Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 17:09
Depois de levar à loucura o público de Milão-Cortina, na Itália, com seu salto mortal por trás durante a competição de patinação artística por equipes, os olhos de todo o mundo estarão voltados para o patinador americano Ilia Malinin, quando ele sair em busca do ouro individual dos Jogos Olímpicos de Inverno.>
Malinin cometeu erros na competição por equipes, mas, ainda assim, foi o único participante a registrar mais de 200 pontos, garantindo o ouro para os Estados Unidos no domingo (8/2), por um único ponto à frente do Japão.>
Seu desempenho resume por que o jovem de 21 anos é o maior astro do seu esporte e caminha rumo à fama global em Milão-Cortina 2026.>
"Ele é franco favorito nesta Olimpíada", declarou à BBC Sport o medalhista de ouro olímpico na patinação artística Robin Cousins.>
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"Depois de observá-lo nos últimos cinco anos, vemos que ele cresceu. O talento sempre esteve ali; neste aspecto, ele é de outro mundo.">
"É confuso? Sim, mas eu assisti ao vivo e entendi", destaca Cousins.>
"Agora, ele cresceu com aquele estilo levemente peculiar. Não é lapidado e não quero que seja assim.">
"Para todas as pessoas que tiveram a sorte de estar em Milão, será um daqueles momentos em que dizemos 'eu estava lá'.">
Malinin não perde em competições há quase dois anos e meio. Ele chega à sua primeira Olimpíada com o apelido de "Deus dos Quádruplos", após ser o primeiro patinador a aterrissar corretamente no salto Axel quádruplo.>
O salto exige que o patinador se lance, gire quatro vezes e meia no ar e aterrisse perfeitamente por trás.>
Malinin não realizou este movimento na competição por equipes, embora estivesse registrado no seu programa. Em vez disso, ele aterrissou em Axels triplos, o que lhe custou pontos. Mas sua execução perfeita ainda rendeu benefícios.>
Como se não fosse suficiente, ele também completou o primeiro salto mortal por trás considerado legal nos Jogos Olímpicos, desde o campeão americano Terry Kubicka, nos Jogos de Inverno de Innsbruck, na Áustria, em 1976.>
Desde então, o movimento foi proibido por razões de segurança. Mas graças, em parte, a patinadores como a francesa Surya Bonaly (que realizou o movimento, então ilegal, nos Jogos de 1998 em Nagano, no Japão), o salto voltou a ser permitido.>
Malinin se tornou o primeiro patinador a executar o salto mortal por trás nos Jogos em apenas um dos pés. Com isso, ele já está fazendo história e ganhando medalhas de ouro, sem ter nem mesmo atingido o auge da sua forma.>
Ele deveria se apresentar apenas no programa curto da competição por equipes. Mas o Japão ameaça o título olímpico americano conquistado nos Jogos de Pequim, na China, em 2022. Por isso, ele concordou em se apresentar também na patinação livre.>
"Foi simplesmente uma honra, minhas colegas de equipe têm essa mesma paixão pela patinação artística", declarou ele à BBC, após ganhar a medalha de ouro. "E, para muitos de nós, foi apenas o começo.">
"Eu não quis patinar a todo vapor. Quero cadenciar meus passos corretamente, rumo às provas individuais.">
Malinin domina a patinação livre. No programa curto por equipes, o japonês Yuma Kagiyama superou Malinin, como já havia feito na final do Grand Prix, em dezembro.>
Naquela ocasião, Malinin ficou em terceiro após o programa curto, mas ainda terminou 30 pontos à frente após a patinação livre. Ele conseguiu esta vantagem com uma combinação mortal de coragem e habilidade.>
Seu programa de patinação livre tem avaliação técnica muito mais alta do que qualquer um dos seus adversários. Os juízes concedem pontos extras pela ambição e ele também é recompensado com avaliação mais alta dos componentes.>
Dotado de energia natural, Malinin também cresceu no ambiente de treinamento perfeito.>
Ele nasceu no Estado americano da Virgínia, filho de imigrantes do Uzbequistão. Seus pais, Tatiana Malinina e Roman Skorniakov, representaram seu país na patinação artística dos Jogos Olímpicos.>
Malinin tem a versão masculina do sobrenome de solteira da sua mãe. Seus pais receavam que a pronúncia do sobrenome do pai, Skorniakov, seria muito difícil para os americanos.>
Além disso, seu avô materno, Valery Malinin, é treinador de patinação artística na Rússia.>
Todo este ambiente produziu o que talvez seja o ideal físico do patinador artístico masculino. E, quando analisada em termos de números científicos, a habilidade de Malinin se torna realmente fenomenal.>
O Axel triplo, por exemplo. Análises dos últimos campeonatos mundiais demonstram que o patinador médio, ao realizar corretamente o movimento, salta a uma distância de 2,77 metros e atinge uma altura de cerca de 60 cm.>
Mas o Axel quádruplo de Malinin o desloca a apenas 2,38 metros de distância e a uma altura de 90 cm, similar ao salto vertical parado de um jogador de basquete da NBA americana.>
Para realizar o salto Axel, o patinador se move a cerca de 6,7 m/seg. Ele balança os ombros para iniciar o giro, recolhendo os braços e as pernas para manter a angulação.>
Para realizar corretamente quatro giros e meio, Malinin precisa girar a cerca de 350 revoluções por minuto, uma velocidade similar à de um liquidificador comum.>
Depois, ele precisa aterrissar, enfrentando a enorme força que passa por uma das pernas e mantendo a forma perfeita com a outra, além do restante do corpo.>
A maioria dos esportes amortece o choque da aterrissagem com superfícies ou calçados macios. Malinin aterrissa com uma lâmina de metal sobre o gelo, enquanto interrompe a força de rotação. E sem ficar tonto.>
É por isso que ele é chamado de "Deus dos Quádruplos". E é por isso que estes podem ser os Jogos de Malinin.>
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