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Protestos contra alto custo de vida no Irã chegam ao quinto dia com mortes e confrontos

Protestos contra alto custo de vida no Irã chegam ao quinto dia com mortes e confrontos

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram carros incendiados durante os confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 07:10

Imagem BBC Brasil
Os protestos vêm ocorrendo desde domingo (28/12), com início em Teerã (na imagem) Crédito: EPA

Ao menos seis pessoas morreram durante uma escalada de violência no Irã, no quinto dia de protestos contra o aumento do custo de vida no país.

A agência de notícias semioficial Fars e o grupo de direitos humanos Hengaw relataram mortes em confrontos entre manifestantes e forças de segurança na cidade de Lordegan, no sudoeste do país.

Segundo a agência Fars, outras três pessoas morreram em Azna e uma em Kouhdasht, todas no oeste do Irã.

Na quinta-feira (01/01), vídeos publicados nas redes sociais mostraram carros incendiados durante confrontos entre manifestantes e policiais.

Muitos manifestantes pedem o fim do governo do líder supremo do país. Por outro lado, há aqueles que defendem a restauração da monarquia.

Protestos pelo país

Imagem BBC Brasil
Os protestos estão relacionados à forte desvalorização da moeda iraniana, atribuída às sanções dos Estados Unidos Crédito: EPA

Ao longo do dia, surgiram novos relatos de tumultos em todo o país, no quinto dia de protestos desencadeados pelo colapso da moeda.

Vídeos verificados pelo Serviço Persa da BBC mostram protestos realizados na quinta-feira (01/01) nas cidades de Lordegan, no centro do país, na capital Teerã e em Marvdasht, na província de Fars, no sul.

A agência de notícias Fars informou que duas pessoas morreram em Lordegan, citando uma fonte oficial. O comunicado não especificou se os mortos eram manifestantes ou integrantes das forças de segurança.

A Fars também relatou três mortes em Azna, na vizinha província de Lorestan, sem detalhar se as vítimas eram manifestantes ou agentes de segurança.

O grupo de direitos humanos Hengaw afirmou que os dois mortos em Lordegan eram manifestantes e os identificou como Ahmad Jalil e Sajjad Valamanesh.

O Serviço Persa da BBC afirmou não ter conseguido verificar as mortes de forma independente.

Em outra frente, a mídia estatal informou que um integrante das forças de segurança ligado à Guarda Revolucionária do Irã morreu em confrontos com manifestantes na noite de quarta-feira (31/12), na cidade de Kouhdasht, na província ocidental de Lorestan.

A BBC não conseguiu verificar essa informação, e manifestantes afirmam que o homem era um deles e que foi morto a tiros pelas forças de segurança.

Segundo a mídia estatal, outros 13 policiais e integrantes da milícia Basij ficaram feridos após serem atingidos por pedras na região.

Feriado para conter os tumultos

Imagem BBC Brasil
O governo decretou feriado, alegando economia de eletricidade devido às baixas temperaturas Crédito: Reuters

Escolas, universidades e instituições públicas permaneceram fechadas em todo o país na quarta-feira (31/12), após as autoridades decretarem um feriado nacional, em uma aparente tentativa de conter os tumultos.

Oficialmente, a medida foi justificada como forma de economizar energia diante do frio, embora muitos iranianos tenham interpretado a medida como uma tentativa de conter os protestos.

As manifestações começaram no domingo (28/12) passado, em Teerã, entre comerciantes irritados com mais uma forte queda do valor da moeda iraniana frente ao dólar americano no mercado livre.

Na terça-feira (30/12), estudantes universitários aderiram aos protestos, que se espalharam por várias cidades, com pessoas entoando cânticos contra os líderes religiosos do país.

Os protestos foram os mais disseminados desde a revolta de 2022, desencadeada pela morte sob custódia de Mahsa Amini, uma jovem acusada pela polícia da moralidade de não usar o véu de forma adequada.

Por ora, no entanto, não atingiram a mesma escala.

Para evitar uma escalada da violência, a segurança foi reforçada nas áreas de Teerã onde os protestos começaram.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu governo ouvirá as "demandas legítimas" dos manifestantes.

Já o procurador-geral, Mohammad Movahedi-Azad, advertiu que qualquer tentativa de criar instabilidade enfrentará o que chamou de "resposta contundente".

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