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Espírito olímpico e símbolos preservam a essência dos Jogos

Conheça e entenda os principais símbolos dos Jogos Olímpicos. E saiba como surgiu o famoso espírito olímpico

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 19/07/2021 às 02h00
Espírito Olímpico e demais símbolos preservam a essência dos Jogos
Espírito Olímpico e demais símbolos preservam a essência dos Jogos. Crédito: COI/DIvulgação

A história da civilização grega até se consolidar como a Grécia, país que conhecemos hoje em dia como o berço das Olimpíadas, é marcada por guerras e disputas tanto entre as próprias cidades-estado quanto contra invasores ou inimigos de outros territórios e regiões no mundo. E é em uma destas histórias que surgiu o tão famoso espírito olímpico, marca registrada nas competições e que mostra que a importância do esporte não se encontra na vitória.

Uma das batalhas mais marcantes da civilização grega é a Primeira Guerra Médica, que teve início no ano de 490 a.C. O embate que deu início à disputa, um dos vários que colocaram gregos e o Império Persa frente a frente ao longo do século V a.C., foi a Batalha de Maratona. Em disputa, estava a região da Jônia, na Ásia Menor, hoje conhecida como Anatólia e que faz parte da Turquia.

O resultado foi um massacre. Mesmo em menor número - cerca de 15 mil soldados atenienses contra mais de 150 mil combatentes persas em 600 embarcações - os gregos mataram mais de seis mil persas e capturaram sete barcos, forçando os inimigos a recuarem e desistirem da batalha. A lenda grega diz que, após a vitória, um soldado chamado Fidípides foi enviado de Maratona, região que foi palco e deu nome à batalha, até Atenas. Fidípides, então, percorreu a pé a distância entre as cidades, que totalizou 42 quilômetros. A mitologia descreve que o soldado, ao chegar à cidade-estado, anunciou a vitória grega sobre os persas e caiu no chão, morto de cansaço.

Em homenagem ao esforço e empenho de Fidípides para honrar seu país e celebrar a vitória na guerra, foi criada a maratona, a prova de corrida que dura exatos 42 quilômetros. A superação e a entrega de Fidípides remetem a um dos principais símbolos das Olimpíadas: o espírito olímpico.

As glórias, os louros e as medalhas são os objetivos de todos os atletas que estarão em Tóquio durante a competição. Mas, acima de tudo, deve-se destacar a oportunidade única que cada competidor tem de estar presente no maior palco esportivo de todos os tempos. O espírito olímpico está também atrelado àquela frase que mães são tão acostumadas a falar aos filhos nas competições: mais importante do que vencer é participar.

ESPÍRITO OLÍMPICO

Derek Redmond completou prova com muita dificuldade nas Olimpíadas de 1992
Derek Redmond completou prova com muita dificuldade nas Olimpíadas de 1992. Crédito: COI/DIvulgação

Trazendo para a contemporaneidade, um grande exemplo de espírito olímpico é o caso do corredor Derek Redmond. Nas Olimpíadas de 1992, em Barcelona, na Espanha, o britânico chegou com moral à final da disputa dos 400 metros rasos, com o melhor tempo da primeira rodada e tendo vencido as quartas de final. Na disputa pelo ouro olímpico, porém, as coisas começaram a dar errado para Redmond.

A carreira do atleta foi marcada por lesões. Redmond se apresentou aos jogos de Barcelona com apenas quatro meses de preparação devido a cinco cirurgias em decorrência de uma lesão adquirida exatamente quatro anos antes, nos Jogos Olímpicos de Seúl, na Coréia do Sul.

Redmond conquistou a liderança da prova logo na largada, mas, faltando 150 metros para o fim, o músculo do tendão de aquiles da perna direita se rompeu e Redmond caiu de joelhos no chão. Amparado por dois assistentes, o britânico decidiu que terminaria a prova independente das lesões. Mancando e sustentado pelo pai, Jim, que o soltou logo antes da linha de chegada, Redmon completou a prova em último lugar, ovacionado pelas mais de 65 mil pessoas que estavam no estádio.

