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Recursos tecnológicos

Pandemia deve mudar currículo e modelo de aula, dizem especialistas

Aprendizagem mediada pela tecnologia é um dos reflexos mais evidentes da crise sanitária na Educação

Publicado em 21 de Outubro de 2020 às 17:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

21 out 2020 às 17:00
Aulas a distância tem se mostrado um desafio para alunos e professores
O ensino remoto não substitui a escola, mas a educação mediada pela tecnologia é um caminho sem volta  Crédito: August de Richelieu/Pexels
Um dos poucos consensos entre educadores e pesquisadores no momento é a necessidade de reconhecer que o ensino remoto tem limitações e não conseguirá substituir a experiência escolar presencial. Mas também fica claro que o modelo tradicional, totalmente apoiado na figura do professor e do conteúdo programático, não supre a necessidade de um aluno em pleno século XXI, imerso em um contexto tecnológico e em vias de ingressar em um mercado de trabalho em constantes transformações.
“As estruturas 'clássicas' da escolarização tratam de rigidez e separação. São grades de aulas, currículo fragmentado, tempo de 50 minutos de aula. Esse modelo já tem mostrado há tempos um esgotamento. O caminho que estamos trilhando agora para a educação básica trata de uma mudança desse paradigma, da separação para a integração”, explica a especialista de Educação Integral do Instituto Ayrton Senna, Cynthia Sanchez.
Cynthia Sanches, especialista de Educação Integral do Instituto Ayrton Senna
Cynthia Sanches, do Instituto Ayrton Senna, avalia que a educação básica caminha para uma mudança de paradigma, em busca de integração  Crédito: Acervo Pessoal
Foi justamente pensando em aproveitar o momento que o mestre em Comunicação e professor de Filosofia do Instituto Federal de Goiás (IFG- Cidade de Goiás), Victor Cruzeiro, apostou em memes, apresentações com vídeos e músicas e muita interação, incluindo jogos para garantir a atenção dos alunos. Preocupado com a qualidade da internet e com o nível de atenção dos alunos, Victor também estimula, durante a aula, que eles tomem água, respirem fundo, fechem os olhos por alguns segundos para descansar a visão e façam alongamentos.
“Uma coisa bacana que está acontecendo é a união entre os professores. Sabemos que o conhecimento tecnológico é desigual. Então, quem sabe usar um recurso diferente compartilha com quem ainda está aprendendo. O trabalho fica mais leve, e os alunos são beneficiados. Estamos pensando também em como os alunos acessam o conteúdo. Então, eu tento sempre privilegiar imagens, sons, vídeos, já que ler na tela pode ser muito cansativo e muitos só têm acesso pelo celular”, pontua o professor.
Embora o uso da tecnologia no ensino cause a impressão de ser o único caminho possível, já que a cultura digital é uma realidade deste século, a professora do Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Marize Lyra Silva Passos, ressalta que só será possível avançar de fato quando o computador, a internet e os diferentes recursos audiovisuais existentes forem usados para fins específicos.
“É fato que crianças e jovens que nasceram na era tecnológica possuem mais familiaridade com o uso das tecnologias. Contudo, o apelo que os recursos tecnológicos promovem nos nativos digitais e a familiaridade com esses recursos não são suficientes para garantir o seu bom uso pedagógico. O uso deles, por parte dos educadores, deve ser atrelado a objetivos pedagógicos claros, caso contrário será somente um chamariz que não promoverá a aprendizagem efetiva”, alerta a pesquisadora da área de Inovação e Criatividade na Educação.

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