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Crise da Covid evidencia importância do papel dos professores

A valorização da escola e do educador pode ser um dos legados da pandemia, e, no futuro, aumentar o número de jovens querendo trabalhar na área

Publicado em 21/10/2020 às 12h00
Acompanhar as aulas remotas das crianças em casa mostrou-se uma tarefa complexa para as famílias
Acompanhar as aulas remotas das crianças em casa mostrou-se uma tarefa complexa para as famílias. Crédito: Freepik

As redes sociais estão repletas de memes do período de crianças longe da escola e pais desesperados. Com a pandemia do novo coronavírus, o isolamento social e as aulas a distância, coube à família supervisionar mais de perto a vida escolar dos pequenos. Nesse contexto, e percebendo a dificuldade em atrair a atenção, garantir a interação e transmitir um conteúdo com o máximo de clareza,  abre-se caminho para maior valorização da profissão do professor.

Há quem diga que o reconhecimento da escola e do professor vai ser um dos legados da pandemia, podendo, no futuro, aumentar o número de jovens querendo dar aulas e trabalhar em prol da educação. Ivan Gontijo, coordenador de projetos do Todos pela Educação, ressalta inclusive que este movimento, se consolidado, segue na contramão do que era esperado para o século XXI. No lugar de mais tecnologia, para os próximos anos a tendência é ocorrer uma valorização do espaço físico escolar.

“Se as pessoas com a mentalidade mais futurística acreditavam que a escola ia acabar dentro de alguns anos, a pandemia e o isolamento mostraram que não vai ser possível; o dano seria muito grande. O espaço físico escolar sai fortalecido. As crianças, jovens e famílias estão valorizando mais o ambiente de socialização, e entendendo a importância de diferenciar a casa do lugar de estudar. Muitos pais tiveram que ter contato com a difícil tarefa de ensinar, e passaram a fazer a seguinte reflexão: se ensinar uma ou duas crianças é complicado, imagine dar conta de 30, na mesma sala, com ritmos diferentes de aprendizado, personalidades diferentes”, observa Gontijo.

Ivan Gontijo, Especialista em Políticas Educacionais e coordenador de projetos do Todos pela Educação
Ivan Gontijo avalia que a pandemia levou muitas famílias a refletir sobre o trabalho educacional. Crédito: Acervo Pessoal

Para Maria Júlia Azevedo, mestre em Educação e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP ) e gerente de Implementação de Projetos no Instituto Unibanco, a valorização do professor precisa ser parte das mudanças ocasionadas pela pandemia. Entretanto, ressalta, não pode ficar restrita a homenagens e presentes, mas deve possibilitar melhores condições de trabalho e salários condizentes com a importância da função. A especialista lembra que países que valorizam o professor ficam à frente no quesito desempenho educacional. 

"O professor precisa entender que o trabalho dele está mudando. É necessário gerar uma consciência na sociedade e dentro da própria classe. É sabido que os países ao redor do mundo que valorizam o professor têm melhores resultados na educação. Então, as redes pública e privada precisam melhorar os salários, fornecer mais capacitação e atualização, olhar para a infraestrutura das escolas; isso é valorização real. Nada mais natural do que agora a sociedade, quando não tem mais a presença física do professor, perceber a importância do profissional”, sintetiza Maria Júlia.

A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Doutora em Educação, Cleonara Maria Schwartz, enxerga o professor no contexto pós-pandemia como um profissional diferente. As famílias, sendo obrigadas a supervisionar as atividades dos estudantes, perceberam, enfim, o quanto é trabalhoso, difícil e desgastante o ato de ensinar e garantir um aprendizado adequado. Para a pesquisadora, saber aproveitar as mudanças de modo a transformar o ensino é uma das grandes oportunidades da pandemia, o que inclui olhar com mais respeito para os profissionais que são responsáveis por formar todos os outros.

Cleonara Maria Schwartz

Doutora em Educação

"As famílias tiveram que aprender, tomar conhecimento de que o processo ensino-aprendizagem sem a escola é muito complexo. A interação com a família era importante, mas no remoto é muito mais. A mediação diária que era orquestrada pelos profissionais da educação, nesse contexto de pandemia e ensino remoto, passou a ser preenchida pela família. E aí foi o grande impacto, pois ficou muito claro que o trabalho de ensinar não é fácil como alguns poderiam julgar. Muita gente tinha mania de dizer que tudo era problema da escola"

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