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Saúde

Cientistas questionam elo entre animal em extinção e coronavírus

Pesquisadores questionaram na sexta-feira (7) a tese de que o pangolim, um mamífero comercializado ilegalmente em grandes quantidades na China, seria o hospedeiro intermediário do coronavírus entre morcegos e seres humanos

Publicado em 08 de Fevereiro de 2020 às 11:31

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 fev 2020 às 11:31
HKG - CHINA/CORONAVÍRUS/EPIDEMIA - INTERNACIONAL - Passageiros com máscaras protetoras em estação de trem de alta velocidade em Hong Kong Crédito: Kin Cheung/AP
Pesquisadores questionaram na sexta-feira (7) a tese de que o pangolim, um mamífero comercializado ilegalmente em grandes quantidades na China, seria o hospedeiro intermediário do coronavírus entre morcegos e seres humanos.
A hipótese foi divulgada na sexta-feira (7) pela Universidade de Agronomia do Sul da China, que disse em seu site que "a descoberta será de grande impacto para a prevenção e par o controle da origem (do novo vírus)".
A agência de notícias Xinhua afirmou que a sequência genética do coronavírus isolada em pangolins no estudo era 99% idêntica às encontradas em pessoas infectadas. Por isso, foi feita a firmação de que o animal, único mamífero com escamas, seria "o mais provável hospedeiro intermediário".
Apesar da proibição, o pangolim é o animal mais traficado na Ásia. Sua carne é considerada uma iguaria, e as escamas são utilizadas para fins medicinais.
Mas Dirk Pfeiffer, professor de medicina veterinária na Universidade da Cidade de Hong Kong, e James Wood, chefe do departamento de medicina veterinária da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, disseram que a evidência do estudo está longe de ser robusta.
"Os indícios para o potencial envolvimento do pangolim na epidemia não foram divulgados além de um comunicado à imprensa da universidade. Isso não é evidência científica", afirmou Wood. "A mera detecção de RNA viral com uma similaridade de 99% não é suficiente. Os resultados não poderiam ser oriundos de um ambiente altamente contaminado?"
Jonathan Ball, professor de virologia molecular na Universidade de Nottingham, disse que a pesquisa da universidade chines é uma iniciativa interessante, mas que ainda não está claro "se o pangolim, ameaçado, é ou não o hospedeiro".
"Precisaríamos ver todos os dados coletados para verificar as relações entre os humanos e pangolins infectados, a prevalência do vírus entre pangolins e se eles estavam sendo vendidos nos mercados em Wuhan", afirmou.
O número total de mortos na China continental subiu em 86 neste sábado (8), chegando a um total de 722 desde o início do surto. Assim, o saldo de mortos pelo novo coronavírus está prestes a passar as 774 mortes registradas globalmente durante a pandemia de 2002-2003 da Sars, causada por outro tipo de coronavírus que migrou de animais para humanos na China.

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