Publicado em 19 de agosto de 2025 às 07:25
Após receber o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e mais sete líderes europeus na Casa Branca nesta segunda-feira (18/8), Donald Trump confirmou ter falado por telefone com Vladimir Putin.>
"Após a conclusão das reuniões, liguei para o presidente Putin e comecei a organizar uma reunião, em local a ser definido, entre o presidente Putin e o presidente Zelensky", escreveu Trump em sua rede social Truth Social. >
"Após essa reunião, teremos uma reunião trilateral, que seria composta pelos dois presidentes, além de mim.">
Um assessor de Putin confirmou posteriormente que Trump e Putin conversaram por 40 minutos por telefone.>
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O telefonema aconteceu três dias depois de os dois chefes de Estado terem se reunido no Alasca, sem que um acordo fosse firmado.>
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Zelensky afirmou que ainda não há data confirmada para futuras negociações entre ele e o presidente russo, mas disse estar aberto para uma reunião. >
"Se a Rússia propuser ao presidente dos Estados Unidos um encontro bilateral, veremos o resultado desse bilateral e, então, poderemos ter um encontro trilateral", disse Zelensky a repórteres do lado de fora da Casa Branca, após a reunião.>
"A Ucrânia jamais se deterá no caminho para a paz", disse ele, acrescentando estar pronto para "qualquer formato".>
Um encontro entre Putin e Zelensky marcaria a primeira vez em que os dois se sentariam frente a frente em uma mesa de negociações desde o início da invasão em larga escala da Rússia em fevereiro de 2022.>
Há meses, o líder ucraniano vem pressionando para se encontrar com Putin. Até então Moscou havia rejeitado repetidamente a ideia. >
Após a reunião desta segunda na Casa Branca, o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou que "vale a pena explorar a possibilidade de elevar o nível de representantes" das delegações russa e ucraniana nas negociações.>
Antes da reunião expandida com a presença dos demais líderes europeus, Zelensky e Trump participaram de um encontro bilateral na Casa Branca. >
O presidente ucraniano disse que foi a "melhor" reunião que já teve com seu homólogo americano, acrescentando que as conversas foram "construtivas" e "específicas". Ele também disse ter mostrado a Trump "muitos detalhes" em um mapa do campo de batalha.>
Com base no que os dois disseram desde então, a reunião parece ter se concentrado em discussões para estabelecer garantias de segurança para a Ucrânia e marcar a reunião trilateral entre Zelensky, Trump e Putin. >
Após seu encontro bilateral, Trump e Zelensky se reuniram com os demais sete líderes europeus: o chanceler alemão, Friedrich Merz; o presidente francês, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer; a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; o secretário-geral da Otan, Mark Rutte; e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.>
Durante as conversas, Trump pareceu descartar a necessidade de um cessar-fogo antes que as negociações para encerrar a guerra pudessem ocorrer.>
No passado, essa foi uma das principais exigências da Ucrânia, que deixou claro que vê o fim dos conflitos como um pré-requisito para novas negociações com a Rússia e, em última análise, para um acordo de longo prazo.>
Um cessar-fogo também poderia ser mais fácil de ser alcançado do que um acordo de paz completo, o que levaria muitos meses de negociações, durante os quais os ataques russos à Ucrânia provavelmente continuariam.>
"Não sei se é necessário", disse Trump sobre um cessar-fogo.>
Mas os líderes europeus pareceram reagir, com a refutação mais contundente vindo do chanceler alemão, Friedrich Merz.>
"Não consigo imaginar que a próxima reunião ocorra sem um cessar-fogo", disse Merz. "Então, vamos trabalhar nisso e tentar pressionar a Rússia.">
Por sua vez, Zelensky não reiterou seus apelos anteriores para que um cessar-fogo fosse estabelecido.>
Acenando para as possibilidades, Trump prometeu garantias de segurança para a Ucrânia, mas não ficou claro de que forma essa proteção seria garantida, se liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ou se poderá contar com outro envolvimento americano.>
O tema é considerado primordial para a Ucrânia e para a Europa. "Acredito que as nações europeias vão assumir grande parte do fardo", disse Trump sobre as garantias. "Vamos ajudá-las.">
Ao que parece, qualquer futuro acordo de paz permanente deverá conter algum tipo de garantia de segurança, seja na forma de envio pelos EUA e Europa de tropas terrestres para manutenção da paz ou patrulhas aéreas e marítimas ou por meio de contribuições com inteligência e logística. Segundo analistas, Donald Trump deve preferir as duas últimas possibilidades. >
Em entrevista coletiva após as reuniões, Zelensky afirmou que parte da garantia de segurança envolveria um acordo de armas de US$ 90 bilhões entre os EUA e a Ucrânia.>
Ele afirmou que o pacto incluiria armas americanas que a Ucrânia não possui, incluindo sistemas de aviação, sistemas antimísseis "e outras coisas que não divulgarei".>
Zelensky também afirmou que os EUA comprariam drones ucranianos, o que ajudaria a financiar a produção nacional desses veículos não tripulados.>
O presidente ucraniano disse ainda que as garantias de segurança para Kiev provavelmente seriam definidas em 10 dias.>
Diante do clima hostil de sua última visita ao Salão Oval, em fevereiro, Volodymyr Zelensky se esforçou para ser cordial e conquistar seus anfitriões americanos.>
Antes da reunião começar, ainda no Salão Oval, o presidente ucraniano disse "obrigado" a Trump e ao governo americano seis vezes nos primeiros minutos em que falou.>
Na visita anterior, Zelensky havia sido repreendido pelo vice-presidente J.D. Vance por supostamente não demonstrar gratidão suficiente pelo apoio dos EUA à Ucrânia durante a guerra.>
Trump, por sua vez, agradeceu a Zelensky por estar nos EUA e disse que "progressos estão sendo feitos" para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.>
O presidente ucraniano entregou então uma carta de sua esposa, Olena Zelenska, para a primeira-dama americana, Melania Trump, agradecendo a ela por seus esforços empenhados em trazer de volta para casa as crianças ucranianas mantidas na Rússia.>
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