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Centenário de Paulo Freire: é mudando o todo que se mudam as partes

Paulo Freire não foi “doutrinador”, tampouco propagador do “comunismo”. Sua pedagogia defendia uma relação professor/aluno pautada no diálogo, no respeito aos saberes de ambos

Públicado em 

18 set 2021 às 02:00

Colunista

Paulo Freire, que morreu em 1997, é considerado um dos maiores educadores do mundo
Paulo Freire, que morreu em 1997, é considerado um dos maiores educadores do mundo Crédito: Arquivo
  • Francisco Fernandes Ladeira

    É doutorando em Geografia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Autor de oito livros
Neste domingo (19), o educador pernambucano Paulo Freire, se vivo estivesse, completaria 100 anos. Infelizmente, em uma época de haters e disseminação de fake news em larga escala, é preciso dedicarmos algumas linhas para desmentir as calúnias contra o educador.
Ao contrário do divulgado em círculos de extrema direita, Paulo Freire não é responsável pelo fracasso da educação brasileira. Aliás, em uma das únicas oportunidades em que o método freiriano foi aplicado no país, 300 adultos de um povoado potiguar foram alfabetizados em apenas quarenta horas.
Paulo Freire também não foi “doutrinador”; tampouco propagador do “comunismo”. Sua pedagogia defendia uma relação professor/aluno pautada no diálogo, no respeito aos saberes de ambos. Não por acaso, ele criticava veementemente aquilo que chamava “educação bancária”, que concebia o professor como detentor do conhecimento e o aluno apenas como depositório.
Para Paulo Freire, a escola possui um caráter dialético: pode difundir a ideologia da classe dominante ou se constituir em meio de resistência para setores marginalizados. Partindo da segunda possibilidade, o educador defende uma prática pedagógica libertadora, onde o espaço escolar se transforme em ambiente privilegiado para a construção de mecanismos e discursos contra-hegemônicos.
Ou seja, uma educação que aponte que os diferentes antagonismos sociais não são naturais, mas construídos no decorrer de um processo histórico marcado pela dominação de alguns grupos sobre outros. Isso não é doutrinação, mas desvelar os mecanismos ideológicos que regem a realidade, o que representa um fator importante para libertar o oprimido de sua condição de opressão.
Assim, como apontou Paulo Freire em "Pedagogia do Oprimido", “No momento em que os oprimidos se libertarem, os opressores deixarão de existir e ambos encontrariam a liberdade. Opressores geram opressores, e muitos que são oprimidos almejam ser opressores por causa do ‘poder’ de opressão, que por muitos oprimidos é tido como objetivo”.
Por outro lado, Paulo Freire não via a educação a partir uma perspectiva ingênua e pedagogista, segunda a qual ela seria a chave de todas as questões e redentora da sociedade. Nesse sentido, um melhor sistema educacional somente será possível à medida que também seja colocado em prática um projeto efetivo de transformação global da sociedade, pois, lembrando as palavras do educador, “não é mudando as partes que se muda o todo, mas é mudando o todo que se mudam as partes”.

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