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Ainda é prematuro e irrealista falar em fim da pandemia neste ano, diz OMS

Entidade também afirma que vacinas dão sinais de que afetam a transmissão do vírus, mas que ele vai contra-atacar nos locais que baixarem a guarda

Publicado em 01/03/2021 às 17h28
Atualizado em 01/03/2021 às 17h28
O diretor do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan
O diretor do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan. Crédito: Reuters/Folhapress

Ainda é "prematuro e irrealista" falar em fim da pandemia neste ano, afirmou o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan nesta segunda (1º). "Se formos espertos, poderemos conter as hospitalizações e as mortes", disse ele. "Mas os números ainda estão crescendo em alguns países, sem contar os mais de cem países que ainda não conseguiram vacinar ninguém."

Na sexta-feira (26), Ryan disse que a situação da pandemia de Covid-19 no Brasil "é uma tragédia" e que momento era "muito duro para os brasileiros". O país registrou na quinta-feira número recorde de óbitos pela doença em 24 horas: 1.582 brasileiros morreram, no pior momento da pandemia.

O diretor afirmou também nesta segunda-feira que já começam a aparecer dados significativos indicando que as vacinas podem afetar a transmissão do patógeno. "Se for mesmo confirmado o impacto na dinâmica do contágio, além de nas doenças graves e mortes, podemos acelerar o controle da pandemia", disse ele.

Isso, porém, só vai acontecer se as medidas de distanciamento físico e higiene foram mantidas, segundo a líder técnica Maria van Kerkhove. "Este vírus vai contra-atacar se baixarmos a guarda", afirmou.

Um dos maiores riscos de relaxar medidas conforme a vacinação avança é justamente inviabilizar as vacinas, segundo Katherine O'Brien, diretora de imunização da OMS. "Cada vez que permitimos que o coronavírus circule, elevamos a chance de mutações e variantes que conseguem escapar das vacinas", disse ela.

Swaminathan afirmou que, com a aprovação de novos produtos e o começo da distribuição de imunizantes pelo consórcio Covax, esta semana deve ser o início do maior esforço de vacinação em massa da história. Dois países africanos (Gana e Costa do Marfim) receberam remessas na semana passada e o envio deve chegar a outros 15 nesta semana, segundo a diretora da área regulatória, Mariângela Simão.

Até o final de março, todos os 142 países que participam do Covax devem receber as vacinas, disse ela. Segundo o consultor sênior da OMS Bruce Aylward, porém, o consórcio ainda tem um déficit de US$ 3 bilhões (R$ 17 bilhões) para pagar por todos os imunizantes encomendados.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, fez eco ao discurso da diretora-chefe da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, e exortou fabricantes a licenciarem suas vacinas para produção em países mais pobres.

Ela apontou dados muito encorajadores de redução de mortes e hospitalização nos países que começaram a vacinar suas populações há dois meses, e recuo na infecção de profissionais de saúde.

Mas, se metade do mundo continuar sem vacina, as mais de 250 milhões de doses já aplicadas em 104 países no mundo podem não oferecer a proteção esperada, reafirmou.

Esse é um dos motivos pelos quais os países não deveriam planejar tão cedo passaportes de vacinação, disseram os diretores da OMS. "Enquanto todos os mais vulneráveis não estiverem produzidos, não deveria haver estímulos para que os imunizantes sejam desviados a menos vulneráveis", afirmou Aylward.

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