Publicado em 2 de março de 2026 às 11:08
Este é um momento decisivo para a República Islâmica do Irã.>
Na manhã de sábado (28/2), começaram a circular relatos sobre o destino do líder supremo, Ali Khamenei, depois que ficou claro que sua residência foi alvo da primeira onda de ataques.>
As imagens de satélite mostraram danos significativos ao complexo com sua residência.>
A primeira resposta do Irã foi afirmar que ele havia sido levado para um local seguro.>
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Em seguida, surgiram informações de que o clérigo de 86 anos falaria na televisão estatal, mas isso não ocorreu.>
No início da noite, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em pronunciamento televisionado que "há muitos indícios" de que o líder supremo "já não se encontra mais".>
Uma série de reportagens na imprensa de Israel e dos Estados Unidos, citando autoridades não identificadas, afirmou haver provas convincentes de que ele estava morto.>
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas continuavam a negar a informação.>
Mas então, horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a notícia em sua rede social, uma apresentadora da TV estatal iraniana anunciou, em lágrimas, a morte da "montanha inabalável da proteção islâmica", que "bebeu o doce e puro gole do martírio".>
Foi declarado um período de luto de 40 dias e, ao amanhecer do segundo dia de guerra, começaram a surgir atos pró-governo para lamentar sua morte.>
No entanto, durante a noite também circularam rapidamente vídeos que mostravam cenas de celebração em algumas cidades do Irã e manifestações de alegria em comunidades iranianas em vários países, que saudavam o fim de seu governo linha-dura e expressavam esperança de que isso marcasse o fim do regime islâmico.>
São momentos decisivos na conturbada história da República Islâmica do Irã, mas seus clérigos e comandantes mais poderosos vinham se preparando para isso.>
As mentes estavam concentradas nos 12 dias de guerra, em junho passado. Só na primeira noite, na primeira onda de ataques, Israel conseguiu assassinar nove cientistas nucleares e vários chefes de segurança. Nos dias seguintes, outros cientistas de alto escalão e ao menos 30 comandantes de destaque foram mortos.>
Ficou claro que o aiatolá também poderia estar na mira.>
Na ocasião, foi noticiado que Ali Khamenei, que passou a guerra em seu bunker especial, elaborava listas de autoridades de segurança que poderiam assumir imediatamente para evitar qualquer vácuo nos postos mais altos.>
Ainda antes das hostilidades do ano passado, também foi reportado que ele havia instruído a Assembleia de Peritos, órgão formado por cerca de 88 clérigos encarregados de escolher o líder supremo, a estar preparada para qualquer eventualidade. O jornal americano The New York Times escreveu que ele teria escolhido "três clérigos de alto escalão" como possíveis substitutos caso fosse assassinado.>
Há anos circulam especulações sobre quem poderia sucedê-lo, entre eles seu filho Mojtaba.>
O líder supremo não foi a única autoridade morta no primeiro dia de bombardeios e ataques direcionados. Os que permanecem no cargo ou tiveram de assumir funções mais altas tentarão enviar ao mundo a mensagem de que continuam firmemente no comando e de que a sucessão ocorrerá sem rupturas.>
O fim dos 36 anos de governo do aiatolá, porém, representa um choque para seus apoiadores, sobretudo para seus assessores e aliados na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), encarregada de defendê-lo e de proteger a revolução islâmica dentro e fora do país.>
A BBC verificou vídeos que mostram grupos celebrando as notícias de sua morte nas ruas de Teerã e Karaj.>
Desconfiado do Ocidente, especialmente dos EUA, e hostil a Israel, Khamenei governou com mão firme, reprimindo pedidos de reforma e sucessivas ondas de protestos.>
Nos últimos anos, marcados por confrontos militares diretos com Israel e os EUA e por crescentes demandas internas por mudanças, ele enfrentou seus maiores desafios.>
Durante a nossa permanência em Teerã no início deste mês, o país parecia diferente. A dor e a indignação após a repressão de segurança, a mais severa de sua história, que matou milhares de iranianos, ainda estavam vivas.>
Com o fim abrupto do período de Khamenei no poder, as atenções se voltam para o seu sucessor e para a possibilidade de que a mudança no topo também sinalize uma nova direção para a república islâmica, que completa 47 anos.>
Independentemente de quem assuma, o objetivo central permanecerá o mesmo: garantir a sobrevivência de um sistema que mantenha os clérigos e as poderosas forças de segurança no poder.>
Uma guerra que está longe de terminar já se desenrola de forma imprevisível e perigosa.>
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