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Brasil x Argentina

Bolsonaro rompe tradição e enviará ministro à posse na Argentina

Essa será a primeira vez em 17 anos que um presidente brasileiro não participará da cerimônia no país vizinho, principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul

Publicado em 06 de Novembro de 2019 às 20:57

Redação de A Gazeta

Publicado em 

06 nov 2019 às 20:57
Presidente da República, Jair Bolsonaro conversa com a Imprensa. Crédito: José Dias/PR
FOLHAPRESS - Irritado com o resultado das urnas na Argentina, Jair Bolsonaro enviará o ministro da Cidadania, Osmar Terra, para representá-lo na posse do presidente eleito, Alberto Fernández, marcada para 10 de dezembro.
Com a ausência do mandatário brasileiro, essa será a primeira vez em 17 anos que um presidente brasileiro não participará da cerimônia no país vizinho, principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul. 
Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso não compareceu à posse de Eduardo Duhalde, nomeado pelo Congresso Nacional após a renúncia de Adolfo Rodríguez Saá.
Nos anos anteriores, no entanto, o tucano marcou presença nas cerimônias de Fernando de la Rúa, em 1999, e de Carlos Menem, em 1995.
A expectativa inicial era de que o vice-presidente Hamilton Mourão representasse Bolsonaro, mas, em conversa com a reportagem, nesta quarta-feira (6), ele negou que estaria na posse e afirmou que o ministro será enviado.
"Fake news. Não sei de onde saiu isso aí. O presidente vai escalar o ministro Osmar Terra quando chegar o convite", disse. Procurado pela reportagem, Terra confirmou participação na posse.
Gaúcho, o ministro construiu sua carreira na fronteira entre os dois países. Morou em Buenos Aires durante o período da ditadura militar brasileira e, em junho, viajou à Argentina para participar de reunião no âmbito do Mercosul.
Após a vitória do argentino, Bolsonaro afirmou que não iria a Buenos Aires para a cerimônia nem cumprimentou Fernández, diferentemente dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Chile, Sebastián Piñera, aliados do brasileiro e identificados com a direita.
Nesta quarta, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, comandada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), aprovou uma moção de repúdio contra Fernández.
A proposta argumenta que o argentino, ao defender a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que seria um "preso político", questiona a Justiça brasileira e a lisura do sistema judicial do país. 
Fernández é aliado de Lula e, ainda candidato, visitou o ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. No dia em que foi eleito, voltou a pedir a libertação do brasileiro e publicou foto nas redes sociais fazendo um "L" com a mão, símbolo do movimento Lula Livre. 
Para se converter numa censura formal da Câmara dos Deputados, o requerimento ainda precisa ser analisado pelo plenário da Casa.
Durante a campanha eleitoral, o presidente brasileiro defendeu publicamente a reeleição de Maurício Macri, o que foi avaliado como um erro estratégico pelo núcleo moderado do Palácio do Planalto, para o qual o mandatário deveria ter se mantido distante da disputa para não afetar a relação comercial entre os países.
Anteriormente, ao saber do resultado das primárias -47% de Fernández contra 32% do então presidente Mauricio Macri-, Bolsonaro disse que "bandidos de esquerda" estavam voltando ao poder na Argentina, que estaria "mergulhando no caos" e trilhando "o rumo da Venezuela".
O tom do lado brasileiro seguiu o mesmo após as eleições darem a vitória a Fernández. O chanceler Ernesto Araújo afirmou em uma rede social que "as forças do mal estão celebrando". "As forças da democracia estão lamentando pela Argentina, pelo Mercosul e por toda a América do Sul."
Já Eduardo Bolsonaro fez uma postagem ofensiva a Estanislao Fernández, filho do presidente argentino. O filho do mandatário brasileiro havia compartilhado uma postagem que mostrava fotos dele, posando com uma arma, e de Estanislao, que faz cosplay e se veste de drag queen, fantasiado como o protagonista do animê Pokémon.
Estanislao respondeu à provocação, em português: "Irmãos brasileiros, estamos juntos nessa luta. Os amo."
Logo depois, postou outra mensagem: "Muita gente do Brasil começou a me seguir, então quero dizer à comunidade LGBTTTIQQA+ mais 'aliades' (usando linguagem inclusiva) do Brasil que estamos juntos nesta luta. Lembrem-se de que o amor sempre vence o ódio e entre nós temos que nos cuidar sempre."
A vitória da chapa kirchnerista colocou em xeque a relação entre Brasil e Argentina, em especial envolvendo o Mercosul. 
Em julho, Fernández havia dito que o acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia seria revisto caso o pacto representasse desindustrialização para o país. 
Em reação, Bolsonaro chegou a pregar a suspensão da Argentina do Mercosul se o presidente eleito não aceitasse uma abertura comercial ampla.
Nesta quarta, o presidente brasileiro publicou nas redes sociais mensagem na qual afirmava que as empresas MWM, Honda e L'Oréal transfeririam suas fábricas da Argentina para o Brasil.
Após uma hora, Bolsonaro apagou o post. As três companhias negaram a mudança.

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