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Talibã vai proibir mulheres do Afeganistão de praticar esportes

Afegãs não terão permissão para praticar qualquer esporte, informou um dos líderes culturais do Talibã, Ahmadullah Wasiq, ao SBS News, uma rede de TV da Austrália

Publicado em 08/09/2021 às 13h04
Estádio Sherzai Cricket em Jalalabad em 2011. O críquete é o desporto mais popular
Estádio Sherzai Cricket em Jalalabad em 2011. O críquete é o desporto mais popular. Crédito: S.K. Vemmer (U.S. Department of State) - U.S. Embassy Kabul Afghanistan on Flickr - Nagarhar Province 06.23.2011

Afegãs não terão permissão para praticar qualquer esporte, informou um dos líderes culturais do Talibã, Ahmadullah Wasiq, ao SBS News, uma rede de TV da Austrália.

Segundo o porta-voz, o esporte feminino é desnecessário e pode "expor" as mulheres. O talibã citou o críquete.

"No críquete e em outros esportes, as mulheres não terão um código de vestimenta islâmico. É óbvio que elas serão expostas e não seguirão o código de vestimenta, e o Islã não permite isso", afirmou Wasiq. "Não é necessário que elas joguem".

Segundo ele, as afegãs poderiam enfrentar situações em que o rosto e o corpo não estão cobertos.

"É a era da mídia e haverá fotos e vídeos, pessoas assistirão", afirmou Wasiq.

A entrevista versava sobre críquete, que é bastante popular no país — o próprio Talibã permitiu na sexta (3) a realização de um jogo, algo que não fazia quando governava o país com mão de ferro de 1996 a 2001, até ser expulso do poder pela invasão americana encerrada no dia 30 de setembro.

Não houve nenhum decreto formal sobre isso, mas o comentário vai em linha com o anúncio do novo governo afegão, feito pelo Talibã na terça (7): radicais de velha guarda ocupam boa parte dos cargos, sem nenhuma presença feminina.

O Ministério da Promoção da Virtude e da Prevenção do Vício, a temida polícia política dos anos do Talibã 1.0, foi recriado. Não está claro com quais poderes, em especial num momento em que cresce a suspeita externa sobre o discurso dos extremistas de que agora seria tudo diferente e que haveria mais liberdade.

Tudo dentro de um escopo da sharia, a lei islâmica que o Talibã segue de forma literal, como se vivesse na Idade Média.

O fato de que sua face relativamente mais cosmopolita, o mulá Abdul Ghani Baradar, não ficou com a chefia principal do governo do líder supremo Hibatullah Akhundzada, sugere que o grupo enfim não mudou tanto.

Nos anos talibãs, quando o abrigo dado a Osama bin Laden durante a preparação do 11 de Setembro causou a derrubada do grupo pelas mãos ocidentais, mulheres eram relegadas a papéis domésticos — não podiam estudar e raramente tinham atendimento médico.

Agora, o Talibã liberou o estudo, desde que separado de homens. Desde quinta (2), há protestos pontuais de mulheres em Cabul e outras cidades, a maioria sendo dispersado com mais ou menos violência.

REGRAS PARA MULHERES ESTUDAREM

O Talibã anunciou no domingo que permitirá que mulheres afegãs possam continuar estudando em universidades particulares, mas determinou regras para a presença feminina, segundo noticiou a agência AFP.

As estudantes não poderão se misturar com homens e terão que usar as vestimentas abaya (um vestido longo) e o niqab (véu que deixa apenas os olhos à mostra). Elas também deverão deixar a sala de aula cinco minutos antes e aguardar até que os homens deixem o campus da universidade.

"O povo do Afeganistão continuará sua educação superior em segurança, à luz da lei Sharia, sem estar em um ambiente misto de homem e mulher", disse o ministro da educação em exercício do Talibã, Abdul Baqi Haqqani, de acordo com a AFP.

O grupo também exigirá que apenas mulheres ou homens mais velhos "cuja moralidade tenha sido comprovada" ministrem aulas para afegãs.

O ministro acrescentou que o Talibã quer "criar um currículo islâmico razoável que esteja em linha com nossos valores islâmicos, nacionais e históricos e, por outro lado, seja capaz de competir com outros países".

Quando governou o Afeganistão pela primeira vez, entre 1996 e 2001, o Talibã proibiu meninas e mulheres de estudar e trabalhar. Agora, o grupo promete "honrar" os direitos conquistados pelas mulheres, desde que alinhados à lei islâmica.

Um alto funcionário do Talibã disse à Reuters que divisórias em salas de aula, como cortinas, são "completamente aceitáveis" e que, dados os "recursos e mão de obra limitados do Afeganistão", era melhor "ter o mesmo professor ensinando os dois lados da classe".

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