“Não estava fazendo pelas pessoas, estava fazendo por mim. Não importava se as pessoas pensavam que eu era um idiota ou um herói, eu queria terminar a corrida. Eu era o único que teria que viver com isso", disse o corredor, ao cruzar a linha de chegada.

O esforço de Derek Redmond para completar a derradeira prova de sua carreira como atleta profissional é, até hoje, um dos maiores exemplos de espírito olímpico de todos os tempos. Outros símbolos, porém, também fazem parte do hall de emblemas marcantes que estão atrelados à cultura dos jogos.

AROS OLÍMPICOS

Aros Olímpicos
Aros Olímpicos. Crédito: COI/Divulgação

Criados em 1914 por Pierre de Coubertin, fundador e primeiro presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), os aros olímpicos representam a união dos cinco continentes. Ao menos uma das cinco cores que compõem os aros - azul, amarelo, preto, verde e vermelho - está também presente na bandeira de todos os Comitês Olímpicos Nacionais.

Os aros são o símbolo de maior representatividade das Olimpíadas e é utilizado como marca do próprio COI. O Comitê Olímpico Brasileiro utiliza todos os cinco aros, embaixo de um brasão que leva a bandeira do Brasil.

MEDALHAS

Medalhas olímpicas
Medalhas olímpicas. Crédito: COI/Divulgação

Maior objetivo dos atletas olímpicos, a medalha deve possuir ao menos 60 milímetros de diâmetro e três de espessura. A medalha de ouro, destinada aos campeões nas modalidades, deve ter também no mínimo seis gramas de ouro puro. Ao segundo colocado, é destinada a medalha de prata e, ao terceiro, a de bronze.

O COI exige que, em todas as medalhas, seja impressa a imagem da deusa grega Nike que, na mitologia, personificava a vitória, a força e a velocidade. É obrigatório também que haja as imagens dos anéis olímpicos e o nome dos jogos. Além disso, todos os atletas que disputam os Jogos Olímpicos devem receber do Comitê Organizador uma medalha de participação.

Neste ano, Tóquio apostou na sustentabilidade: as cerca de 5 mil medalhas foram produzidas a partir de materiais eletrônicos reciclados. Entre abril de 2017 e março de 2019, foram recolhidos mais de 6,21 milhões de aparelhos celulares, notebooks e câmeras digitais para a confecção das premiações, totalizando 78.985 toneladas de materiais. Foram extraídos mais de 32 quilos de ouro, 3,5 de prata e 2,2 de bronze.

TOCHA OLÍMPICA

Tocha olímpica de Tóquio 2020
Tocha olímpica de Tóquio 2020. Crédito: Twitter/Tokyo2020

Um dos grandes eventos relacionados às Olimpíadas, mas que acontecem antes do início dos jogos é a passagem da tocha olímpica pelos países. A tradição de atletas e cidadão notáveis carregarem a tocha nasceu nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, já na Era Moderna.

A mensagem passada pelo ritual da tocha, que é levada de mão em mão, é carregar a paz e a amizade. Ela é utilizada para acender a Pira Olímpica na abertura dos jogos, que permanece acesa durante todo o evento, até a cerimônia de encerramento. Ao longo dos anos, a tocha olímpica ganhou novos desenhos e formas. Isso acontece porque cada cidade sede pode criar sua própria tocha.

HINO OLÍMPICO

Composto em 1896 pelo grego Spirou Samara com letra do músico também grego Cositis Palamas, o hino olímpico é entoado nos estádios antes de todas as provas enquanto a bandeira olímpica é hasteada. Apesar de ter sido composto para as primeiras Olimpíadas da Era Moderna, disputadas em Atenas no ano de 1896, a canção só foi adotada pelo COI em 1958, ou seja, mais de 60 anos depois de sua criação. 

