Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 23:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (12/01) que impôs uma tarifa de 25% sobre produtos de países com laços comerciais com o Irã.>
A medida pode pressionar ainda mais o governo iraniano, alvo de amplos protestos que estão entrando agora na terceira semana.>
Segundo Trump, essa tarifa entra em vigor "imediatamente". Entretanto, ele não detalhou o que exatamente seria "fazer negócios" com o Irã.>
"Qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios realizados com os Estados Unidos da América", escreveu Trump nesta segunda nas redes sociais.>
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"Esta ordem é final e conclusiva", acrescentou.>
A China é o maior parceiro comercial do Irã, seguida pelo Iraque, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Índia.>
O Brasil tem trocas comerciais com o Irã, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.>
De janeiro a dezembro de 2025, as exportações para o Irã totalizaram US$ 2,9 bilhões — o 31º país no ranking das exportações brasileiras, com destaque para milho não moído (68% do valor exportado) e soja (19%).>
As importações vindas do Irã tiveram menor valor, de US$ 84,6 milhões no ano passado, colocando-o na 82ª posição dos países dos quais o Brasil mais importou. A maior parte (79%) desse volume é composta por adubos e fertilizantes químicos.>
A reportagem pediu posicionamento do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sobre os impactos para o Brasil e aguarda retorno. >
A nova tarifa americana surge depois de Trump ameaçar intervir militarmente se o Irã matasse manifestantes. >
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na segunda-feira que as opções militares, incluindo ataques aéreos, ainda estavam "sobre a mesa".>
A Casa Branca não divulgou informações adicionais sobre as tarifas e nem quais países seriam mais afetados. >
A indignação com a queda vertiginosa do valor da moeda iraniana, o rial, desencadeou protestos no final de dezembro, que se transformaram em uma crise de legitimidade para o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.>
A agência de notícias HRANA (Human Rights Activist News Agency), sediada nos EUA, afirmou ter checado e confirmado a morte de quase 500 manifestantes e 48 membros das forças de segurança iranianas.>
Entretanto, fontes disseram à BBC que o número de mortos pode ser muito maior. >
Milhares de pessoas teriam sido presas.>
Um apagão nacional na internet desde a noite de quinta-feira (08/01) dificultou a obtenção e a verificação de informações. >
A BBC e a maioria das outras organizações internacionais de notícias não conseguem reportar de dentro do Irã.>
Trump ameaçou intervir e disse no domingo (11/01) que autoridades iranianas o ligaram "para negociar", mas acrescentou: "Talvez tenhamos que agir antes de uma reunião".>
As sanções internacionais contra o programa nuclear iraniano tiveram um impacto severo na economia do país, que também foi enfraquecida pela má gestão e corrupção do governo.>
Em 28 de dezembro, lojistas foram às ruas de Teerã para expressar sua indignação com mais uma forte queda no valor do rial em relação ao dólar americano no mercado paralelo.>
A moeda iraniana atingiu uma mínima histórica no último ano, enquanto a inflação disparou para mais de 40%, resultando em grandes aumentos nos preços de itens do dia a dia, como óleo de cozinha e carne.>
*Com informações de Mariana Alvim, da BBC News Brasil em São Paulo>
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