Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 18:11
A delegada de polícia Layla Lima Ayub foi presa na manhã de sexta-feira (16/1), em São Paulo, por suspeita de envolvimento com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). >
Ayub tinha sido empossada no cargo em dezembro do ano passado e estava em período de formação na Academia de Polícia. Portanto, ela ainda não atuava na função, segundo o governo paulista.>
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, disse em uma coletiva de imprensa que "ela tinha um compromisso com o crime organizado.">
Segundo Gonçalves, a investigação mostrou que Ayub participou como advogada numa audiência de custódia de membros da facção no Pará mesmo após ter sido empossada como delegada em São Paulo, em dezembro, o que é contrário ao ordenamento legal. >
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O promotor Carlos Gaya, do Ministério Público de São Paulo, explicou que a delegada se envolveu romanticamente com um homem membro do PCC no Pará, chamado de Jardel Neto, condenado por tráfico de drogas e um dos líderes do grupo criminoso no Norte do país. Segundo o portal G1, ele atuava principalmente em Roraima.>
Ayub teria se aproximado de Jardel ao atuar na defesa de faccionados presos na região de Marabá, no Pará. Segundo a investigação, ela teria o visitado diversas vezes na prisão. Jardel estava em liberdade condicional desde novembro.>
"Era um indivíduo faccionado que estava na condicional e, de maneira irregular, veio para São Paulo com ela", disse Gaya. Jardel também foi alvo de um mandado de prisão>
O casal estava morando junto em São Paulo. Segundo Gaya, a delegada chegou a levar o membro da PCC para a sua cerimônia de posse. O evento contou com uma série de autoridades, incluindo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).>
O casal, de acordo com o MP, estava em tratativa para adquirir uma padaria na zona leste de São Paulo, e a suspeita é de que o estabelecimento seria usado para lavagem de dinheiro.>
Segundo as apurações, a delegada tinha vínculo profissional com integrantes da facção e exercia o cargo de advogada para presos integrantes da organização.>
Na decisão em que autorizou a prisão de Layla Ayub, o juiz Paulo Fernando de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), disse ser necessário o aprofundamento das investigações. >
"Mas os indícios são mais do que veementes, com gravações, termos de audiência, fotografias, dentre outros elementos", escreve o magistrado.>
A prisão é parte da operação Serpens, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), da Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo e do GAECO do Estado do Pará.>
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e em Marabá (PA) na operação. >
Em sua conta no Instagram, Layla se apresenta como delegada de polícia, ex-advogada criminalista e ex-policial militar do Espírito Santo. Segundo documentos da corporação capixaba, ela atuou em cidades como Mimoso do Sul e Alegre.>
Ela afirma também, em uma apresentação profissional, que é especialista em direito e processo penal.>
Na página do currículo Lattes atribuída a ela consta uma graduação em gestão ambiental pela Universidade Norte do Paraná (Unopar), de 2011, e em direito pela Faculdade do Espírito Santo — segundo o Ministério da Educação, em 2020, a faculdade passou a se chamar Faculdade Multivix de Cachoeiro de Itapemirim. >
"Fui servidora pública por nove anos. Sou uma eterna estudante do direito", diz ela no Lattes.>
Ela também aparece como membro da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Marabá/PA, segundo uma publicação no Instagram da instituição. >
A polícia paulista diz que não há indicativo de que a facção tenha financiado sua formação e que existe a hipótese de que ela pode ter sido cooptada "no curso do contato com lideranças da organização em presídios no Pará" e que "isso se aprofundou a partir de um relacionamento amoroso com uma dessas lideranças.">
Até a publicação desta reportagem, a BBC News Brasil não havia conseguido contato com a defesa da delegada Layla Ayub.>
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