Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 05:11
À primeira vista, ser mãe e trabalhar como negociadora de sequestros sçao atividades que não parecem ter muita relação entre si.>
Mas alguém que desempenhou os dois papéis afirma ter aprendido truques na sua profissão que podem ajudar a lidar com as crianças em casa.>
Nicky Perfect foi oficial da Polícia Metropolitana de Londres por mais de 30 anos, 10 deles como negociadora de crises e sequestros internacionais, na Unidade de Elite de Negociação de Crises e Sequestros da New Scotland Yard.>
Ela conta que, às vezes, saber o que fazer ou dizer como pai ou mãe pode trazer a sensação de alto risco e fazer a diferença entre manter a paz e uma discussão ou até levar ao completo colapso.>
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Perfect contou à BBC três técnicas que ela aprendeu na sua carreira sob alta pressão, que irão ajudar você a ficar calmo e manter o controle como pai ou mãe.>
As crianças costumam desafiar os limites. Muitas vezes, elas querem fazer o oposto do que você pede a elas.>
Em situações como estas, em vez de reafirmar sua autoridade com a frase "porque eu mandei", Nick Perfect aconselha a tentar o truque da "escolha sem escolha".>
Isso significa reformular a situação, continuando a oferecer uma escolha, mas de forma que a criança mantenha a sensação de controle e influência.>
Perguntar a uma criança se ela quer colocar seu casaco em casa ou quando for sair, por exemplo, pode ajudá-la a se sentir ouvida, respeitada e envolvida, levando ao mesmo resultado.>
Outro exemplo poderia ser oferecer a uma criança que se recusa a comer verduras a opção de comer couve ou brócolis.>
Pode não funcionar sempre, mas irá ajudar a limitar a resistência imediata.>
Ao lidar com temas sensíveis, Perfect aconselha não reagir por 90 segundos, para impedir que você reaja de forma emocional.>
Um agente do FBI, certa vez, disse a ela: "Sua função na vida não é mudar as pessoas... Você não consegue... A única coisa que você pode escolher é como reagir.">
É importante lembrar que esta escolha existe mesmo quando as emoções ameaçam sobrepujar o lado lógico do cérebro.>
"A reação poderá ser simplesmente dizer: 'Quer saber? Estou com os nervos à flor da pele, agora. Preciso sair e pensar a respeito'", explica Perfect.>
"Ou, talvez, você simplesmente não diga nada e ouça o que eles têm a dizer.">
Como madrasta, ela precisou colocar este ponto em prática quando sua enteada reconheceu que gostaria de passar o dia de Natal com seu pai e seus irmãos, quando eles se mudaram para mais longe.>
Internamente, Nicky Perfect queria desesperadamente que ela ficasse. Mas "em algum momento, você precisa apertar o botão de pausa... e dizer 'este é o seu Natal. É um dia na minha vida. O que você quer?'">
A aceitação tornou mais fácil para ela decidir como passar o próprio dia, além de planejar uma nova forma de comemorar em conjunto com sua enteada, antes ou depois da data.>
Para Nicky Perfect, ver o mundo do ponto de vista de outra pessoa, seja ela adulta ou criança, é fundamental.>
É assim que você consegue convencer a outra pessoa dos benefícios da sua proposta, fazendo com que ela também se sinta ouvida.>
"É o chamado 'poder da negociação', pois, se você oferecer às pessoas razões por que algo deveria ou não acontecer, é mais provável que elas aceitem", orienta ela.>
"É questão de reconhecer e ser realmente honesto com as pessoas. Elas são muito mais receptivas à sua honestidade do que você pensa.">
Pense em um problema comum, como a birra na hora de dormir. Muitas vezes, as crianças podem enfrentar dificuldade com a perda de autonomia trazida pelo súbito anúncio da hora de ir para a cama.>
Uma solução, segundo Perfect, é imaginar como a criança se sente naquele momento, em vez de observá-la como um adulto.>
Se eles estiverem se divertindo com os brinquedos e, de repente, chega a hora de ir dormir, pode parecer uma decisão abrupta e, naturalmente, isso irá perturbá-los.>
Sua sugestão é preparar a criança assim que ela chegar em casa, incluindo a rotina noturna naturalmente nas conversas e reforçando a questão regularmente ao longo da noite.>
Algo como "vamos jantar, assistir à televisão e, depois, é hora de dormir" oferece uma boa solução.>
Com isso, a criança se sente mais envolvida e consciente do que vem pela frente, mesmo que não goste daquilo. E, com sorte, ela será menos birrenta.>
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