  • Letra do hino 

    Oh! arcaico espírito imortal, imaculado pai da 
    beleza, da grandeza e da veracidade, 
    desça, se faça presente e faça brilhar aqui e  
    mais além, na Glória de sua Terra e Céu. 

    Na corrida, na luta e no arremesso, faça 
    brilhar o ímpeto das nobres competições, 
    modelando com aço e dignidade o corpo, 
    coroando-o com a imperecível rama do louro. 

    Campos, montanhas e mares se vão contigo tal 
    como um alvi-rubro magno templo, para o 
    qual se conduz aqui como seu peregrino, oh! 
    arcaico espírito imortal, cada nação.

MASCOTE

Em Tóquio 2020, Miraitowa e Someity foram os escolhidos como mascotes dos jogos Olímpicos e Paralímpicos
Em Tóquio 2020, Miraitowa e Someity foram os escolhidos como mascotes dos jogos Olímpicos e Paralímpicos. Crédito: COI/Divulgação

O mascote foi introduzido nos Jogos Olímpicos em 1972, disputados na cidade de Munique, na Alemanha, com o cão Waldi. A partir daí, tornaram-se parte integrante da cultura das Olimpíadas, como embaixadores da alegria e da festa que compõem o evento.

Para Tóquio 2020, Miraitowa e Someity foram os escolhidos como mascotes dos jogos Olímpicos e Paralímpicos, respectivamente. Miratowa, que em japonês é a junção das expressões “futuro” e “eternidade”, veste roupas quadriculadas em branco e azul e visa espalhar uma mensagem de esperança por um futuro melhor. Ele tem poderes mágicos que o permitem se transportar para qualquer lugar em um instante. Já Someity remete à expressão “so mighty”, que, na língua inglesa, significa “tão poderoso”. A figura faz referência a uma espécie de cereja tipicamente japonesa, vestindo roupas nas cores rosa e branca. Ela é mais tranquila, porém também muito poderosa.

As figuras seguem a estética mangá, tradicional desenho japonês com características marcantes como olhos grandes e super poderes. Eles vivem no mundo digital, mas podem interagir com o mundo real e tiveram os nomes escolhidos por estudantes de escolas de ensino médio do país.

LEMA

"O mais rápido, o mais alto, o mais forte". A sentença foi criada pelo Padre Didon, que era amigo de Pierre de Coubertin, que em latim se escreve: Citius, Altius, Fortius. A frase foi escolhida como lema dos Jogos Olímpicos por resumir a postura necessária a um atleta olímpico para atingir seu objetivo. Apesar de parecer arrogante, o ideal do lema remete ao espírito olímpico. A frase carrega o significado de competição, pregando que o mais importante é explorar o próprio potencial ao máximo e dar tudo de si nas provas, em detrimento de conquistar a medalha de ouro.

JURAMENTO

O juramento olímpico foi adotado nos Jogos de Antuérpia, na Bélgica, em 1920. Durante a cerimônia de abertura, um atleta é escolhido para fazer o juramento em nome de todos os participantes. Na edição de Sidney, na Austrália, em 2000, foi incluído um trecho que faz referência à não utilização de drogas que melhorem o desempenho.

“Em nome de todos os competidores, prometo participar destes Jogos Olímpicos, respeitando e cumprindo com as normas que o regem, me comprometendo com um esporte sem doping e sem drogas, no verdadeiro espírito esportivo, pela glória do esporte e em honra às nossas equipes”, é o juramento atual.

Desde 1972, também foi adotado o juramento aos árbitros. “Em nome de todos os juízes e árbitros, prometo que participaremos destes Jogos Olímpicos, sem preconceito, respeitando e seguindo as regras que os regem com o verdadeiro espírito da esportividade”, devem dizer os juízes antes do início dos jogos.

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