Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 09:12
Estudantes de diversas universidades do Irã realizaram neste fim de semana protestos contra o governo — as primeiras manifestações desse tipo e escala desde a violenta repressão das autoridades no mês passado.>
A BBC confirmou a veracidade de imagens de manifestantes marchando no campus da Universidade de Tecnologia Sharif, na capital, Teerã, no sábado (21/2). Confrontos entre estudantes e apoiadores do governo também foram registrados.>
Um protesto pacífico ocorreu em outra universidade de Teerã, e uma manifestação foi relatada no nordeste do país. Os estudantes homenageavam os milhares de mortos nos protestos em massa de janeiro.>
Os Estados Unidos têm reforçado sua presença militar perto do Irã. O presidente americano, Donald Trump, já afirmou que está considerando um ataque militar limitado.>
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Os EUA e seus aliados europeus suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, algo que o Irã sempre negou.>
Autoridades americanas e iranianas se reuniram na Suíça na terça-feira (17/2) e afirmaram que houve progresso nas negociações destinadas a conter o programa nuclear iraniano.>
No entanto, apesar do progresso relatado, Trump declarou que o mundo saberia "provavelmente nos próximos 10 dias" se um acordo com o Irã seria alcançado ou se os EUA tomariam medidas militares.>
O líder americano chegou a demonstrar apoio aos manifestantes no mês passado, dizendo que "ajuda está a caminho".>
Imagens verificadas pela BBC mostram centenas de manifestantes, muitos carregando bandeiras iranianas, marchando pacificamente no campus da Universidade de Tecnologia Sharif no início do novo semestre, no sábado.>
A multidão entoava cânticos como "Morte ao ditador", em referência ao Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, e outros slogans contra o governo.>
Vídeos mostram apoiadores de uma manifestação rival pró-governo nas proximidades. Os dois lados acabaram entrando em confronto.>
Fotos verificadas pela BBC também mostram um protesto pacífico na Universidade Shahid Beheshti, na capital.>
A BBC também verificou imagens de outra universidade de Teerã, a Universidade de Tecnologia Amir Kabir, mostrando slogans contra o governo. Em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, no nordeste do país, estudantes teriam cantado "Liberdade, liberdade" e "Estudantes, gritem, gritem por seus direitos".>
Grandes manifestações também foram relatadas em outros locais no sábado, com chamadas para novos protestos neste domingo.>
Não está claro se algum manifestante foi preso.>
Os protestos de janeiro começaram com reclamações sobre a situação econômica atual do Irã e rapidamente se transformaram nas maiores manifestações populares desde a Revolução Islâmica de 1979.>
A agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, afirmou ter confirmado a morte de pelo menos 7.015 pessoas durante essa onda de protestos, incluindo 6.508 manifestantes, 226 crianças e 214 pessoas ligadas ao governo. Os dados mais recentes foram atualizados em 15 de fevereiro.>
A HRNA também informou estar investigando outras 11.744 mortes relatadas.>
Já as autoridades iranianas declararam no final do mês passado que mais de 3,1 mil pessoas morreram, mas que a maioria eram membros das forças de segurança ou civis atacados por "manifestantes violentos".>
Os protestos de sábado ocorrem enquanto as autoridades iranianas se preparam para uma possível guerra com os EUA.>
A oposição exilada está pressionando Trump a cumprir suas ameaças e lançar um ataque, na esperança de um colapso rápido do atual governo linha-dura.>
No entanto, outros grupos de oposição se opõem à intervenção estrangeira.>
Ambos os lados em conflito têm se engajado em campanhas de desinformação nas redes sociais, tentando amplificar suas narrativas conflitantes sobre os desejos do povo iraniano.>
Reportagem adicional de Ghoncheh Habibiazad, da BBC Persian, e Richard Irvine-Brown e Shayan Sardarizadeh, da BBC Verify.>
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