem poética Crédito: Sagrilo
  • Isabella Batalha Muniz Barbosa

    É mestre e doutora em Arquitetura e Urbanismo (USP) e trabalha no Instituto Jones Santos Neves (IJSN)
Jorge Sagrilo captou a imagem acima com a sensibilidade que lhe é peculiar, na qual a conjugação entre o sítio original e a ação humana compõem um belo repertório que transcende ao comum. Ganha um patamar de inexorável beleza: o divino, aquilo que não se explica, só se sente e eterniza-se no tempo.
A Ilha das Caieiras foi meu objeto de pesquisa do mestrado, e por lá andei inúmeras vezes, conhecendo cada canto, os moradores e suas tradições, no esforço de compreender essa complexidade da dinâmica inerente à paisagem urbana. A conjugação de valores e matéria num espaço único. As formas materiais da paisagem, inscritas na lógica de constante evolução, desafiam nossa capacidade de entendimento dos processos que as produziram.
Nessa perspectiva, a visão daquilo que nos apresenta, em um determinado momento como imagem, é dificultada pela aparente banalidade de um mundo concreto. Mas o olhar observador e perceptivo de Sagrilo bem soube refletir e reunir tudo isso numa única imagem.
A fotografia foi a ferramenta utilizada por ele para expressar a paisagem contemporânea e a ambivalência do seu cotidiano, capaz de gerar maravilhas, híbridos de natureza e cultura. Ou seja, a partir da percepção e da interação com o físico real, Sagrilo foi capaz de transformar e gerar uma imagem poética.
O fotógrafo que permite explorar poesia e técnica, ambos simultaneamente no ato de fotografar, eleva a condição de sua arte, ao expressar de forma sutil e apropriada o contexto da modernidade. Portanto, a sua fotografia passa a ser também uma crítica materializada da sociedade contemporânea.
Jorge Sagrilo produziu um acervo enorme de fotografias excepcionais. Podemos afirmar que, por meio de experiências cotidianas, os artistas e poetas não só compreendem o espírito de uma época, como respondem ao processo de mudança através de sua arte. Esteja em paz, Sagrilo, sua obra está registrada na memória afetiva e cotidiana dos capixabas e perdurará como legado valioso para as futuras gerações.

Fotógrafo morreu na última quarta-feira, aos 69 anos

Vários momentos importantes da história e da cultura do Espírito Santo foram registrados pelas lentes do fotógrafo Jorge Sagrilo. O profissional, com mais com de 50 anos de atuação, morreu na quarta-feira (16), aos 69 anos, em Vitória. Ele havia descoberto um nódulo no pulmão e passou por uma cirurgia na semana passada. Sagrilo, como era conhecido, deixa os dois filhos que teve no primeiro casamento, com a jornalista Pupa Gatti. Ele era natural de Pendanga, distrito de Ibiraçu, e morava em Vitória.

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